No início de agosto, o australiano Bede Durbidge anunciou que se aposentará do Championship Tour para comandar a seleção australiana na preparação aos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.
Em entrevista à revista norte-americana Surfer, Bede falou mais sobre a decisão, explicou como será a participação como técnico nas Olimpíadas e comentou diversos outros assuntos, como os melhores momentos vividos nos anos de CT.
Você oficialmente comandará o programa de treinamento da Austrália para as Olimpíadas de 2020 depois da perna australiana do CT, em 2018. Qual foi o fator decisivo para seguir essa escolha?
Foi apenas a oportunidade certa no momento certo. Eu iria me aposentar no fim do ano que vem de qualquer maneira, e então esse trabalho apareceu. Me candidatei, passei por todo o processo seletivo e acabou que me ofereceram essa oportunidade.
O que exatamente você fará nesse novo trabalho?
Em um primeiro momento, será a preparação do time australiano para as Olimpíadas. Isso significa trabalhar com os atletas e seus treinadores, e facilitar o caminho de cada atleta. Vou tentar ajudar ao máximo todos os surfistas que tiverem potencial para ir às Olimpíadas. Começarei na função em janeiro, mas se conseguir me requalificar para o Tour, vou competir na perna australiana do CT.
Sua aposentadoria do CT em 2018 depende da sua requalificação ou a WSL te dará um wildcard?
Eles provavelmente não darão (risos). Bom, talvez. Seria legal pelo menos competir um evento final na Austrália, mas não estou pensando nisso. Sinto que estou surfando bem o suficiente para me classificar para o ano que vem.
Estou dentro no momento, mas muito perto da zona de corte. Esses próximos eventos favorecem meu surfe e tive resultados bons nesses lugares no passado. Então sinto que posso chegar lá pelos meus próprios méritos. Caso não, Pipe será meu fim, e isso não seria o fim do mundo (risos).
Isso também lhe dá um objetivo competitivo para este fim de ano.
Sim, terminar entre os classificados para a elite seria um sonho.
Você ajudou John John Florence no seu primeiro título mundial no ano passado, enquanto se recuperava da lesão sofrida em Pipe. Você tinha muita experiência como treinador antes disso?
Não. Isso foi o que me fez abrir a cabeça para isso. Descobri que adoro trabalhar com as pessoas e tirar o melhor delas. Trabalhar com o John John foi incrível para mim. Aprendi muito e realmente curti esse papel. Por isso, quando apareceu a oportunidade de comandar o time australiano, eu tinha que ir atrás. Sei que posso ajudar as pessoas a alcançar seus objetivos.
Qual foi o seu momento mais memorável no Tour?
Definitivamente ganhar a Tríplice Coroa Havaiana e o Pipe Masters no mesmo dia (em 2007). Isso foi muito especial. Pipe estava pequena e surfamos em Off-the-Wall, mas isso não importou. Foi surreal ganhar esses dois eventos. Me lembrarei desse dia pra sempre.
O que vai sentir mais falta no Tour?
Viajar com essa grande família e a camaradagem que rola entre nós. Mesmo ficando muito tempo longe de casa, sempre é divertido quando se está no Tour. Vou sentir muita falta disso. Mas estarei apto a ir a algumas etapas nesse meu novo trabalho, então será legal estar lá com um olhar diferente.
Está ansioso em ver o surfe como um esporte olímpico?
Muito. Todo mundo vai em busca do título mundial, mas com as Olimpíadas a nova geração pode ter esse novo sonho. E ganhar uma medalha de ouro para seu país é algo imenso.
Parece que a Austrália está um passo à frente em levar às Olimpíadas a sério. Outros países seguirão o mesmo caminho?
Com certeza. Conversei com Adriano de Souza no Taiti e ele está muito motivado para que o Brasil siga o mesmo passo da Austrália e consiga um treinador em breve.
Você acha que o futuro do surfe como esporte olímpico fica no oceano ou veremos as piscinas como opções viáveis?
Acredito que vamos ver isso mudar. Nós ainda não vimos um evento em uma boa piscina de ondas, mas, quando isso acontecer, mudará o surfe, principalmente nas Olimpíadas.
Você tem mais sete etapas do CT pela frente. Algum objetivo especial?
Ganhar mais um evento é a meta. Seria um ótimo jeito de começar. Quem sabe agora em Trestles, foi onde ganhei minha primeira etapa do CT.