A cada ressaca, a situação fica mais tensa na praia da Macumba, Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ). Na última terça-feira (24), a maré subiu novamente e as ondas arrancaram mais pedaços da calçada, da ciclovia, do asfalto e até de uma barreira de contenção colocada pela Prefeitura na última semana.
O problema já é antigo – mas não é exclusividade do pico carioca. De Norte a Sul, várias praias do Brasil sofrem com o mesmo problema, causado pelo crescimento desenfreado, pela falta de planejamento e pela ambição de se construir sempre o mais próximo possível do mar, desrespeitando a vegetação natural.
“Desde o início da colonização no Brasil o crescimento em volta do ambiente costeiro já aconteceu de forma desordenada, pois não se tinha muito conhecimento sobre esses locais. O ambiente costeiro é dinâmico, frágil e está susceptível a receber ondas grandes, ou seja, a receber eventos de alta energia, que são considerados normais”, explica o oceanógrafo Rafael Langella.
“Por isso a vegetação de restinga tem um papel importantíssimo no sentido de segurar a areia na praia e manter a reserva de sedimentos, além de amortecer essas ondas e proteger o que está atrás desse ambiente”, completa Langella.
Na Macumba, a situação foi agravada em 2005, com as obras do projeto Eco-Orla. Para aumentar o calçadão, a Prefeitura removeu grande parte da faixa de areia da praia. De acordo com moradores, desde então virou rotina ver as ondas destruírem as estruturas de concreto em períodos de maré alta.
Duas semanas depois de inauguradas, as obras do Eco-Orla sucumbiram e afundaram na areia. A partir daí a Prefeitura passou a fazer “remendos” no local toda vez que o mar avança.
Em 2015, a Justiça Federal condenou a Prefeitura do Rio por irregularidades no projeto e determinou que fossem feitas obras de recuperação no local. O processo ainda segue em andamento.
Mas o mar decidiu não esperar e já destruiu grande parte da orla. Quem sai perdendo são os moradores e comerciantes do local, que já estimam um prejuízo milionário.
Para a Prefeitura, o descaso também não sairá barato. Na última sexta (20), o prefeito Marcelo Crivella disse que o custo com obras emergenciais para a reparação do local será de R$ 14,5 milhões e as obras levarão até três meses para serem concluídas.