No dia 27 de novembro, o jovem Marcos Corrêa, de 18 anos, realizou o sonho de todo e qualquer surfista: desembarcou no templo sagrado do surf. Sozinho e sem falar inglês, ele encarou o desafio de cruzar o oceano Pacífico para aterrissar no Hawaii. “É a realização de um sonho, como se estivesse chegando ao paraíso”, conta o surfista natural da cidade de São Vicente, litoral sul de São Paulo.
“Aqui você surfa diferentes ondas, uma mais perfeita que a outra. E ainda tem toda mídia internacional na praia”, descreve Corrêa a sua primeira impressão do arquipélago. E, apesar de ser calouro, ele não se intimidou e colocou pra baixo em ondas que deixam qualquer um com medo, como Pipeline e Sunset. “Surfei em Pipeline/Backdoor, Off The Wall, Sunset, Rocky Point, V-Land, Laniakea, Chuns Reef, Waimea Bay e Haleiwa”, lista.
“As ondas são pesadas e diferentes do que estou acostumado a surfar no Brasil”, continua o surfista, que se profissionalizou recentemente. Para encarar tamanha diversidade, ele avisa que é preciso ter no mínimo quatro pranchas diversas. “Ondas como Sunset, Rocky Point, V-Land e Pipeline exigem equipamentos completamente distintos. É importante estar preparado em todos os aspectos”.
Segundo o vicentino, “o Hawaii requer uma variedade de pranchas que vai desde uma 5’9 para surfar ondas como Rocky Point e V-Land, 6’2 a 7 pés para surfar Pipeline, 6’7 a 8 pés para Sunset e uma 9 pés para Waimea”. Para manter o quiver atualizado, ele conta com o patrocínio da marca Surf Prescription, do shaper californiano Jeff Doc Lausch.
Essa demanda toda já está fazendo diferença no seu repertório dentro d’água. “As ondas pedem linhas mais alongadas, além dos tubos. Acredito que estou amadurecendo meu surf em ondas desse tipo”, analisa. Toda essa evolução está sendo acompanhada pelo seu treinador Pedro Souza. “Ele filma todas as sessões de surf e depois fazemos uma avaliação para corrigirmos os erros”.
Com formação universitária em Esporte e pós-graduação em Treinamento Desportivo, Pedro Souza reforça que, além do equipamento adequado para as ondas havaianas, se faz necessário também um bom condicionamento físico e disposição psicológica. E Marcos Corrêa está tendo um excelente desempenho na sua primeira temporada.
“Ele se mostra bastante interessado e confiante para encarar ondas desafiadoras como Pipeline, Sunset e Waimea. E também tem se destacado com bons aéreos em ondas como Rocky Point nos dias de pouco swell”, revela Souza, residente na cidade de Santos (SP).
Vaquinha Apontado como uma das grandes promessas do surf competição, Marcos Corrêa contou com a força dos amigos que se uniram para viabilizar a sua viagem. “Tudo começou no México, quando competi uma etapa do WQS. O meu amigo Ricardo dos Santos, que estava no evento, me presenteou com a passagem, e, graças a ele, consegui chegar aqui”, relembra.
Este foi o primeiro passo para que o atleta realizasse seu sonho. Contudo, ainda faltava o dinheiro para a sua permanência, hospedagem e alimentação. Outro profissional de peso resolveu contribuir. “A grana para me manter no Hawaii foi levantada graças a uma grande ajuda do Adriano de Souza, que doou boa quantidade de roupas, pranchas e acessórios”, lista.
Com a doação de Adriano de Souza, o Mineirinho, foram realizadas diversas rifas. Correa ainda contou com um luau beneficente organizado em São Vicente, além do apoio da loja Surf Trunk. “O meu apoiador Marcos Camarão, da Surf Trunk, não mede esforços para me ajudar”, agradece.
Já no arquipélago havaiano, ele encontrou abrigo na casa do Daniel Oliveira, também de São Vicente, mas que hoje mora em Haleiwa, norte do Hawaii. “Ele me ajuda com a hospedagem e tudo que envolve minha estadia por aqui”, conta Corrêa.
Efeito Medina O surfista de São Vicente, que surfa desde os 10 anos de idade, jamais imaginaria que na sua primeira temporada havaiana fosse testemunhar, com os pés na praia de Pipeline, a conquista do primeiro título mundial de surf de um brasileiro, Gabriel Medina. “Foi incrível! Parecia que eu também estava ganhando um campeonato. Esta foi a sensação”, revela.
Competidor há seis anos, Corrêa tem se destacado nos eventos que participa. Em seu currículo estão o título de bicampeão Paulista Júnior e bicampeão invicto do circuito A Tribuna de Surf Colegial nas categorias Mirim e Júnior. Com apenas 16 anos e abusando dos aéreos, ele venceu também a segunda etapa do torneio profissional, o Oakley Pro 2013, realizado no Balneário Camboriú (SC).
Apesar da bela apresentação nas ondas e ótimos resultados, ele ainda está em busca de um patrocínio principal para competir nas etapas de acesso à elite mundial. A esperança é que, com a vitória de Medina, a visão dos empresários brasileiros mude. “Creio que haverá mais investimento no esporte como um todo, que as marcas passarão a olhar mais para o surf de competição no Brasil”.
No Hawaii, ele já sentiu o gosto de subir em um pódio ao conquistar o terceiro lugar na categoria Open, no Haleiwa International Open, encerrado no dia 29 de dezembro. “O campeonato tinha um bom nível, com vários atletas bons. Eu competi nas categorias Open e Júnior, porém, acabei correndo baterias em sequência e cheguei esgotado nas finais. Valeu como um treinamento de luxo em Haleiwa sem crowd (risos)”.
Marcos Corrêa retorna ao Brasil no dia 20 de janeiro. O atleta conta com o apoio da loja Surf Trunk, Spy Eyewear, Layr, Mangawax e pranchas Surf Prescription.





