
Sabe aquela prancha do Slater que chamam de “epóxi”? Aquela outra do Adriano ou do Kolohe que parecem muito leves? Pois é, algumas pranchas dos Tops são de isopor ou variações do mesmo tema, e você nem desconfiava.
Há tempos o PU, mais conhecido como espuma de poliuretano, perdeu o monopólio dentro das fábricas de pranchas. A era do SUP contribuiu para o reaprendizado da turma da laminação (glass) com resina epóxi, já que o EPS, ou “isopor”, não aceita a resina convencional, de poliéster. A Teccel, fabricante de PU, entrou na onda do EPS e trouxe para o Brasil um produto reconhecido lá fora e, melhor, está produzindo um similar por aqui, para pranchinhas.
Segundo Wagner Lustri, distribuidor da Teccel em São Paulo, o Marko Foam é um isopor moldado sob pressão e tem levado muita gente na Califórnia e pelo mundo a não torcer mais o nariz para o “isopor”: “A primeira vantagem é ele ser feito em uma forma específica para prancha de surf, o molde deixa o EPS bem mais sólido em relação ao convencional. Segundo, as células ficam muito mais fechadas, dificultando a absorção em excesso de resina na laminação, dispensando alguns processos como o isolamento do bloco com o primer (espécie de massa corrida) e, derivando dessa mesma característica, as células não se desprendem como no isopor convencional, são bem mais conectadas umas às outras.
Com isso, a prancha amassa menos e dura mais, além de ficar bem leve”. Vimos o trabalho de alguns shapers no Brasil com esse tipo de material e o resultado final, ao menos no acabamento do shape, é muito próximo ao do poliuretano.
Essa melhor ligação entre as células também pode gerar um tipo de vibração mais próximo ao que o PU oferece, mas isso ainda é teoria ou impressão a ser estudada melhor. Slater, por exemplo, sabe quando e como usar. “O PU tem mais flexibilidade, com células muito fechadas e estrutura entre elas mais conectada, já o EPS tem menos flex, existe mais ar dentro, devido às células mais abertas. São materiais bem diferentes um do outro, com resultado bem diferente no produto final”, conclui Wagner.
Foto: © WSL / Cestari
Versão brasileira
“O produto feito no Brasil se chama Lite Surf, também distribuído pela Teccel. Surgiu pela dificuldade de importação e regularização de um estoque digno do concorrente gringo no Brasil. O Lite Surf, que começou a ser produzido de maneira correta em 2014, é fabricado com as mesmas técnicas do Marko, só que tem a vantagem de oferecer duas densidades, 26 e 32. A primeira mais flexível e a segunda um pouco mais rígida, mas ambas com boa performance. Os plugs são 6’2” e 6’8”. As longarinas (de madeira) são as mesmas do PU, Tband importada, que aumenta a resistência e o flex da prancha. Entramos com uma série especial de longarinas coloridas que, além de bonitas, são funcionais, aumentando a resposta da prancha, isso comprovado por atletas de ponta”, declarou Wagner, concluindo: “O EPS era mais utilizado em pranchas grandes como longs e SUPs, mas com a chegada desse novo produto teremos um aumento de sua presença em pranchas pequenas. Acredito que já estamos chegando a um mercado dividido em 30 % EPS e 70% PU, falando de short boards”.