Enquanto a equipe verde-amarela dava show nas ondas de Salinas, Equador, uma grande polêmica tomou conta dos bastidores do surfe amador: a substituição da atleta Estefany Freitas pela carioca Bárbara Rizzeto, alvo de algumas críticas no Ceará.
De acordo com a entidade, Estefany foi “cortada” da equipe por não conseguir embarcar em tempo hábil ao Equador.
“Ela não compareceu ao embarque junto com a delegação, no dia 26 de março, porque achou que o vôo era no dia seguinte. Ela viria acompanhada do árbitro Armando Praça, do Ceará, mas ele veio e ela não. Inclusive na hora do embarque, em Fortaleza, ele tentou achá-la e não conseguiu”, diz Juca de Barros, presidente da CBS.
“No dia 26, ligamos de Guarulhos para Amélio Júnior, da Federação Cearense, para ver o que ele poderia fazer para embarcá-la no dia seguinte. Para a sorte dela, o videomaker Rodrigo Hojas também perdeu o voo e comprometeu-se a ajudá-la a embarcar”, comenta Juca.
Rodrigo Hojas afirma que chegou ao aeroporto no dia 26, depois de tráfego intenso em São Paulo, e não pôde embarcar por questões de horário.
“Havia entrado em contato com Juca de Barros, que me informara que a atleta Estefany Freitas não havia comparecido até aquele momento e que estava a procura de outra atleta que disponbilizasse de recursos para ir de última hora ao Equador”, revela Rodrigo.
“Naquele momento ele me deu uma notícia nada agradável: ‘Tentamos remarcar sua passagem e a da Estefany via agência, mas a tarifa não permitia que ela fosse remarcada, era uma passagem de grupo’. Na mesma hora liguei para o dono da agência, que confirmou o fato”, continua o videomaker.
“Ele me disse também que Estefany havia perdido o vôo e que não poderia pagar outra passagem, pois já havia sido difícil conseguir patrocínio para outro vôo. Fui ‘chorar’ na empresa e consegui uma remarcação da passagem exclusiva para mim e para a Estefany, mediante pagamento de multa. Paguei a minha multa, a dela e remarquei a passagem”.
“A partir daí foi a maior correria, inclusive por parte do Amélio, que esteve em contato o tempo todo, sempre preocupado com a atleta. No dia seguinte, ele me ligou diversas vezes até que eu chegasse ao aeroporto. Chegando lá, ao fazermos o check-in, foi solicitada a autorização dos pais, que por inexperiência, não foi feita da forma correta. Estava assinada pelo pai e pela mãe, mas no texto da autorização estavam somente os dados do pai, sendo portanto recusada”, afirma Rodrigo.
“Fomos então até a Polícia Federal, que informou que com aquela autorização ela não embarcaria. Mais uma vez comecei a ‘choradeira’, disse que ela era atleta, que era oportunidade única e muito importante na carreira dela, que eles erraram por ela nunca ter feito uma viagem internacional antes, até que conseguimos uma liberação em caráter de urgência, para que a mãe dela fosse até a Policia Federal, em Fortaleza, e eles enviariam um fax. Perfeito, não fosse outro porém: a garota, para evitar ‘problemas’, havia levado para São Paulo todos os documentos da mãe, o que impediu que ela se identificasse na PF de Fortaleza”, diz o videomaker.
“Naquele momento, tive que embarcar, não poderia ficar ali, pois perderia o vôo também. Já dentro do avião, tentando resolver com a Federação Cearense como ela poderia embarcar e dizer todas as opções que eu havia pesquisado no dia anterior, Amélio me disse que a garota havia desistido, e mais uma vez, a Federação comprou uma nova passagem para voltar a Fortaleza”, conclui.
Em release enviado à imprensa, Amélio Júnior, presidente da Federação Cearense, rebateu as críticas sofridas no Ceará.
“É bem mais fácil colocar a culpa na Federação do que olhar para o centro do problema e buscar compreender as reais circunstâncias em que as coisas são feitas. É bem mais fácil difamar do que procurar saber o que foi feito para que nossa representante pudesse defender nosso país em uma competição internacional”, comenta Amélio.
“Ninguém quer saber se a Federação Cearense de Surf foi à porta de vários empresários para fazer uma ‘vaquinha’ para levantar os quase US$ 1,5 mil necessários para que a viagem se concretizasse; ninguém quer saber se a Federação teve de literalmente brigar pela vaga de Estefany; ninguém quer saber que ela chegou a ir a São Paulo e que, por questões meramente burocráticas, foi impedida de viajar; não, ninguém quis saber de nada”, continua o dirigente.
“Aí, chovem as críticas que chegam ao absurdo de até mesmo acusar o pai da Estefany, seu maior incentivador, de dificultar e até mesmo impedir sua filha de fazer o que mais ama, que é surfar e representar seu estado e seu país. Houve um problema de erro no local da assinatura da autorização”, diz Amélio.

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