André Amaral, mais conhecido no Hawaii como André da Montanha, é original de Santos e reside no lado Norte da ilha de Oahu, Hawaii, desde meados dos anos 80.
Criado entre os litorais paulista e carioca, Montanha, desbravador das praias desta região, começou a surfar no meio dos anos 60 na Boca do Diabo, ilha Porschat, São Vicente, no tempo em que as águas ainda eram cristalinas e sem crowd, apenas com grandes nomes do surf que já estavam lá em grande estilo como Mirão, Nelson Excel, irmãos Twin, Pardal, Nando, Frigelio, Careca, Toninho Cabeleira, Miguel, irmãos Elias Fuad e Vadi Mansur, Helio Coquinho, Marcelo Spinelli, Vagnão, entre outros que constantemente faziam as barcas que iam para o Guarujá e para o Litoral Norte paulista quando o acesso era muito difícil.
No começo dos anos 70, Andre gerencia uma das primeiras surf-shops do Brasil, a Mansurf, da família Mansur, ocasião em André curtiu e surfou muito pelo Rio de Janeiro, inclusive no Píer de Ipanema nos anos dourados, berço de surfistas como Daniel Sabá, Daniel Friedmann, Betão, Paulo Proença, Otávio Pacheco, Relson Gracie, Bebeto Saad, Foca ,Andre Pitzalis, Petit e muitos outros.
Naquela época, André dividia seu tempo também no Guarujá, surfando com os amigos Jorge Mula, o falecido Carlos Preto, Paulo Barsotti, Marcelo Gato, entre os paulistanos Paulo Zanoto, Zé Roberto Rangel, irmãos Von Siddow e outros, até decidir-se mudar para os EUA, onde morou na Califórnia por um ano em Santa Monica.
Isso até mudar-se definitivamente para o North Shore de Oahu, Hawaii. Sobreviveu por muitos anos mergulhando, caçando e domando cavalos e, lógico, dropando as ondas do North Shore como Sunset, V-Land, Rocky Point, Haleiwa e Waimea.
André, cria da casa no North Shore, se sente muito à vontade morando no Hawaii, principalmente agora onde exerce sua profissão de motorista de caminhão, o que proporciona uma boa qualidade de vida.
Vivendo no Hawaii há muitos anos, metade da sua vida, tem visto uma nova geração muito irada de surfistas brasileiros como Leo Neves, Felipe Cezarano (Gordo), Jerônimo Vargas e Scooby arrebentando no North Shore, principalmente nas ondas mais difíceis, Pipeline e Backdoor, pelas condições, pelo crowd e localismo.
André se sente muito contente por ver essa nova geração que arrebenta, surfistas que são humildes, o que para André é o principal, além do respeito.
Ele é um guerreiro que chegou ao Hawaii numa época em que a história era bem diferente. Você tinha que ter sua própria maneira de sobrevivência, como fez mergulhando, tendo então seu alimento e sua mercadoria para fazer dinheiro, caçando nas montanhas o tão famoso porco selvagem que defumava e vendia para algumas famílias locais, sendo logo notado pela comunidade do North Shore e toda a ilha.
Se você sai para dar uma banda pela ilha com ele, se impressiona com sua popularidade e moral entre os locais mais casca-grossa.
Ele talvez seja o primeiro e único brasileiro a fazer parte da Ahahui Mamakakaua, uma sociedade havaiana que é um clube superfechado. Se tiver o privilégio de um dia estar na casa dele nas montanhas de Pipeline,terá a chance de ver integrantes desta sociedade indo até lá sempre levando um agrado.
Morando no North Shore e fazendo parte da comunidade brasileira, você pode sentir facilmente o quanto seus conterrâneos te desejam o pior, para que logo volte para casa. Com o André isso é bem diferente. É uma pessoa boa que sobreviveu em épocas difíceis, mas que hoje em dia sempre está disposto a ajudar aqueles que precisam.
“Neguinho sempre quer jogar em time que está ganhando. Ninguém nunca quer levantar um time”, diz André. “Falar é fácil. Quero ver acontecer. Digo isso porque no decorrer desses anos que estou aqui vi muitas coisas acontecerem. Vi muitos vacilos e isso me faz ter vontade de pensar de outro jeito. Mas por causa da minha criação, acho que eu vou continuar o mesmo”, explica.
Durante todos estes anos de North Shore, André também viu muita gente maneira passando e vivendo por aqui. E tantos anos fazem com que ele tenha adquirido uma bagagem por ter feito trabalhos em diversas atividades, da agricultura ao famoso jornal Hawaiian.
Ele também pescou,mergulhou, caçou, domou cavalos, foi criador de pitbul e agora leva uma vida feliz em sua nova profissão de motorista de jamanta com 16 rodas.






