O canário Airam Cabrera foi protagonista de uma legítima cena de filme de terror no campeonato mundial de Arica, Chile, na última semana.
Graças a Deus não aconteceu nada mais grave e ele segue vivo para contar o drama que viveu.
A mensagem final se resume: sorte é fundamental, mas sem preparação o pior pode acontecer.
Confira abaixo uma pequena entrevista com Airam, feita pelo seu técnico Elmo Ramos.
Airam, conte como foi essa tremenda “caçada”, como chamamos em Canárias.
Era uma bateria complicada, com Ben Player, Pierre Louis Costes e Rui Ferreira. Desde o princípio Ben e Pierre começaram a me marcar. Peguei uma esquerda boa, tubular e marquei 7,5. Quando estava voltando ao outside veio a série.
Fui furando as ondas sem remar pra dentro, esperando que parasse um pouco para poder entrar. Estava impossível de passar a arrebentação tão grande.
Em uma onda, notei que estava muito perto das pedras e nem pensava em olhar para trás. Por isso mantive a calma em todo momento e foram mais de 10 ondas na minha cabeça. Quando me dei conta, o jet-ski parou ao meu lado e me resgatou. Meu corpo estava bastante moído e notei um cansaço grande.
Já no pico, tentei cobrar as últimas forças do meu corpo para fazer outra nota e pude pegar mais quatro ondas, mas, com a forte marcação de Ben e Pierre, só peguei ondas ruins. O máximo que consegui fazer foi um 3,16 e precisava de um 3,33. Aconteceu a mesma coisa do ano passado, fiquei de fora da competição por menos de 20 décimos!
Quero saber do susto, da força da onda de El Gringo. Qual o perigo real?
Em momento algum pensei em soltar a prancha, porque olhava pra frente e queria pegar outra onda pra passar a bateria. Estava muito concentrado em passar e não soltei a prancha, como dizia o locutor. Talvez, se tivesse soltado a prancha poderia ter passado as ondas mergulhando fundo e nadando forte. Seria mais fácil porque você afunda e passa mais rápido, como acontece no México em dias grandes que arrebentam sua cordinha.
O perigo real existe e se eu ficasse nervoso poderia ter morrido, ou se vêm mais ondas e me jogam nas pedras não sei o que poderia ter acontecido. Eu creio que estive muito perto de morrer, se tivesse batido com a cabeça. Ninguém poderia fazer nada, tudo dependia de minha capacidade de aguentar.
O que passou em sua cabeça nesses momentos?
Creio que não pensei em nada de ruim, só que não paravam de vir ondas e aí pensei friamente e vi que deveria furar as ondas com toda vontade do mundo até que me sobrasse um espaço pra remontar o folego e chegar lá fora.
O preparo físico e psicológico conta muito nessas horas, verdade?
Sim, a verdade é que isso é muito importante. Eu já estava uns dias antes da competição de Arica fazendo minhas séries de Yoga no quarto do hotel, o que me deixou mais centrado e sem dúvida foi fundamental estar preparado tanto a parte técnica quanto a parte física e psicológica. Conta muito nessas horas onde o bicho pega de verdade, com ondas grandes, corrente, pedras, ouriços e mariscos que mais parecem navalhas!
Depois do susto como você está se preparando pro resto do Tour?
Eu me cortei um pouco nas pernas, mas as feridas estão cicatrizando e sigo aqui em Arica com meu amigo Oliver Herrera para treinar mais nessas ondas para o ano que vem e fazer umas imagens. Daqui vamos pra Espanha pra etapa de Sopelana, depois pro Grand Slam de Sintra em Portugal e pra etapa de Doninhos, em Ferrol, em busca de bons resultados para recuperar minha posição no ranking.
Fonte Agência Ride It! de Notícias
Cortesia Bodyboard Capixaba