#O havaiano Bruce Irons, natural da ilha de Kauai, está se tornando o novo Mr. Pipeline, pois três anos depois de sua primeira final nesta praia ele conquista seu primeiro Pipemaster aos 21, derrotando na final ninguém menos que o hexa-campeão mundial Kelly Slater.
Mesmo estando fora da elite do surf, este garoto não quer saber de limites quando o assunto é tubos, e, principalmente no Backdoor de Pipe, ele dá um show e mostra que poderá ficar com a coroa de flores do evento por mais alguns anos.
Desde a primeira vez que eu o vi competindo, ainda com 14 anos no mundial amador de 94, na Barra da Tijuca, Bruce Irons já tinha um faro especial para os tubos. Até hoje há quem lembre de dois tubos secos que ele tirou durante o campeonato, o que para mim já era um sinal do seu potencial para as ondas tubulares.
Morando no Kauai, ele pôde aprimorar seu faro para os tubos, pois quem conhece as ondas de Hanalei, Kalihiuaii, Cannons e Tunnels, sabe do que eu estou falando: tubos secos em cima de águas rasas e transparentes.
Pipeline é uma das ondas mais famosas do mundo, com um formato único. De picos cavados, é uma das ondas mais fortes e tubulares do planeta. Considerada por algumas décadas como a onda mais difícil de ser domada, já foi palco de grandes momentos da história do surf.
Com uma força fora do comum as ondas de Pipe quebram em cima de afiadas cabeças de coral, deixando até mesmo os mais corajosos com receio e de ser esmagado pelo lip em cima das pedras de seu fundo raso e irregular.
O garoto de Kauai, ilha havaiana apelidada de Garden Island, fez seu nome no Backdoor e em Pipe, ondas que já foram dominadas pelas maiores lendas do surf, desde Jock Sutherland, que de prançhão fez nos anos 60 o que muitos hoje não têm coragem de fazer, passando por um dos maiores idolos do surf de todos os tempos, o havaiano Gerry Lopez.
Nos dias de hoje, o americano Kelly Slater vinha dominando a maioria das competições sendo talvez o maior ganhador em Pipe mas, este ano teve que sucumbir ao talento do ?golden boy? do Kauai.
Com todo esse potencial, Bruce poderia tentar uma vaga na elite do WCT, ainda mais porque seu surf é moderno. Seus aerials em ondas havaianas talvez sejam tão conhecidos quanto seus tubos.
Mas, se eu estivesse em seu lugar, tendo um patrocínio que não exige que ele participe do circuito mundial, e morando em um dos paraísos na terra, dificilmente tentaria acumular pontos no WQS, repleto de ondas ruins, horas de espera em aeroportos, enfim, tudo aquilo que quem não precisa quer distância. Ficaria dentro de um tubo no Hawaii.