Em setembro deste ano, um swell nervoso encostou no litoral do Rio de Janeiro e um grupo de surfistas partiu em busca de emoções no Gardenal, laje de pedra situada a dois quilômetros da costa carioca e com extremo grau de dificuldade para o surfe.
Um deles foi o paulista Alemão de Maresias. “É uma das ondas mais sinistras e perfeitas que já vi. É por esta e por outras que digo que o Brasil tem ondas grandes e tubulares. Sobre essa onda em particular, é preciso estar preparado, seguro de si mesmo e do que está fazendo”, conta Alemão.
O paulista já vinha planejando cair no pico havia um bom tempo. “Há muitos anos escutei histórias sobre essa laje, contadas por amigos bodyboarders e surfistas que gostam desse tipo de onda, como Marcello Pedro. Ele foi o primeiro a ser registrado nessa onda, muitos anos atrás”, revela Alemão. “Mas há dois anos percebi, sem saber, que tinha uma onda nessa laje e que era a tal de Gardenal. Desde então venho observando mais atentamente e vi quebrando épica em alguns dias, mas nunca tive a oportunidade de surfar”, continua.
A oportunidade veio no dia 26 de setembro, quando Alemão e um grupo de amigos desafiaram as bombas do pico. O paulista pegou uma das maiores ondas da história da Laje. “Depois desse dia e dessa onda, me sinto abençoado por poder viver aquele momento. Gratidão a cada um dos companheiros que ali estavam”, diz Alemão.
O paulista já tinha puxado Fabiano Passos, Phil Rajhman, Kalani Lattanzi e Victor Gioranelli. “Vi Pedro Calado sair ralado e Kalani, meu aluno, também. Fui o último a surfar, e por sorte puxado pelo cara que mais conhece a onda e pilota nela – Paulo Curi, local e tow-surfer. Ele me jogou em quatro ondas, sendo uma delas considerada uma das maiores já surfada nesse local. Nunca imaginei que ela tivesse esse tamanho, fazia tempo que não surfava uma onda dessa!”, comemora Alemão. “Foi, sem sombra de dúvida, um dos momentos mais irados que vivi! Tenho muito a agradecer Victor, Marcelo Mattos e Paulo, os mais cascas nesta onda”, finalizou Alemão de Maresias.
*Colaborou Marcelo Mattos.
Foto de capa: Andre Schneck.