Kesepuluh kalinya saya di Indones (Minha décima vez na Indonésia).
A minha primeira vez na Indonésia foi em 1999. Eu morava na Austrália, onde fazia um curso de inglês, e combinei com alguns amigos de ir pra Bali. Foi paixão à primeira vista. Até hoje me lembro de vários detalhes daquele mês que, pra mim, foi inesquecível. O cheiro de Bali é uma mistura de incenso com gudang garam muito peculiar. Quem já foi, deve ter reparado.
O Marco Giacomelli me pegou no aeroporto, depois vieram o Daninho e o André Rodrigues. O primeiro surfe foi em Bingin, de manhã, e Uluwatu à tarde. A saída do fim de tarde em Uluwatu merece um comentário. O mar tinha uns 6 pés e eu errei a caverna, saindo lá pra baixo em direção a Padang. Além de escalar as pedras, por causa da maré enchendo, tive que colocar a prancha em cima da cabeça, como fazia na infância, para me proteger do lixo e das garrafas de vidro que os balineses jogavam lá de cima do cliff, limpado os warungs para o dia seguinte. Foi adrenalina do começo ao fim.
Neste mesmo mês, fizemos uma viagem incrível para Desert Point em dois carros. Pegamos sozinho, e uma onda que surfei com o André, na beira da praia, foi muito legal. Ele vai lembrar dos detalhes também quando ler este texto. Dormimos no hotel Sekotong e o medo da violência da ilha (só pensávamos no caso ocorrido com o australiano que havia sido assaltado e quase perdeu o braço com uma facada) de Lombok e dos mosquitos por causa da malária também estão na minha cabeça até hoje. Justino, um dos melhores surfistas que já vi em Desert, nos levou e nos ensinou muito. Só nós surfando um Desert sozinhos. Hoje, isso é impossível.
Ainda consegui ir pra G-Land nessa primeira vez na Indonésia e só me lembro do que o Gabriel Piccoli falava da onda. Gabriel tinha ido no início do ano de 1999 pela primeira vez também. E como ele dizia, era uma onda forte, tubular com um lip grosso, e o fato de estarmos acampado fazia ainda mais especial a viagem pra Java. Peter McCabe estava na trip e vê-lo surfar e escolher sempre a melhor hora pra cair na água foi muito legal.
Gosto de me lembrar dessa primeira vez. Foi ela que me fez voltar outras nove para lá. Em 2001, na minha terceira temporada, fomos pela primeira vez para as Mentawaii. O barco era o Electric Lamb e quem colocar no Google vai ver como ele era.
Eu, Cesinha, Carlão, Diego e Marco nunca vamos esquecer a saída do porto de Padang. Cinco minutos de navegação, e de repente o motor para. Ainda no porto, o indonésio pula na água e o outro coloca uma lanterna na água. Ele tira uma toalha enorme que tinha trancado a hélice do barco.
Somando isso ao número de baratas no barco, sorte que ninguém falou que queria desistir, mesmo todos nós morrendo de medo. Foi a comprovação de que existia coisa melhor que Bali – Lombok – Java para surfar.
Essa viagem foi épica em termos de qualidade e frequência de ondas. Pegamos Telescopes, Macaronis e Lance’s Right clássicos. Pesado, tubular, e nessa viagem me despedi do uso de botinhas para sempre na Indonésia.
Escrevo este tímido texto apenas como forma de registrar o meu amor pelo surfe, esporte que a minha família e o Ledo sempre me incentivaram a fazer e que muitas pessoas tentam fazer disso um crime ou me criticar por eu ser político e surfar. Nunca vão conseguir. Sempre que eu tiver um tempo vou pegar a minha prancha pra ir surfar na Brava, na Joaquina ou fazer uma viagem.
Se eu tiver pelo menos duas semanas, eu vou pra Indonésia e espero ter saúde para fazer a minha vigésima, trigésima, etc. Este texto é para comemorar a décima e o video é para tentar, com imagens, mostrar o meu amor pelo lugar, pelos amigos, pelo esporte, pela saúde e por tudo que o surfe fez comigo.
O surfe me deu amigos e me fez conhecer lugares que eu nunca teria ido se eu não surfasse. Por isso vou parar de escrever por aqui, mas não posso antes disso não agradecer verbalizando um “OBRIGADO SENHOR” e homenagear a todos em nome do Ledo, que gostam desse esporte tanto quanto eu.
Imagens Kako Lopes, André Portugal e Victor Cestari
Edição Antônio Zanella