Curso na USP

Bocuzzi explica o mercado

Rogério Boccuzzi fala sobre as operações de marketing de uma grande empresa como a Quiksilver. Foto: Divulgação.

Foi se o tempo em que o surf era mal visto pela sociedade e o surfista era discriminado por passar o dia na praia na companhia dos amigos e da prancha.

 

Hoje o surf ganhou um espaço gigante na mídia, está presente em propagandas de carros, cervejas, marcas de sabão em pó e é tema de novelas e desenhos animados.

 

A forte influência do surf na publicidade foi assunto da palestra de Rogério Boccuzzi, marketing da Quiksilver. Ele foi o convidado da última segunda-feira (22/6) do curso Surf: Administração, Marketing e Gestão de Negócios, promovido pelo Ibrasurf na Escola de Educação Física e Esporte da USP.

 

Buccuzzi está há 20 anos no mercado de surf, com passagens pela Revista Fluir e a extinta Venice. Quando iniciou na área, o esporte caminhava para o formato business e marcas internacionais começavam a ser licenciadas no Brasil.

 

Hoje a situação é outra. A ligação com a natureza, qualidade de vida e o lazer, fizeram do surf um dos temas preferidos dos publicitários. Basta ligar a televisão e assistir alguns comerciais para logo achar um surfista ou um carro com uma prancha passando por ali.

 

Mas, segundo Boccuzzi, é preciso conhecer bem o assunto para usá-lo. Muitas empresas exploram o surf querendo atingir o público jovem, mas faltam informações suficientes sobre o life style do esporte para chegar ao seu objetivo.

 

?O envolvimento com o surf é essencial para trabalhar e criar campanhas voltadas para o público do esporte?, afirma o empresário.

 

Boccuzzi explica que o surfista tem uma visão da praia, da onda e até do próprio surf bem diferente da maioria das pessoas. Por isso é preciso saber o que o surfista está consumindo, quais picos ele frequenta e o que gosta.

 

Em tempos de crise, o cuidado só aumenta. ?As empresas disponibilizam de menos recursos para atingir um número maior de pessoas. É preciso dar o tiro certo?, diz o marketing da Quiksilver, citando o exemplo da própria marca.

 

Uma peculiaridade do surf é o ?conflito? existente entre o público-alvo e público consumidor. Na Quiksilver, as campanhas publicitárias são voltadas para os praticantes, mas estes representam cerca de 10% do total de pessoas que consomem seus produtos.

 

Com a Roxy, marca feminina da empresa, acontece o contrário. O número de mulheres praticantes é menor ainda, por isso o marketing é voltado às simpatizantes, garotas que não surfam, mas admiram o esporte e seu estilo.

 

Outro problema que a marca enfrenta é a falta de espaço na mídia para divulgação, já que no Brasil faltam veículos especializados no público feminino.

 

Entre as ações de marketing da Quiksilver / Roxy está o merchandising nas surf shops, com materiais gráficos da marca espalhados em vitrines e em áreas internas das lojas. ?O consumo é influenciado desta forma. Muitas pessoas são estimuladas a consumirem as marcas associando a imagem exposta?, argumenta Boccuzzi.

 

Na próxima semana, o convidado do curso é Evandro Abreu, gerente de produto da Editora Abril e organizador do SuperSurf, que abordará o tema ?Marketing Esportivo e Patrocínio?.

 

O curso Surf: Administração, Marketing e Gestão de Negócios é uma realização da Ibrasurf e USP. Apoio: Waves, Star Point, EEFEUSP Junior e William Woo.

 

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