Raoni Monteiro

Batalha árdua

Raoni Monteiro, capa da FLUIR em agosto, luta contra a falta de patrocínio para participar das etapas do WCT. Foto: Reprodução.

 

Atleta revela que a situação financeira interfere diretamente em seu surf. Foto: © ASP / Cestari.

Na tarde desta quarta-feira, o site da Surfer publicou uma entrevista com o saquaremense Raoni Monteiro, surfista que foi capa da revista FLUIR na edição de agosto de 2013 e atualmente corre o circuito mundial da ASP sem um patrocinador principal.

 

O Top afirmou que a falta de recursos financeiros foi o grande motivo da sua ausência na etapa taitiana do WCT, mas confirmou sua participação no Hurley Pro em Trestles, Califórnia (EUA), apesar de não ter como arcar com os custos de hospedagem e transporte.

 

“Já completei três anos sem um patrocinador e, basicamente, fiquei sem dinheiro. Eu tenho que escolher quais eventos vou participar, pois não tenho como bancar muitas viagens. Isso é bastante frustrante. Só vou competir neste evento (na Califórnia) porque meu pai vai bancar a passagem aérea”, afirma.

 

Raoni explica que a situação financeira em que se encontra acaba interferindo diretamente no seu surf. “Eu não consigo dar o meu melhor se não estiver focado e, sinceramente, é muito difícil se concentrar e competir contra os melhores atletas do mundo quando você está preocupado se conseguirá colocar comida no prato da sua família”.

 

O resultado em Trestles pode definir o restante do ano para Raoni. O saquaremense, que atualmente ocupa a 31a posição no ranking da ASP, precisa de uma boa colocação neste evento para ter dinheiro para competir na próxima etapa do WCT, na França.

 

“Espero ir bem, pois só assim terei condições de ir à França. Vai ser muito difícil conseguir continuar no Tour se eu não conquistar alguns bons resultados. Mesmo assim, preciso competir em alguns eventos do WQS. São muitos gastos e eu não tenho ao menos um cartão de crédito”.

 

Infelizmente, o futuro para o surfista parece uma incógnita. “Se eu não arranjar logo um patrocinador para bancar minhas viagens, posso ter que virar um free surfer e ver se consigo um apoio desta forma. De qualquer forma, mesmo que eu consiga me qualificar para o WCT 2014, não tenho dinheiro para continuar no circuito”, lamenta.

 

Mesmo com os US$ 8 mil de premiação mínima, destinados a qualquer atleta que perca na primeira fase, Raoni afirma que este valor não é o bastante para custear o Tour e ajudar a família no Brasil. “Boa parte da premiação é “comida” pelos impostos, quase 20% do valor em algumas etapas. Eu tenho uma filha e minha mulher está esperando um bêbe, e quando você adiciona os custos a viagens, pranchas, hospedagem e comida, não é o bastante”.

 

Continuar no circuito mundial e cuidar da família é tudo que surfista almeja. “Sou um surfista que se dá bem em qualquer situação e já provei que posso competir contra os melhores do mundo. Se tiver alguém interessado em me patrocinar, dificilmente vai achar alguém mais comprometido do que eu. Cada centavo que você investir em mim, você receberá de volta. Você vai permitir que eu continue vivendo o meu sonho”, finaliza.

 

Fonte Surfer

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