De Volta Pro Futuro

Bali das antigas

Foi no fim dos 70, mais precisamente em 1979, quando decidi ir surfar no outro lado do mundo com o meu irmão Alberto. Eu estava com 19 anos de idade e o Alberto com 14 anos. O destino era uma longínqua ilha chamada Bali, num país remoto conhecido como Indonésia, numa época em que não existia o fax, a internet, o celular e nem uma telefonia decente.

Tudo começou depois de chegar às minhas mãos uma revista americana “Surfing”, por volta de 1977 ou 1978, que mostrava o surfista havaiano Gerry Lopez numa remota onda no oriente, nas bandas do Vietnã, chamada de Ulé, matéria intitulada “Scenes From The Paradise”, que documentava uma ilha paradisíaca, com visuais incríveis, um povo exótico e ondas de desenho de caderno com tubos para esquerda perfeitos e longos, água do mar da cor azul cintilante, num point que, para o surfista ingressar na onda, era obrigatório descer por escada de bambú numa exótica caverna por onde se acessava o pico. Isso era o “must do must”.

Aí, vinha a interrogação: onde poderia ser esse paraíso e como fazer para chegar a esse local tão distante e sem coordenadas? Eu não tinha a mínima noção, lembrando que naquela época não existia o Google e a internet para ajudar, apenas a Barsa ou a encyclopedia Britânica, ou as revistas de surfe que na época não entregavam o local. E foi na base do instinto e pesquisas que acabei descobrindo que essa onda estava numa pequena ilha chamada Bali e que se chamava Uluwatu.

Uma vez com algumas informações sobre o destino, procurei uma agência de viagens aqui de São Paulo, e eles, na agência, nunca tinham enviado alguém para essa tal de Bali, mas conseguiram agilizar nossas passagens e vistos, que previa uma temporada antes na Austrália, em Sidney, via Los Angeles, Califórnia. Com uma prancha cada um – o Alberto com uma Atlantic Coast 5’6” biquilha que eu shapei, e eu com uma prancha Costa Norte 5.7”, também biquilha -, fechamos as nossas malas, com mil dólares cada um, sem seguro de viagem ou algo do gênero.

Essa adrenalina pré surf trip que leva ao desconhecido é muito forte, e tudo ficou mais tranquilo quando entramos naquele voo da Pan Am rumo a Los Angeles. Uma vez bem acomodados no avião, em nossas cabeças todos pensamentos giravam em torno dos nossos destinos, Austrália e Indonésia. Lembro que no voo Los Angeles – Sidney estavam os surfistas cariocas Gustavo Kronig e Ianzinho, que se dirigiam para a Austrália para as competições em Gold Coast, e esse trecho foi muito longo.

Entre umas dormidas e outras, muitas vezes ficava observando o azul do Oceano Pacífico, que só foi quebrado quando começamos a sobrevoar a Grande Barreira de Coral, The Great Barrier Reefs, no norte da Austrália, com seus mais variados tons de azul, desde o clarinho ao escuro, devido à diferença de profundidade e tipos de fundos que variavam de coral a bancos de areia.

Ao chegar na terra de OZ, ficamos no estado de New South Wales, ou Nova Gales do Sul, onde surfamos ótimas ondas em Manly Beach, New Port, Queenscliff, Dee Why e Winki Pop (o de Manly), e pudemos conhecer o campeão mundial Barton Lynch ainda moleque e no início de sua carreira, e o surfista e pianista Kinsley Looker, local de Quennscliff Manly, outro surfista que se tornou de peso e top 16 anos mais tarde.

Tivemos acessos a incríveis surf shops, que deixavam a gente babando, mas, como a verba era pouca, apenas adquri um colete Rip Curl e uma prancha com base de troca na minha costa Norte, uma Cruzier 5’6”, modelo needle nose, uma tendência que ainda não havia chegado ao Brasil, onde as pranchas possuiam mais área no bico, obrigando o surfista a surfar com o pé na frente. Tive que reaprender a surfar, pois a needle nose não tinha área no bico, e a base do pé era mais para trás. Esse modelo de prancha chegou ao Brasil um ano e meio a dois anos depois, se não me engano com o Gary Linden.

Depois de uma ótima temporada australiana, onde fizemos bons amigos do Manly Surf Club, fomos em shows de australian music e aquecemos nossas turbinas nas boas ondas surfadas, partimos para Bali sem qualquer informação sobre o lugar, apenas que lá existia uma onda chamada Uluwatu e que a cultura local era bem exótica.

A nossa chegada a Bali foi deslumbrante, lembro bem que era uma tarde ensolarada, e do alto do avião, pude observar uma ilha muito tropical, com muito verde, um mar azul cheio de corais e com ondas quebrando, algumas aldeias inseridas nesse contexto, sonho dos sonhos, e foi uma conquista chegar ali e estávamos prestes a pousar.

Ao chegar ao pequeno e precário aeroporto, que lembrava o atual aeroporto de Nias, pude sentir, na saída do avião, aquele bafo de calor de uma ilha tropical. Logo na saída, fui abordado por um balinês que me deu boas vindas, pois eu usava uma camisa do Brasil de futebol e ele falava “Bagus, Brasil! Bagus, Brasil!” (Brasil bom). Depois de uma negociação, pegamos um táxi que estava ali estacionado e ele nos nos levou na casa de parentes, numa bucólica aldeia de praia chamada Kuta. Chegando na casa, que ficava a um quarteirão do famoso Bimo Corner, entendi que ali não tinha muitas opcões de hotelaria, mas gostei da família, descemos nossas bagagens e deixamos as malas e pranchas num pequeno quartinho nos fundos da casa, onde fiquei morando por 45 dias.

Uma vez alojados, saímos para dar uma volta a pé na aldeia, conhecer a praia e aproveitar para esticar o corpo e exercitar as pernas. Kuta possuía apenas algumas ruas asfaltadas e as restantes era de terra. Chegamos a ir até a praia de Kuta, e estava quase deserta e as ondas eram de beach break e não despertaram nossa atenção. Depois do reconhecimento, fomos alugar uma moto 125 cc, e na manhã do dia seguinte nos dirigimos a Denpasar, a capital de Bali, uma cidade caótica e barulhenta, para tirar a carteira de motorista de moto. Passei brilhantemente.

Logo que voltamos à nossa casa, pegamos as pranchas e apetrechos, e enfim, livres e prontos para descobrir onde estavam as ondas e onde seria a lendária Uluwatu. Partimos com tudo, com duas pranchas e o Alberto da garupa, no meio das aldeias e ruas de terra, tentando se comunicar com as pessoas que não falavam o inglês, e foi com muita dificuldade que conseguimos chegar a Nusa Doa, num lado da ilha paradisíaco, cheio de reefs de coral, água azul, com ondas que quebravam outside, predominantermente direitas.

Chegamos à praia e a nossa estreia não podia ser melhor: Sol, terral, 1,5 metro e opção de direitas e esquerdas. Optamos por surfar em Nusa Doa Left, um reef de outside com esquerdas muito perfeitas e tubos largos. Voamos nessa esquerda e a minha Crozier era muito veloz e segura.

Nessa época, Bali era praticamente desprovido de crowd de surfistas que se ajuntavam em Kuta Beach, e um pouco em Nusa Doa, Sanur e Canggu, e menos em Uluwatu, pois chegar lá era uma verdadeira epopeia, pois de Kuta se gastava no mínimo uma hora de moto até o templo de Uluwatu, onde as motos deviam ficar estacionadas, para em seguida iniciar uma caminhada de 40 minutos, ou mais, por uma trilha que seguia sobre os penhascos e nos obrigava a pular várias cercas de fazendas, driblar bois nervosos e observar macacos, até chegar à lendária onda conhecida na época como Ulé.

Havia apenas dois velhos warungs (cabana de palha) no pico e ondas solitárias. De vez em quando apareciam alguns australianos na água. Em nossa primeira ida a Uluwatu, com ondas surfáveis e vento terral, pudemos enfim descer na majestosa e sinistra caverna por uma escada de bambú, que terminava do saguão dessa caverna, que era o ponto de contato com as água do mar.

Na matéria da Surfing, uma imagem me impressionou. Era de um surfista gravemente acidentado nos corais, sendo levado carregado por essa escada. Com o coração na boca de tanta emoção e adrenalina, afinal era naquele mesmo local em que Peter Mccabe, Gerry Lopez e Rory Russell estiveram, estávamos nós ali, não mais sonhando, mas vivendo na carne, prontos para se lançar numa das melhores ondas do planeta, num dia de sol em que as águas dentro da caverna reluziam e as ondas quebravam de forma espetacular no outside corner.

Bom lembrar que “pedra do sul” é a tradução de Uluwatu, e o templo foi construído em homenagem a uma tribo que foi emboscada por outra no alto dos penhascos, e para não serem capturados, todos se suicidaram em massa, diz a lenda. Surfar ali, nessa época, era mais que um simples surfe, era pegar ondas num lugar geograficamente espetacular e com uma história estarrecedora.

O retorno de Uluwatu para Kuta era uma outra epopeia, pois, cansados, tudo era mais difícil. Lembro de uma vez que, de tanto surfar e olhando o brilho do sol no mar (ali o sol se põe na cara), voltei completamente cego e saindo pus das vistas. Andei tudo aquilo pulando as cercas das fazendas, e não sei até hoje como consegui dirigir uma moto à noite, sem ver quase nada, com um irmão de 14 anos na garupa segurando as duas pranchas.

Já no quarto, cego, entrei em pânico e comecei a esmurrar as paredes, e ainda por cima tropecei nas pranchas e caí no chão. O meu irmão conseguiu com os vizinhos remédios para dormir sem os quais eu não poderia descansar. A sorte foi que havia um casal ao lado e a mulher era enfermeira na Nova Zelândia e tinha remédios à base de cortisona contra infecção de vistas, e com o uso pude me reabilitar e voltar a enxergar direito depois de três dias no quarto. Peguei essa infecção do ar, por dirigir a moto sem óculos. A minha vista só foi curar de verdade no Brasil.

Todo dia de surfe em Bali era muito desgastante, pelo calor e pela falta de estrutura local para comer e beber quando se saía de Kuta. Porém, a volta era sempre bem recompensadora, ou melhor, restauradora, pois podíamos tomar um banho frio ao chegar em casa, colocar um sarong balinês, ouvir num toca-fitas – que troquei por uma calça – o som de Eric Clapton, que tocou todos os dias, e depois sair para comer a pé pelas escuras ruas do povoado. Sempre íamos no restaurante Dayu II, do amigo Oka, comer um prato quente que repetimos em toda a temporada: chicken cahsnuts, suco de papaya e garlic bread. Depois da jantar, só nos restava dormir, sonhar, e sonhar, para acordar para mais um dia de surfe, com o mesmo café da manhã que se repetiu por 45 dias: uma banana, um sanduíche de banana e chá.

Depois de uma semana em Kuta, o nosso estado de espírito era outro. Tínhamos emagrecido bem, estávamos mais cansados, mas felizes e empolgados, tanto por causa das ondas espetaculares como pela cultura local, das danças Barong e Legong que nos hipnotizavam, teatros de sombras que assistíamos com os aldeões, músicas primitivas em aldeias, tudo em cerimônias locais e não para turistas, como acontece hoje em dia.

Era um bucolismo sem igual, expresso nos costumes simples e elegantes nas remotas aldeias e seus personagens tribais, pelo vestuário colorido e exótico, e também pela natureza exuberante – as matas com árvores centenárias, os coqueirais gigantes nas orlas das praias, os arrozais cinematográficos com seus terraços, os vulcões e templos, e uma infinidade de cheiros emanados pelo variados incensos, flores, e dos cigarros de cravo Gudang Garam, e por fim, os majestosos pores do sol, sempre no mar, cada dia um espetáculo de cores variadas e vibrantes, e ainda por cima com poucos turistas nas areias.

A natureza, como disse, tomava conta, e para se ter uma ideia, a Legian Road, hoje muito conhecida por seus bares, lojas e hotéis e prostituição, era nessa época nada mais do que uma selva com povoados nativos. A road era apenas uma estradinha de terra no meio da selva, com suas travessas ou picadas que sumiam na mata. Uma vez me embrenhei de noite na selva, à procura de uma boate chamada Rumble Jungle. Era muito esquisito dirigir naquela escuridão no meio da floresta, entre aldeias primitivas, e de repente chegar a um local cheio de malucos europeus e surfistas australianos tomando umas brejas e dançando no meio da selva ao som de “Cocaine”, de Eric Clapton.

A ilha era tão tribal que hoje penso comigo mesmo, em última análise, que estávamos ali invadindo uma cultura ancestral com nossos “modus viventes” ocidental. Para mim, um moleque de 19 anos, e meu irmão de 14, viver aquilo foi como estar dentro de um um filme do Laos, Camboja ou Vietnã, só que sem a guerra. Cada dia naquela ilha era uma nova aventura, seja para um simples surfe em Kuta ou para explorar o interior da ilha e suas aldeias, templos e paisagens, em paragens que os turistas não aventuravam normalmente.

Dentro das nossas explorações, fomos de moto até Medewi, uma esquerda perfeita com fundo de pedra redonda a uns 100 quilômetros de Kuta, onde pudemos pegar altas ondas. Nesse pico, ao sair do mar, me defrontei com a minha moto rodeada por nativos que não falavam nem o Inglês e que não haviam ainda visto uma prancha de surfe. Fomos também surfar em Canggu no dia do ano novo deles, que são Hindu-Budistas, onde pudemos presenciar todos os povos do interior chegando nas praias com suas oferendas. Exploramos também, já no interior, uma remota aldeia localizada dentro da cratera do Vulcão Kintamani, a quase 2000 metros de altitude, onde existe um enorme lago. Conseguimos uma canoa e fomos remando por três longas horas, sob uma neblina, até um povoado onde as pessoas mortas não eram enterradas e sim colocadas sobre a terra como oferenda aos deuses. Chegamos nesse local sob muita tensão, acompanhados por alguns nativos mal encarados, e pudemos observar corpos dentro de gaiolas de bambu, alguns recentes, com a pele preta grudada nos ossos e ainda com a roupa, e outros antigos, apenas os esqueletos. Ao tentar tirar uma foto, o meu irmão quase foi agredido e tivemos que sair dali às pressas.

Em muitas picadas que eu entrava com a moto, sempre encontrava alguma aldeia, e por incrível que pareça, alguns velhos me abordavam, e em Inglês perguntavam: “Where do you from?” Eu respondia “Brasil”, e os mesmos falavam “Pelé”. Incrível como eles sabiam do Pelé e um pouco de Inglês, se nesses lugares não havia energia elétrica e nem televisão.

Voltando ao surfe, como o vento em Bali sopra de Trade Wind, numa época sopra em uma direção e em outra época soprava em uma outra direção, tivemos a sorte de usufruir dos dois ventos e surfar dos dois lados da ilha. Quando estava terral em Uluwatu, Kuta Reef e Padang, era maral nas ondas do lado oposto, em geral direitas, e vice-versa. Quando soprava maral em Kuta, sabíamos que o nosso destino era o lado de Sanur.

Surfamos ondas incríveis em Nusa Doa Left e Nusa Doa Right inside e outside, na praia ao lado que chamamos de Cogumas Point por causa de uma formação rochosa que ficava no meio do caminho da direita e que parecia um cogumelo, e na outra praia ao lado, num pico de direita que quebrava na borda de um canal, que os locais chamavam de Sri Lanka. Hoje, nessas praias, estão grandes hotéis que recebem turistas do mundo inteiro, como um Cancún de Bali, mas nessa época era totalmente deserto e com alguns poucos surfistas que apareciam em Nusa Doa. Um pequeno warung na frente servia um suco de papaya e omelets.

Nos dias que se sucediam, conhecemos dois cariocas, o Oscar Janequine e um amigo – senão me engano era o Beto -, e um paulista que surfava o Guarujá, o Avi. Encontrar brasileiros nessa parte do mundo e naquela época era muito raro, o que nos aproximou muito e ficamos bem amigos. Todas as noites nos encontrávamos no restaurant Dayu II para jantar e atualizar as aventuras que cada um viveu naquele dia, pois cada dia era uma aventura.

Vivemos incríveis momentos ali, inclusive fomos juntos surfar numa ilha chamada Nusa Lembongan, um paraíso tropical com ondas perfeitas. Havia apenas um pequeno alojamento para ficar e passamos dois dias incríveis. Foi doído e eletrizante num fim de tarde jogar bola com os nativos, numa areia de pedras de coral quebrados, e os nativos não usavam nem tênis e eu tentei imitar. O meu pé doía tanto ao chutar pedras de coral, mas foi muito divertido!

A praia era cheio de conchas Shell gigantes largadas, conchas que poderiam envolver uma criança, mas que infelizmente foram todas exploradas e vendidas anos depois. Havia ondas para a esquerda e direita nos reefs de frente à praia. Surfamos boas ondas ali sem crowd algum. Da ilha, avistávamos os grandes vulcões de Bali e um por do sol indescritível.

Depois de um longo tempo junto com o meu irmão, ele teve de ir embora ao Brasil. Eu resolvi ficar mais um tempo e estendi o meu visto. Lembro-me como se fosse hoje, eu levando aquele garoto de 14 anos ao aeroporto de Bali e o enviando ao Brasil. No aeroporto eu dei todas as instruções necessárias de como agir no Japão, de como ingressar no voo aos EUA, das conexões Los Angeles a Miami, depois Galeão e, enfim, Congonhas. Despachei o garoto com apenas 14 anos de volta ao Brasil, e ao sair com a moto na escuridão, voltando para a casa, ouvi e vi o avião voando e me deu um aperto no coração, uma pela falta que ele iria fazer e outra pelo risco de mandar um garoto só ao Brasil daquele lugar do mundo. Eu só fui saber se ele chegou, e bem, uns 15 dias depois, quando liguei para a minha família na volta do Japão.  Fiquei 45 dias sem falar com o pessoal de casa pela dificuldade que existia em ligar ao Brasil, completamente isolado.

Uma vez sozinho em Bali, mudei um pouco meus costumes de dormir cedo e passei conhecer uma outra ilha. Na época, Bali era o destino dos loucos europeus, era onde malucos iam motivados a fazer uma viagem exótica movida a drogas e álcool. Um país onde as leis anti drogas não eram tão rigorosas como são hoje, e que cogumelos azuis, os blue minis, cultivados no estrume das vacas “sagradas”, eram vendidos em restaurantes sem luz elétrica, como pratos exóticos. No Made Warung, um bar que ficava a um quarteirão do Bimo Corner, era o local de encontro de tudo quanto é tipo de gente maluca do mundo. Ali, no Made Warung, diz a lenda que estiveram comendo no ano anterior os Rollings Stones, que de certa forma deu o start a esse turismo crazy.

Depois de uma temporada incrível em Bali, tive que retornar ao Brasil e entrei naquele aeroporto minúsculo rumo ao Japão, bem diferente de quando cheguei, seja na forma de pensar ou fisicamente. Eu estava com um cabelo louro até os ombros, uns 8kg mais magro, uma infecção no olho que não cessava, carregando alguns parasitas orientais no estômago que foram se manifestar no Brasil, e uma camisa florida, uma bolsa feita de saco de arroz, com apenas 60 dólares no bolso e sem cartão de crédito. Era tudo o que eu tinha.

Essa temporada em Bali foi muito mais que uma simples viagem de surfe. Foi uma experiência de vida, um aprendizado que guardo como uma universidade da vida. Conhecemos bons amigos, como o australiano Brad, que perdemos contato; o sueco Thomas, que foi ao Kintamani com a gente e anos mais tarde nos visitou no Brasil; o carioca Oscar e o paulista Avi.

Vivemos uma experiência sem igual, inseridos no dia a dia da ilha, participando com espectadores de teatros e danças nas aldeias semi primitivas ao redor de Kuta e em aldeias mais isoladas e primitivas no centro da ilha, vivenciando uma cultura que ainda era tribal 20 anos antes da nossa ida, uma cultura cheia de beleza, um povo alegre e pacífico.

Quanto ao surfe, pudemos surfar ondas de verdade, pegar tubos de verdade, sem crowd e sem aborrecimentos. Pudemos ainda conhecer paisagens estarrecedoras, tanto de praia como de montanhas, sentir a liberdade total, a liberdade que o surfe sempre me proporcionou, pois só mesmo a busca pelas ondas nos motiva a sair das nossas casas e nos isolar literalmente numa ilha do outro lado do mundo e sem conforto por 45 dias e longe de tudo.

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    Gabriel Medina voltou ao lugar mais alto do pódio nesta terça-feira (3), ao conquistar o Philippines Pro 2026, em Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas. O tricampeão mundial derrotou o australiano Jack Robinson por 16,93 a 14,50 e encerrou um jejum de mais de três anos sem vitórias no Championship Tour (CT). Sua última conquista havia sido em Margaret River, na Austrália, em abril de 2023. Depois de três vice-campeonatos na temporada, Medina aproveitou sua quarta final do ano para levantar a taça. O resultado também levou o brasileiro da quarta para a segunda colocação do ranking mundial, atrás do compatriota Yago Dora, a uma etapa do encerramento do circuito. A decisão foi disputada em boas ondas, com tubos profundos na bancada de Cloud 9. Jack Robinson abriu a bateria com 6,17 pontos, mas Medina respondeu com 7,50. Na metade do confronto, o brasileiro encontrou um tubo espetacular, recebeu 9,43 e deixou o australiano precisando de uma combinação de notas para assumir a liderança. Robinson reagiu e conseguiu sair da combinação, chegando a 14,50 pontos. Com a prioridade nos minutos finais, Medina administrou a vantagem e confirmou a vitória com 16,93 pontos, somando 9,43 e 7,50. O título também teve sabor de recuperação. Na etapa anterior, em Peniche, Portugal, Medina liderava a final até o último minuto, quando Griffin Colapinto conseguiu a virada e ficou com a vitória. Duelo brasileiro na semifinal Antes de enfrentar Robinson, Medina precisou superar Yago Dora em uma semifinal inteiramente brasileira. O tricampeão mundial começou forte, com uma nota 8,83, mas Yago respondeu com 7,00 e 6,50, chegando a assumir a liderança. Medina recuperou a primeira colocação ao somar 6,93 e fechou a bateria com 15,76 contra 13,50. Na outra semifinal, Jack Robinson derrotou Ethan Ewing por uma diferença de apenas 0,63 ponto. Apesar da eliminação, Yago segue na liderança do ranking mundial. Medina assume a segunda posição, enquanto Italo Ferreira, Griffin Colapinto e Miguel Pupo completam os cinco primeiros colocados. Caitlin Simmers conquista título feminino Na categoria feminina, a norte-americana Caitlin Simmers venceu o Philippines Pro ao superar a australiana Isabella Nichols por 12,00 a 10,77 na final. Simmers chegou à decisão depois de uma semifinal movimentada contra Carissa Moore. A havaiana sofreu uma penalidade por interferência, decisiva para o resultado de 9,43 a 5,67 favorável à norte-americana. Na outra semifinal, Isabella Nichols derrotou Tyler Wright por 10,17 a 7,00. Com o título, Simmers sobe para a terceira colocação do ranking feminino. Molly Picklum permanece na liderança, seguida por Carissa Moore. A brasileira Luana Silva chega à última etapa na sétima posição do ranking, com 43.325 pontos, e ainda tem chances matemáticas de conquistar seu primeiro título mundial. Ao todo, sete surfistas seguem na disputa: Molly Picklum, Carissa Moore, Caitlin Simmers, Gabriela Bryan, Erin Brooks, Sawyer Lindblad e Luana Silva. Assim como na categoria masculina, a definição dependerá dos resultados em Pipeline e dos descartes da classificação final. Medina assumirá liderança em Pipeline A vitória em Cloud 9 levou Gabriel Medina da quarta para a segunda posição do ranking mundial, com 53.210 pontos, apenas 1.740 atrás do líder Yago Dora, que soma 54.950. Essa diferença, porém, será revertida na abertura da última etapa da temporada, em Pipeline, no Havaí. A mudança acontece por causa do terceiro descarte, previsto para a classificação final do Circuito Mundial. Yago perderá 3.320 pontos, enquanto Medina descartará apenas 1.000. Com isso, o tricampeão passará a somar 52.210 pontos, contra 51.630 do compatriota, assumindo a liderança com 580 pontos de vantagem. Apesar da inversão, Yago continuará vestindo a lycra amarela e será o cabeça de chave número 1, pois o chaveamento será definido antes da aplicação do novo descarte. Seis surfistas na disputa pelo título Além de Medina e Yago, outros quatro surfistas chegam a Pipeline com chances matemáticas de conquistar o Mundial: Italo Ferreira, Griffin Colapinto, Miguel Pupo e Leonardo Fioravanti. Os dois primeiros colocados estão em situação privilegiada. Tanto Medina quanto Yago garantem o título mundial se vencerem a etapa, independentemente dos resultados dos adversários. A vantagem do terceiro descarte também favorece Medina em um confronto direto com Yago. Se ambos forem eliminados na mesma fase, o tricampeão terminará à frente do compatriota. Já os outros quatro candidatos precisam avançar na competição e contar com resultados desfavoráveis dos líderes. A decisão acontece entre 8 e 20 de dezembro, em Pipeline, no Havaí. A última etapa terá pontuação especial, com 15 mil pontos para o campeão, 50% a mais do que nas etapas convencionais. O formato aumenta o peso dos resultados e mantém aberta a disputa pelo título mundial de 2026, com quatro brasileiros entre os seis candidatos. O que cada um precisa para ser campeão Gabriel Medina e Yago Dora dependem apenas dos próprios resultados. Quem vencer Pipeline será campeão mundial. Medina, porém, tem uma vantagem importante: se os dois forem eliminados na mesma fase, terminará à frente do compatriota graças ao terceiro descarte. Italo Ferreira também pode conquistar o título sem vencer a etapa. Para isso, precisaria terminar como vice-campeão, com Medina e Yago eliminados na nona posição, além de contar com os tropeços dos demais concorrentes. Para Griffin Colapinto, Miguel Pupo e Leonardo Fioravanti, a situação é mais complicada. Os três precisam obrigatoriamente vencer Pipeline e torcer por eliminações precoces dos principais adversários. O avanço de Medina e Yago pode reduzir rapidamente o número de candidatos. Se ambos chegarem às semifinais, o título mundial estará matematicamente garantido para o Brasil. Baterias do Philippines Pro Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 13,13 x 9,90 Callum Robson (AUS)2 – Seth Moniz (HAV) 12,66 x 10,33 Marco Mignot (FRA)3 – Filipe Toledo (BRA) 10,67 x 9,53 Cole Houshmand (EUA)4 – Liam O’Brien (AUS) 14,33 x 13,33 João Chianca (BRA)5 – Jack Robinson (AUS) 14,83 x 10,00 Bronson Meydi (IND)6 – George Pittar (AUS) 10,33 x 6,67 Noah Arkfeld (FIL)7 – John Mark Tokong (FIL) 16,60 x 11,00 Samuel Pupo (BRA)8 – Jayuard Alciso (FIL) 12,93 x 12,17 Kauli Vaast (FRA) Round 2 1 –

    Gabriel Medina encerra jejum de mais de três anos sem vitórias no Circuito Mundial, conquista o Philippines Pro e chega à última etapa da temporada na segunda posição do ranking.

    A Praia de Carcavelos, em Portugal, volta a receber os melhores especialistas em tubos do mundo. A partir deste domingo (1º), começa uma nova janela de espera do Capítulo Perfeito, competição que reúne 16 surfistas convidados e será realizada em um único dia, quando as condições de mar e vento estiverem ideais. Inicialmente programada para o começo de 2026, a 12ª edição foi adiada depois que sucessivas tempestades impediram a formação das ondas desejadas pela organização. Mesmo com a extensão do prazo até 31 de março, a competição não aconteceu. Agora, a expectativa é encontrar as condições perfeitas até 15 de dezembro, com a chamada oficial anunciada 72 horas antes do evento. “Este é um evento único, marcado pela imprevisibilidade do mar e por um compromisso inegociável com a perfeição. Continuamos determinados a esperar pelo dia perfeito, que acreditamos que chegará entre novembro e dezembro”, afirma Rui Costa, organizador do Capítulo Perfeito. Brasileiros entre os convidados O Brasil terá dois representantes na competição principal. Bruno Santos, campeão do Capítulo Perfeito em 2015, retorna a Carcavelos ao lado de Anne dos Santos, primeira mulher a integrar a lista de convidados internacionais do evento. O grupo também reúne nomes consagrados do surfe mundial, como os ex-campeões mundiais Joel Parkinson e Rob Machado, além de Balaram Stack, Noah Beschen, Soli Bailey, Torrey Meister e Tosh Tudor. O norte-americano Cam Richards, vencedor da edição de 2025, retorna para defender o título. Entre os portugueses estão Nic von Rupp, Miguel Blanco e João Maria Mendonça. A última das 16 vagas será preenchida pelo Wildcard Performance, convite reservado a um surfista internacional que terá seu nome anunciado às vésperas da competição. A programação também inclui o Women Special Heat, bateria especial feminina com Camila Cardoso, Gabriela Dinis, Mafalda Lopes e Maria Salgado. Novo formato de competição Uma das principais novidades da edição de 2026 será o formato de disputa. Todos os 16 participantes competirão em duas rodadas iniciais sem eliminações, com pelo menos três participações garantidas ao longo do evento. Após as duas primeiras rodadas, os oito melhores avançam diretamente para a quarta fase. Os outros oito disputam uma repescagem, que classificará mais quatro surfistas. Na quarta rodada, os quatro melhores avançam à final, na qual o campeão será definido pela soma das duas melhores ondas. O objetivo é permitir que os participantes enfrentem diferentes condições de maré ao longo do dia, reduzindo o impacto de eventuais mudanças nas ondas. Outra novidade é que os quatro finalistas de 2026 garantirão vagas na edição de 2027. Até então, apenas o campeão recebia esse benefício. Capítulo Perfeito também chegou à Indonésia A temporada de 2026 marcou a expansão internacional do evento. Em setembro, o Capítulo Perfeito realizou uma edição em Desert Point, na ilha de Lombok, na Indonésia. O havaiano Makana Pang conquistou o título com uma nota 10 na final e 17,57 pontos no somatório, superando os brasileiros Bruno Santos e Ícaro Ronchi, além do indonésio Usman Trioko. Com a vitória, Pang garantiu um convite para disputar o Capítulo Perfeito de Carcavelos em 2027. Convidados do Capítulo Perfeito 2026 Internacionais Anne dos Santos (BRA)Balaram StackBruno Santos (BRA)Joel ParkinsonNoah BeschenRob MachadoSoli BaileyTorrey MeisterTosh Tudor Portugueses João Maria MendonçaMiguel BlancoNic von Rupp Convidados especiais Cam Richards (campeão de 2025)Pedro Boonman (escolhido pelo público)Tomás Valente (vencedor dos Trials)Wildcard Performance (a definir) Women Special Heat Camila CardosoGabriela DinisMafalda LopesMaria Salgado O Capítulo Perfeito tem como característica realizar a competição apenas quando o mar apresenta ondas grandes e tubulares, com os tubos sendo a única manobra considerada na pontuação. A organização divulgará a chamada oficial em seus canais e no site capituloperfeito.com.

    Capítulo Perfeito reúne 16 surfistas em Portugal entre 1º de novembro e 15 de dezembro. Brasileiros Bruno Santos e Anne dos Santos estão entre os convidados da 12ª edição, que estreia novo formato.

    A organização do Eddie Aikau Big Wave Invitational uma das competições mais tradicionais e prestigiadas do surfe de ondas gigantes, anunciou nesta quinta-feira (29) os convidados para a temporada 2026/27. A lista reúne 32 atletas, entre eles John John Florence, Kai Lenny, Landon McNamara, Grant Baker e Luke Shepardson. O brasileiro Lucas Chumbo Chianca está entre os alternates. Chumbo, que integrou a lista principal na temporada passada, aparece agora na nona posição entre os 20 suplentes masculinos. Caso algum dos convidados não possa participar, o brasileiro poderá ser convocado conforme a ordem de substituição estabelecida pela organização. A janela de espera do evento começa em 6 de dezembro de 2026 e segue até 4 de março de 2027, em Waimea Bay, na costa norte da ilha de Oahu, no Havaí. A tradicional cerimônia de abertura está marcada para 3 de dezembro. A tradição do The Eddie Criado em homenagem ao lendário surfista e salva-vidas havaiano Eddie Aikau, o campeonato é conhecido por suas exigências extremas. A competição só acontece quando as ondas atingem consistentemente 40 pés de face, aproximadamente 12 metros, e as condições permitem realizar todas as baterias em um único dia. Desde sua primeira edição, em 1985, o The Eddie aconteceu apenas 11 vezes. Naquele ano, a competição foi realizada em Sunset Beach, com vitória de Denton Miyamura. Em 1986, o evento passou para Waimea Bay, onde Clyde Aikau, irmão de Eddie, conquistou o título. As duas últimas edições aconteceram em dezembro de 2023 e 2024, vencidas pelos havaianos Luke Shepardson e Landon McNamara, respectivamente. Na temporada 2025/26, a organização encerrou a janela sem realizar a competição por falta de condições adequadas. A seletividade faz parte da identidade do The Eddie. Diferentemente dos campeonatos convencionais, que seguem um calendário de baterias previamente estabelecido, o evento depende inteiramente da chegada de uma ondulação excepcional a Waimea Bay. Entre os convidados desta temporada estão campeões históricos, como Bruce Irons, John John Florence e Ross Clarke-Jones, além de nomes consagrados do surfe de ondas grandes, como Billy Kemper, Mark Healey, Jamie Mitchell e Nathan Florence. O atual campeão, Landon McNamara, também está confirmado. Em dezembro de 2024, ele conquistou o título com uma apresentação que incluiu uma onda de 50 pontos, nota máxima na competição. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) O legado de Eddie Aikau Mais do que uma competição, o The Eddie celebra a memória de um dos personagens mais importantes da cultura havaiana. Eddie Aikau foi o primeiro salva-vidas de Waimea Bay e de toda a costa norte de Oahu. Ao longo de sua carreira, participou do salvamento de mais de 500 pessoas e ficou conhecido pela coragem com que enfrentava o mar em condições extremas. Em 1978, aos 31 anos, Eddie desapareceu no oceano ao sair remando em busca de ajuda para os tripulantes da canoa tradicional Hokule’a, que enfrentava dificuldades durante uma travessia entre o Havaí e o Taiti. Sua história deu origem à expressão “Eddie Would Go” (“Eddie iria”), que se tornou um símbolo de coragem, solidariedade e respeito ao oceano. A cerimônia de abertura do campeonato preserva essa tradição, reunindo familiares de Eddie Aikau, surfistas, líderes espirituais e membros da comunidade havaiana. O ritual inclui homenagens, bênçãos e um paddle out coletivo em Waimea Bay. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Convidados do Eddie Aikau Big Wave Invitational 2026/27 Aaron Gold (HAV)Annie Reickert (HAV)Ben Wilkinson (AUS)Billy Kemper (HAV)Bruce Irons (HAV)Chad Keaulana (HAV)Eala Stewart (HAV)Eli Olson (HAV)Emily Erickson (HAV)Ezekiel Lau (HAV)Felicity Palmateer (AUS)Grant Twiggy Baker (AFS)Ha’a Aikau (HAV)Ian Walsh (HAV)Jake Maki (HAV)Jamie Mitchell (AUS)Jamie O’Brien (HAV)Joey Cadiz (HAV)John John Florence (HAV)Kai Lenny (HAV)Koa Rothman (HAV)Landon McNamara (HAV)Luke Shepardson (HAV)Makua Rothman (HAV)Mark Healey (HAV)Mason Ho (HAV)Matahi Drollet (TAH)Nathan Florence (HAV)Paige Alms (HAV)Ross Clarke-Jones (AUS)Seth Moniz (HAV)Tom Lowe (ING) Suplentes masculinos (ordem de convocação) 1 – Torrey Meister (HAV)2 – Kala Grace (HAV)3 – Cliff Kapono (HAV)4 – Kaiwi Berry (HAV)5 – Russell Bierke (AUS)6 – Josh Moniz (HAV)7 – Tyler Larronde (HAV)8 – Ivan Florence (HAV)9 – Lucas Chumbo Chianca (BRA)10 – Tiger Doerner (HAV)11 – Mikey O’Shaughnessy (HAV)12 – Barron Mamiya (HAV)13 – Nic von Rupp (POR)14 – Francisco Porcella (HAV)15 – Mitch Sanborn (HAV)16 – Steve Roberson (HAV)17 – Kipp Caddy (AUS)18 – Koa Smith (HAV)19 – Isamu Sumi (JAP)20 – Jojo Roper (EUA) Suplentes femininas (ordem de convocação) 1 – Laura Enever (AUS)2 – Bianca Valenti (EUA)3 – Tiare Lawrence (HAV)4 – Makani Adric (HAV)5 – Justine Dupont (FRA) Os 11 campeões da história 1985 – Denton Miyamura (HAV)1986 – Clyde Aikau (HAV)1990 – Keone Downing (HAV)1999 – Noah Johnson (HAV)2001 – Ross Clarke-Jones (AUS)2002 – Kelly Slater (EUA)2004 – Bruce Irons (HAV)2009 – Greg Long (EUA)2016 – John John Florence (HAV)2023 – Luke Shepardson (HAV)2024 – Landon McNamara (HAV)

    Eddie Aikau Invitational divulga lista de 32 convidados para a temporada 2026/27 em Waimea Bay, no Havaí. Brasileiro Lucas Chumbo Chianca aparece entre os alternates.

    A estreia de Cloud 9 no Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL) pode acontecer em condições excepcionais, se as previsões se confirmarem. O Philippines Pro abre sua janela neste sábado (31), na ilha de Siargao, nas Filipinas, com previsão de ondas fortes e tubulares geradas pelo tufão In-fa, que atua no Pacífico, ao norte do arquipélago filipino. Clique aqui para assistir ao vivo A primeira chamada está marcada para as 20h30 desta sexta-feira (30), pelo horário de Brasília, quando já serão 7h30 de sábado nas Filipinas. A competição poderá começar meia hora depois, caso as condições sejam favoráveis. A janela segue até 10 de novembro. O tufão In-fa vem gerando ondulações de diferentes períodos e direções, com potencial para proporcionar dois pulsos de swell ao longo da primeira semana da etapa. A previsão aponta boas condições já no início da competição, seguidas por um segundo aumento mais expressivo entre terça (3) e quarta-feira (4). Tubos e ondulação em alta A expectativa é de ondas entre 1,2 e 1,5 metro de face na abertura, com aumento gradual ao longo do fim de semana. No domingo (1º), o swell de período mais longo deve favorecer a formação dos tubos que tornaram Cloud 9 mundialmente conhecida. Após uma redução temporária na segunda-feira (2), uma nova entrada de ondulação de nordeste deve ganhar força na terça (3). As maiores séries podem atingir aproximadamente 3 metros de face entre o fim de terça e as primeiras horas de quarta-feira (4). Apesar do tamanho, os dias de maior ondulação não necessariamente serão os melhores para os tubos. Cloud 9 costuma apresentar seu funcionamento mais clássico com ondas na faixa de 1,5 metro. Quando o mar cresce além disso, as ondas podem quebrar mais afastadas da bancada, reduzindo a frequência dos tubos mais profundos e constantes. O vento também será determinante. A previsão indica condições mais favoráveis no início da janela, com vento terral fraco e oportunidades de tubos limpos. Já na terça-feira, o vento maral de nordeste poderá comprometer a qualidade das ondas, justamente durante o pico da ondulação. Como a trajetória e a intensidade do tufão ainda podem mudar, a previsão permanece sujeita a alterações. Mesmo assim, o cenário é promissor para a estreia de Cloud 9 na elite mundial. Brasileiros disputam a liderança Além da expectativa pelas ondas, o Philippines Pro terá peso importante na corrida pelo título mundial de 2026. Penúltima das 12 etapas da temporada, a competição pode alterar a liderança do ranking antes da decisão em Pipeline, no Havaí. Atual campeão mundial e líder do ranking, Yago Dora chega às Filipinas com a lycra amarela e boas expectativas para sua primeira experiência em Cloud 9. O brasileiro ainda não encontrou a onda em suas melhores condições, mas já se mostrou impressionado com o potencial do pico. “É minha primeira vez aqui, mas já acho que pode se tornar um dos meus lugares favoritos. Chegamos há poucos dias, então ainda não vimos a onda em todo o seu potencial, mas dá para perceber o que ela pode oferecer. Sinto que é uma onda que combina com meu estilo de surfe, então estou confiante”, afirma Yago Dora. O brasileiro lidera o ranking, seguido por Italo Ferreira, em segundo, Griffin Colapinto, em terceiro, Gabriel Medina, em quarto, e Miguel Pupo, em quinto. O italiano Leonardo Fioravanti ocupa a sexta posição e também tem chances de assumir a liderança. O resultado nas Filipinas será especialmente importante porque a última etapa, em Pipeline, distribuirá pontuação 50% maior que as anteriores. Uma vitória em Cloud 9 vale 10 mil pontos, enquanto o campeão no Havaí receberá 15 mil. Yago fará sua estreia diretamente no Round 2, assim como Italo Ferreira, Miguel Pupo e Gabriel Medina. Filipe Toledo, João Chianca e Samuel Pupo começam a disputa no Round 1. Entre as mulheres, Luana Silva será a única representante brasileira. Atual sétima colocada do ranking, ela enfrenta a havaiana Bettylou Sakura Johnson na primeira rodada. Filipe Toledo busca resultado Bicampeão mundial, Filipe Toledo já demonstrou bom desempenho nos treinos e não esconde o entusiasmo com a estreia em Siargao. O brasileiro destacou a qualidade da onda, a receptividade dos moradores e a possibilidade de proporcionar um espetáculo ao público. Segundo Filipe, os atletas chegaram a brincar sobre a quantidade de notas 10 que poderiam surgir durante a competição, diante do potencial de Cloud 9. O brasileiro também falou abertamente sobre as dificuldades enfrentadas nesta temporada. Depois de muitos anos no circuito, reconheceu que nem sempre é fácil encontrar motivação, especialmente diante dos resultados abaixo das expectativas. A descoberta de um pico como Cloud 9, porém, trouxe um novo estímulo. “Lugares como este reacendem a chama em mim”, afirma Filipe, em declaração na coletiva de imprensa. Estrelas e convidados locais A estreia do CT em Siargao também reúne alguns dos maiores nomes do surfe mundial, como os atuais campeões Yago Dora e Molly Picklum, além de Filipe Toledo, Gabriel Medina, Caroline Marks e Carissa Moore. Os convidados locais prometem dificultar a vida dos favoritos. O filipino John Mark Tokong, especialista em Cloud 9, venceu quatro competições em nove participações no pico e enfrentará Samuel Pupo na primeira rodada. Outro destaque é o indonésio Bronson Meydi, convocado para substituir o lesionado Jake Marshall. Conhecido por seu repertório de manobras e tubos, ele estreia contra o australiano Jack Robinson. Na chave feminina, a australiana Sierra Kerr, já classificada para o CT de 2027, enfrenta a pentacampeã mundial Carissa Moore. Baterias do Philippines Pro Round 1 Masculino 1 – Connor O’Leary (JAP) x Callum Robson (AUS)2 – Marco Mignot (FRA) x Seth Moniz (HAV)3 – Cole Houshmand (EUA) x Filipe Toledo (BRA)4 – Liam O’Brien (AUS) x João Chianca (BRA)5 – Jack Robinson (AUS) x Bronson Meydi (IND)6 – George Pittar (AUS) x Noah Arkfeld (FIL)7 – Samuel Pupo (BRA) x John Mark Tokong (FIL)8 – Kauli Vaast (FRA) x Jayuard Alciso (FIL) Round 2 Masculino 1 – Italo Ferreira (BRA) x Marco Mignot (FRA) ou Seth Moniz (HAV)2 –

    Philippines Pro abre janela nas Filipinas, com previsão de ondas de até 3 metros impulsionadas pelo tufão In-fa. Confira ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    O surfe brasileiro se despede de um de seus personagens mais originais. Dávio Correia Figueiredo, o Dadá Figueiredo, morreu no último sábado (24), aos 61 anos, deixando um legado que ultrapassa as conquistas nas competições. O carioca ajudou a transformar não apenas a maneira de surfar, mas também o comportamento e a identidade de uma geração. Segundo informações de amigos próximos e familiares, Dadá estava internado para tratar uma infecção pulmonar. Reportagens posteriores apontaram complicações de uma pneumonia, mas detalhes médicos sobre as circunstâncias da morte não foram oficialmente esclarecidos. Rebelde, provocador e dono de um estilo explosivo, Dadá surgiu em uma época em que o surfe brasileiro ainda construía sua identidade competitiva. Nas décadas de 1980 e 1990, suas batidas verticais, rasgadas potentes e manobras inspiradas no skate surpreendiam o público e, muitas vezes, os próprios juízes. Enquanto muitos surfistas seguiam linhas tradicionais, Dadá buscava explorar os limites das ondas. Sua postura radical e sua personalidade irreverente fizeram dele uma referência dentro e fora da água. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Um revolucionário nas ondas Nascido no Rio de Janeiro, Dadá cresceu na Tijuca e desenvolveu uma ligação intensa com o skate antes de transportar parte dessa influência para o mar. A combinação de velocidade, explosão e movimentos verticais ajudou a antecipar características que se tornariam comuns no surfe profissional anos depois. Em janeiro de 2005, o jornalista Fabrício Fernandes publicou no Waves a reportagem “Dadá, o anti-moda”, um retrato de sua personalidade e de sua importância para o esporte. Na matéria, Fernandes descreveu como Dadá executava manobras que só ganhariam espaço no circuito mundial anos depois, citando movimentos como laybacks, re-entries e off-the-tops verticais. O jornalista também apontou sua influência sobre surfistas como Neco Padaratz, Léo Neves, Binho Nunes e Raoni Monteiro, representantes de uma geração que ajudou a consolidar o surfe brasileiro no cenário internacional. Dadá era uma atração à parte nos campeonatos. Sua presença nas baterias despertava expectativa entre os espectadores, que acompanhavam suas manobras com entusiasmo, mesmo quando o julgamento não refletia o impacto de suas apresentações. O carioca conquistou o título estadual em 1989 e venceu o Sea Club Final Heat, realizado em Saquarema, no mesmo ano. Em 1993, foi escolhido pelos leitores de uma revista especializada como o melhor freesurfer do Brasil, reconhecimento que demonstrava sua popularidade para além das competições. Embora nunca tenha conquistado o título brasileiro profissional, esteve durante cinco temporadas consecutivas entre os 16 melhores do ranking da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional). A final histórica contra Picuruta Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira aconteceu em maio de 1988, durante a final do Niasi/Tribuna FM, disputada no Canto do Maluf, na praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Dadá enfrentou Picuruta Salazar em uma bateria marcada por manobras radicais e uma decisão apertada dos cinco juízes. O santista venceu por 3 a 2, mas o resultado provocou discussões sobre os critérios de julgamento. Décadas depois, em março de 2023, o jornalista e editor Alceu Toledo Junior recuperou a história na reportagem “Picuruta 3 X 2 Dadá”, publicada no Waves. Alceu, que acompanhou a bateria da areia, contou que o equilíbrio entre os dois surfistas era tão grande que considerava o empate um resultado justo. Seu relato destaca a potência das manobras de Picuruta e a capacidade de Dadá de aproveitar as ondas desde o outside até a beira. A reportagem inclui imagens da final e preserva um capítulo importante da história do surfe brasileiro, contado por quem testemunhou a disputa. Punk, anti-moda e contracultura Fora da água, Dadá também desafiava convenções. Influenciado pelo punk rock e pelo hardcore, adotou uma estética que contrastava com o visual tradicional do universo do surfe. Cabelos ousados, roupas escuras, atitudes provocadoras e críticas ao comportamento da indústria fizeram parte de sua identidade. Dadá rejeitava padrões e fazia questão de demonstrar sua independência. Essa personalidade também se manifestou na música. Foi baixista da banda punk Os Normais e participou da criação de marcas como Anti-Fashion e Necrose Social, levando sua visão alternativa para o vestuário. Em um período de crescente profissionalização do surfe, Dadá representava uma forma diferente de viver o esporte. Suas atitudes despertavam admiração e controvérsia, mas dificilmente passavam despercebidas. Seu impacto também chegou aos novos talentos. Alexandre Almeida, o Dadazinho, recebeu uma prancha de Dadá no início da carreira e adotou o apelido em homenagem ao ídolo. O episódio foi registrado pelo Waves na reportagem “Dadazinho Almeida busca o bi no Carioca 2004”. Os desafios e a reconstrução A trajetória de Dadá também foi marcada por períodos difíceis. O abuso de álcool e drogas comprometeu sua carreira e trouxe consequências pessoais e profissionais. O próprio surfista falou abertamente sobre esses episódios em entrevistas, reconhecendo que a dependência química prejudicou seu desempenho nas competições e afastou oportunidades importantes. Em maio de 2003, o jornalista Fernando Gaspar publicou no Waves a reportagem “A luz no fim do tubo”, que acompanhou uma fase de reconstrução da vida de Dadá. O texto apresentou depoimentos sobre sua recuperação, a importância do apoio familiar e sua aproximação com a religião evangélica, que se tornou parte fundamental de sua vida. Na época, Dadá havia criado uma escola de surfe na Barra da Tijuca, com apoio de integrantes da igreja Sara Nossa Terra. O projeto começou com algumas pranchas e, segundo a reportagem de 2003, chegou a reunir cerca de 300 alunos e 12 professores. O mesmo espírito de liderança que havia marcado sua carreira competitiva passou a encontrar espaço no ensino do esporte e no trabalho com jovens. Em junho de 2007, a jornalista Monique Arruda voltou a contar parte dessa trajetória na reportagem “Dadá no comando”, quando ele assumiu a vice-presidência da Associação de Surf da Barra da Tijuca, entidade da qual havia sido um dos fundadores. Dadá defendia a valorização dos veteranos e o retorno das categorias Master aos campeonatos. Para ele, preservar a memória dos pioneiros era uma maneira de aproximar as novas gerações da história do surfe.

    Pioneiro do surf progressivo e símbolo da contracultura, carioca Dadá Figueiredo morreu no último sábado (24), ao enfrentar uma pneumonia. Sua trajetória foi marcada por talento, rebeldia e superação.

    O Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS) recebe, a partir das 15h deste sábado (31), o primeiro encontro do Naborda Film Festival – Melhores do Ano 2026. A abertura terá uma exposição com 60 fotografias de surfe produzidas por profissionais de diferentes regiões do Brasil, além de sessões de curtas-metragens documentais, exposição de pranchas e apresentações musicais. Idealizado por Bruno Espósito e Dêmi Viola, o festival promove três meses de atividades dedicadas à cultura do surfe e do oceano, reunindo fotógrafos, cineastas, artistas e apaixonados pelo esporte. A proposta é dar visibilidade à produção artística ligada ao mar e reconhecer os melhores trabalhos do ano. A edição de 2026 contará com quatro encontros em diferentes espaços culturais de Santos. Cada etapa dará destaque a uma linguagem artística, começando pela fotografia em outubro, passando pelas artes visuais em novembro e chegando ao cinema em dezembro. Programação do Naborda 2026 31 de outubro – Fotografia: A abertura acontece no MISS, localizado no térreo do Teatro Municipal Brás Cubas, com exposição de 60 fotografias de surfe, exibição de curtas-metragens, mostra de pranchas e música ao vivo. 29 de novembro – Artes: O Cine Arte Posto 4, cinema localizado em frente ao mar, recebe uma exposição com trabalhos dos artistas inscritos, além de sessões de curtas, mostra de pranchas e apresentações musicais. 11 de dezembro – Curtas-metragens: O Cine Roxy será palco da exibição dos filmes finalistas em uma tela de 15 metros, acompanhada de exposições de fotografia e artes no hall do cinema. 12 de dezembro – Premiação: O encerramento acontece na Frontaria Azulejada, com a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das diferentes categorias, exposições e apresentações musicais. O Naborda Film Festival é apresentado pela Cerveja Praya, com patrocínio da South to South e Surfmappers. O evento conta com apoio do Waves, RTL FM – A Rádio Rock, Empório Bolshoi, Óculos Mandalla, Future Fins, Fuwax, Arakawa, Santa Areia Beachwear, Instituto Ecosurf e Prefeitura Municipal de Santos. Serviço – Abertura do Naborda Film Festival 2026 Data: 31 de outubro (sábado) Horário: a partir das 15h Local: Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), Teatro Municipal Brás Cubas, Santos (SP) Entrada: gratuita Instagram: @naborda_film_festival Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Naborda (@naborda_film_festival)

    Naborda Film Festival começa neste sábado (31), em Santos (SP), com entrada gratuita, exposições de fotografia, filmes e música ao vivo; programação segue até dezembro.

    Das praias ancestrais da Polinésia aos campeonatos que movimentam milhões de fãs ao redor do mundo, o surfe percorreu um longo caminho até se consolidar como um dos esportes mais populares da atualidade. No Brasil, a modalidade vive um momento de expansão impulsionado por conquistas internacionais, pelo surgimento de novos talentos e por investimentos que contribuem para o fortalecimento de toda a cadeia esportiva. Embora hoje seja um esporte global, foi no Havaí que o surfe ganhou maior notoriedade e passou a ser difundido para o restante do mundo a partir do início do século XX. A modalidade, no Brasil, começou a se popularizar entre as décadas de 1960 e 1970 e, desde então, passou por uma evolução que transformou o país em uma das principais potências da modalidade. Ao longo dos anos, o país revelou atletas capazes de conquistar títulos nas maiores competições do mundo, consolidando o movimento conhecido como “Brazilian Storm”, geração que projetou o país no circuito internacional e inspirou uma nova leva de praticantes. Dados da World Surf League (WSL) mostram que a temporada de 2025 alcançou 80 milhões de espectadores em plataformas lineares e digitais, um crescimento de 39% em relação ao ano anterior. E em 2026 os números também reforçam a consolidação do surfe profissional como um produto esportivo de alcance global. Apenas na etapa de abertura do Championship Tour, em Bells Beach, o Brasil respondeu por 43% da audiência ao vivo nos canais próprios da liga durante o Finals Day, mesmo com o fuso horário desfavorável. Os resultados acompanham uma tendência de crescimento da modalidade em escala internacional. Os títulos conquistados por atletas brasileiros refletem em como essa maré de vitória influencia no consumo do público ao surfe, posicionando cada vez mais a modalidade no mainstream esportivo. Em maio deste ano, por exemplo, Italo Ferreira conquistou o título da etapa em Raglan, na Nova Zelândia, válida pelo Championship Tour (CT) da WSL, reforçando o protagonismo brasileiro no circuito mundial e mantendo o país entre os principais candidatos aos títulos da temporada. Já Tatiana Weston-Webb, um dos principais destaques no surfe feminino, segue em uma crescente significativa. Em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, a atleta voltou com uma medalha de prata no peito e sagrou-se a primeira brasileira a receber uma medalha olímpica na modalidade. “O surfe mudou bastante e continua mudando. Atualmente as mulheres têm muito mais espaço, visibilidade e respeito dentro do esporte. Temos mulheres competindo nos mesmos palcos, com a mesma premiação, e mostrando cada vez mais que podemos estar em ondas grandes e competir em alto nível. Isso é muito importante”, explica a atleta Tatiana Weston-Webb. Nesse cenário, o apoio do Banco do Brasil tem sido um dos pilares para a evolução da modalidade no país. O BB é um dos parceiros que impulsionam esse movimento ao patrocinar atletas de destaque no circuito mundial, como Luana Silva, Tatiana Weston-Webb e Italo Ferreira, além de apoiar ações voltadas ao desenvolvimento do esporte e ao incentivo de surfistas que estão iniciando suas trajetórias nas competições. “O sucesso do surfe brasileiro é resultado de talento, dedicação e da construção de um ecossistema cada vez mais forte. O apoio de marcas, entidades esportivas e parceiros tem papel importante nesse processo, criando condições para que atletas possam se desenvolver e competir em alto nível. O Banco do Brasil acredita no esporte como ferramenta de transformação e vê no surfe uma modalidade capaz de gerar impacto positivo, promover inclusão, inspirar pessoas e fortalecer comunidades. Por isso, buscamos contribuir para o crescimento sustentável do esporte em diferentes frentes, do incentivo a atletas à realização de competições que ajudam a ampliar o alcance da modalidade no país”, afirma Larissa Novais, diretora de marketing e comunicação do Banco do Brasil. Para a empresa, investir no surfe significa contribuir para o desenvolvimento de um esporte que reúne valores como superação, disciplina, conexão com a natureza e inclusão. Além do apoio aos atletas profissionais, a marca busca incentivar a formação de novos talentos e fortalecer a comunidade do surfe brasileiro. Na Onda Com BB Mastercard Além do patrocínio aos atletas, o Banco do Brasil incentiva o público a consumir o esporte por meio de campanhas. Na promoção vigente, em parceiria com a Mastercard, o consumidor concorre a uma viagem para acompanhar a etapa de Pipeline, no Havaí, durante o Championship Tour da World Surf League (WSL), em dezembro de 2026 e a ida a uma etapa do CT 2027 que será revelada após a divulgação do calendário oficial da WSL. O regulamento completo da campanha, critérios de participação e demais informações estarão disponíveis na página oficial da campanha.

    Ascensão da Brazilian Storm marca uma nova era para modalidade e mostra como o incentivo ao esporte é fundamental para ampliar oportunidades dentro e fora das competições.

    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.