Axé e acarajé temperam mundial

O Billabong Girls Pro Itacaré promete agitar a Bahia neste mês.

 

Na próxima quinta-feira, começa a etapa do WQS, que rola até o dia 20 e tem nível 5 estrelas.

 

Em seguida, é a vez da prova do WCT, com janela de espera até dia 28, e que há muito tempo não rola aqui ? a última foi em 1999.

 

Durante estes dias, o Brasil terá a chance de ver novamente o melhor do surf feminino mundial. Não me refiro apenas ao show da elite, mas também à divisão de acesso.

 

Elas serão a elite de amanhã. Muita gente boa  luta e trabalha duro para chegar lá. São meninas novas, com surf de alto nível, moderno e com sede de entrar para o WCT.

 

A competição também terá a participação de diversas brasileiras como Cláudia Gonçalves, que acaba de faturar sua primeira etapa no WQS na Inglaterra.

 

Que esta vitória sirva de ânimo para todas as brasileiras que competirão em Itacaré. Foram seis anos de jejum do WCT feminino e muita coisa mudou de lá pra cá. As competidoras não são mais as mesmas.

 

O surf evolui, está mais radical, incorporou novas manobras. Vieram as ondas mais violentas nas competições, como Teahupoo, que exige mais das meninas. Não basta ser boa num tipo de onda, é preciso ter um repertório amplo, facilidade na adaptação e técnica. Sem falar na coragem!

 

Agora, tudo estará reunido aqui, daqui a poucos dias. Acho que o fato de ter esta etapa no Brasil ajuda muito na evolução do surf feminino brasileiro. É importante ter referência!

 

Lembro de ter competido no Mundial Amador na Inglaterra, logo após ganhar uma etapa nacional importante. Pensava estar superbem para o mundial. Na verdade, ninguém da nossa equipe sabia qual era o nível do surf feminino no exterior. Essa viagem marcou nossa estréia como time em competições internacionais.

 

Lá, vi que faltava evoluir, mas competir e estar junto às melhores me ajudou muito. Compreendi onde tinha que chegar e o que deveria fazer para isso. Da mesma forma, esta etapa é importante para todas as atletas brasileiras, servindo de referência e mostrando o que é surf de alto nível.

 

Outro fato importante é que este evento não está ligado ao masculino. Com isso, a atenção será toda das garotas. Por outro lado, nós também temos o que oferecer para as estrangeiras que estarão aqui pela primeira vez.

 

Nada mais acertado do que a escolha de Itacaré para realizar este evento. O pico é considerado uma verdadeira surf city, com praias lindas, ondas e o mais importante: a cidade inteira te acolhe.

 

Todos fazem questão de receber bem seus visitantes, principalmente se for num campeonato de surf. Sem falar no que a organização está preparando para receber a galera com baladas, shows e muito surf.

 

Estive lá no ano passado durante a etapa do Petrobras Feminino e fiquei maravilhada com o que vi. Clique aqui e confira a reportagem que produzi na ocasião.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)