HB Team

Atletas analisam Teahupoo

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A temida “Praia dos crãnios quebrados”, Teahupoo, Tahiti. Foto: Media.livethelife.tv

Você que curte entubar, imagina um tubo onde qualquer escorregada pode ser fatal. Você que curte ondas grandes, imagina um lip capaz de quebrar uma costela. Você que curte águas cristalinas e corais, imagina um fundo desses passando bem debaixo de sua prancha em alta velocidade. Essas características definem a onda de Teahupoo, no Tahiti, cenário da sétima etapa da World Surf League. Está pronto para a adrenalina?

O clima agora começa a ficar sério para os Tops com uma das etapas mais aguardadas do Tour.

A formação está pequena no primeiro dia. Até sábado, Teahupoo deve começar a assumir sua real forma. Os confrontos do round 1 já estão definidos.

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(da esq. para dir) – HB Team: Alemão de Maresias, Serginho Laus, Samuel Pupo e Fernando Fanta analisam Teahupoo.

Agora, mudando um pouco de foco, o time de surfistas da HB contam com os mais variados estilos, repertório, modalidades e épocas do esporte. Serginho Laus já desafiou inúmeras ondas de maré ao redor do mundo. Fernando Fanta preza pela essência, representa o freesurf. Samuel Pupo é visto como a maior promessa brasileira do momento. E Alemão de Maresias vem de outros tempos do surf e já desafiou algumas das bombas mais sinistras do mundo.

Pensando no nível técnico e diferencial desses caras, incentivamos cada um a fazer sua própria análise de Teahupoo. Para começar, conversamos um pouco sobre leitura de onda. Serginho Laus nunca esteve lá, mas sabe muito bem do que se trata:

“Eu nunca fui pra Teahupoo, mas, pelo que conheço da onda, pelos amigos que já me falaram de lá, pelas imagens, pela leitura e conhecimento de mar, digo que é uma onda extremamente forte. Ela oferece muitos perigos.  Tem que ter experiência pra poder encarar certas condições ali. Lógico que, quando está pequeno, as condições se adaptam à galera intermediária, mas no tamanho mediano-alto, aí exige muita experiência. Tem que conhecer muito bem o pico também, já que é uma formação totalmente peculiar. É uma onda que intimida a pessoa. Você tem que ir com bastante respeito e conhecimento do que vai fazer. Qualquer vacilo ali pode ser fatal.”

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Teahupoo quando tem tamanho, é outra coisa. Foto: Tim McKeena

 

Fanta também nunca esteve por lá, mas contou que já estudou bastante a onda. Como mantém contato com amigos que conhecem Teahupoo, ele sabe muito bem a magnitude do desafio. O freesurfer explica:

“Acho que a onda de Teahupoo pode ser considerada uma das mais desafiadoras para qualquer surfista. Pelo seu grau de dificuldade e por sua intensidade, ela impõe claramente o limite de cada um. Infelizmente, nunca fui ao Tahiti, mas já estudei muito essa onda. As informações de amigos podem até ajudar um pouco também, mas, quando se está de cara com aquele line-up, o buraco é bem mais em baixo. É uma onda difícil, que quebra numa bancada muito rasa e, para surfar lá, acredito que é preciso muita remada, posicionamento estratégico e atitude pra car#$*.”

Samuca, o mais novo do time, já botou seu surf à prova em Teahupoo. No ano passado, durante o Pro Tahiti 2014, o caçula da família Pupo teve a chance de acompanhar o irmão mais velho na etapa. E é claro que ele pode nos falar melhor sobre isso:

“Teahupoo é uma onda muito perigosa e, ao mesmo tempo, muito difícil de surfar, por ser uma onda muito cavada e rápida. Acho que nessa onda, os surfistas que são da base goofy têm muita vantagem. Eu fiz uma viagem pra lá no ano passado. Geralmente, eu já dropava a onda grudado, pra não ter que cavar. Isso iria demorar um pouco… Então, eu já procurava dropar a onda bem grudado na parede, pra pegar a primeira seção e sair realmente bem antes de a onda fechar. Afinal, no fim da onda, tudo seca e fica uma junção. Acho que ninguém quer chegar naquela parte da onda (risos).”

Alemão de Maresias foi curto e grosso na análise. Como sempre, trouxe à tona o valor do bom e velho empenho no mundo do surf, principalmente em ondas pesadas. O local de Maresias afirma:

“Teahupoo é uma das ondas mais sinistras do mundo. E não é por acaso. Para dropar, é preciso muita atitude e técnica. É uma onda de alta performance”, comenta.

“Para pontuar, o atleta precisa de duas coisas: escolher bem a onda; e ficar o mais profundo possível no tubo.”, diz Alemão, em relação à pontuação nas baterias da etapa.

Parece mais simples na teoria, mas na prática, a coisa é bem diferente. Ainda sobre como alcançar notas altas, Samuca, que já acompanhou a etapa de perto, resumiu de forma bem direta o que precisa ser feito: “ter atitude e vir na bomba”.

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Kelly Slater, surfista com o backside mais poderoso no pico. Foto: © WSL / Will Hayden-Smith

Veja a resposta completa do caçula do HB Team:

“Teahupoo é uma onda muito rasa. Então, acho que a melhor coisa a se fazer é pegar as ondas da série, por elas virem mais atrás e não quebrarem tanto na bancada. Aí, tem que ficar o mais ‘deep’ possível. Acho que é isso que os juízes procuram ali: atitude e vir na bomba.”

Fanta fez uma boa análise da conduta atual dos juízes da WSL. O freesurfer levantou alguns dos principais atributos valorizados pelos juízes. Se o mar estiver um pouco menor, a coisa deve funcionar bem assim:

“Hoje em dia, o que os juízes gostam e valorizam são as manobras em que os atletas usam a borda da prancha com pressão, velocidade e harmonia no movimento. Os aéreos, com a evolução absurda dos surfistas, se tornaram uma arma forte e que vem definindo muitos resultados nos eventos.”

O problema é que, quando Teahupoo apresenta condições extremas, rasgadas e aéreos são movimentos arriscados e não aconselhados para quem quer sair da bateria com os ossos intactos. Assim, se o mar cresce, o atleta precisa focar no tubo. Pra ficar mais claro, veja nas palavras de Serginho Laus:

“O único jeito do cara se dar bem em Teahupoo é pegando o tubão da vida. Só tubo! Quando tem manobra, significa que tá pequeno. Aí, ainda não está nas condições de “Teahupoo de verdade”. Naquela final histórica que rolou no ano passado, que o Medina ganhou, era só tubão! E os caras que estavam entubando melhor eram John John, Kelly Slater e Medina. Então, os três é que foram mais longe. Ali é tubo. Quem quiser ganhar tem que ser um exímio tuberider, sem bater prancha, só numa linha, drop esticado, no limite, no zero, botando lá dentro, vindo um pouco foam ball e saíndo na segunda baforada. Aí, ganhou o campeonato (risos).”

Outro fator crucial a ser levado em conta é o adversário. Nas respostas anteriores de Laus e Samuca, já ficou bem claro que goofy footers apresentam uma considerável vantagem. Seguindo essa ideia, nosso especialista em ondas de maré. Serginho Laus indicou Owen Wright e Gabriel Medina como os favoritos.

“Essa etapa é difícil dizer. O circuito tem excelentes tube riders. Acho que Kelly Slater, John John, Owen Wright, Medina e Jadson são os principais. Mineiro tá se superando cada vez mais no backside, mas essa é uma onda mais pra quem não é regular. O backside tem que ser muito tubular ali. Aí, tem que ser o E.T (Kelly), né? O E.T é punk ali! O backside mais poderoso ali é o do E.T. Então, vai favorecer muito os goofys. Owen e Medina são dois caras que tão bem à frente. Os únicos regulares se destacando aí são John John e Kelly Slater. Se for pra falar dois regulares e dois goofys, são esses os nomes.”

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Defensor do título, Gabriel Medina chega ao pico em condições diferentes do ano passado, quando brigava pelo título mundial. Foto: © ASP / Kirstin

A abordagem de Fanta sobre os adversários já foi diferente. O freesurfer afirma que qualquer competidor do Tour apresenta perigo e tem capacidade de chegar lá. Porém, destacou a entrada de Bruno Santos pelas triagens da etapa, o que faz toda a diferença, caso o mar esteja grande:

“Eu acredito que todos os competidores do WT são perigosos. O que diferencia cada um, na minha opinião, é a experiência. Além, claro, das condições do mar durante o evento. Se o mar subir, por exemplo, podemos citar alguns favoritos à vitória, como John John Florence, Kelly Slater e Bruno Santos, que ficou em segundo no Trials e vai participar do evento principal. Já com o mar baixo, o jogo fica mais aberto e qualquer um pode surpreender.”

O fato é que é muito difícil apontar os adversários mais perigosos em condições como as de Teahupoo em seu nível extremo. Às vezes, o melhor que o surfista tem a fazer é esquecer o adversário e focar unicamente na formação e seus atributos. Segundo Alemão de Maresias, a onda e a bancada vêm em primeiro lugar:

“Os adversários mais perigosos ali são a onda, a bancada e só depois seu oponente na bateria. Isso vale pra todos. Achar a onda certa, rezar para não bater no fundo e fazer o melhor para superar seu adversário dentro do tempo de bateria. Desejo boa sorte a Miguel Pupo e os demais brazucas!”

Todo mundo torce e espera que Samuel Pupo esteja lá, em breve, competindo entre os Pros, porém, imagina a hipótese de terem ligado pro cara essa semana, convidando-o para participar do Pro Tahiti 2015. Nesse caso, Samuca conta que não pensaria duas vezes:

“Eu iria ficar muito feliz por eles me convidarem, mas acho que é uma onda muito difícil. E pra mim que estou começando, só fui uma vez pra lá, ia ser muito difícil passar algumas baterias. Acho que iria competir, sim. Com certeza! Mas ia mais pra me divertir e pegar as melhores ondas.”

Deu pra ter uma ideia da magnitude do evento que está por vir? Este ano, a briga entre brazucas e aussies pela liderança do Tour está ainda mais acirrada e essa é a etapa que pode começar a decidir tudo, como foi com Medina, no ano passado.

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Bruninho conhece como poucos a onda de Teahupoo, Tahiti. Foto: Reprodução

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