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O Havaí é aqui

Por Antonio Bonfá 

O downwind está pro SUP assim como o tubo está pro surfe. No SUP de travessia o downwind é o momento mágico do esporte, deslizar numa vaga oceânica é o clímax. O termo usado na navegação e nos esportes a vela costuma ser aplicado para definir uma condição favorável e desejada pelos homens do mar nas travessias mundo afora. No bom português, é o famoso vento em popa, condição em que o vento bate na popa do barco ou na rabeta da prancha e, reforçado pela  energia das ondas, gera o surfe em mar aberto. Quanto maior a intensidade do vento, melhor.

E se além do vento houver ondulação vindo no mesmo sentido, melhor ainda. A condição tradicional de downwind deixa o mar balançado e pouco convidativo aos menos experientes.

É aí que a brincadeira começa.

É sabido que o lugar que melhor reúne essas condições no mundo é a ilha de Maui, no Havaí.

A temporada anual de ventos por lá começa em Maio e vai até Outubro.

Existem rotas oceânicas em Maui que ligam um ponto a outro com ventos e ondulação a favor durante quase todos os dias da temporada.

Desde 2007 o arquipélago Havaiano vem recebendo um seleto grupo de atletas de elite brasileiros interessados em se desenvolver e evoluir nessas condições, seja de canoa havaiana ou de stand up paddle.

A brincadeira é cara e demanda grana, um bom planejamento, e treino, muito treino. E pouco adianta a parte física estar em dia se a técnica não está apurada.

Pra reforçar, uma travessia entre ilhas, como Maui a Molokai (28 milhas) ou Molokai a Oahu (32 milhas), tem muitos detalhes que vão além das questões técnicas e física.

O fato é que o Brasil tem um potencial enorme ainda pouco explorado para a modalidade.

É bem verdade que nunca teremos condições similares às havaianas mas já algum tempo vimos estudando rotas que recebem essas condições por aqui e que seguramente podem servir como raia de treino para os desafios mais exigentes da temporada no hemisfério norte.

Algumas investidas, ainda tímidas, vem sendo realizadas no Ceará (a região no NE é tida como uma das melhores do mundo), na região do lagos no RJ entre Buzios e Cabo Frio, e também em Santa Catarina, caracterizada por fortes ventos de origem sul e nordeste e potentes ondulações.

Porém nessa última sexta feira dia 05.09 o ovo parou em pé e um paradigma foi quebrado inaugurando um novo e decisivo ciclo na história do stand-up paddle brasileiro.

A notícia quente: o downwind no seu aspecto mais clássico foi transformado em produto comercial e está a disposição dos remadores a apenas duas horas de São Paulo. O SUPCLUB esteve lá e conferiu.

Durante a semana o recebemos a ligação do pessoal do Padddle Club Ilhabela, uma base de canoa e SUP de alto padrão instalada dentro da Marina Porto Ilhabela comandada pelo experiente capitão Marcos Moller e gerenciada por Marcelo Dias, nos convidando para um teste/desafio. Avisaram que o projeto estava pronto e as condições estariam super favoráveis, com swell e ventos certos e embarcação preparada. Reunimos um time experiente e descemos a serra.

Marcos Moller, o nosso capitão, entre outras, já atravessou o  canal de Ka’iwi e é um experiente waterman. Marcelo Dias, competente remador, é instrutor de kitesurf há 13 anos e conhece cada centímetro de vento e corrente por ali.

Conosco, além de Marcos e Marcelo, estava um time de peso do SUP brasileiro: Luciana Moller, Isttefany Morais, Paulão e Guilherme dos Reis, Luis Carlos Guida – o Animal, Rafael Leão, Alexandre Levorin e Claudio Chain.

O projeto da Marina Porto Ilhabela, que já está disponível e em operação, consiste em levar os remadores mar afora (de acordo com as condições de swell, leste ou sul, os predominantes na Ilha) e deixa-los no ponto de descida a favor do vento em cada uma dessas rotas cuidadosamente estudadas contando com acompanhamento de barco de apoio e suporte de captação de imagens através de fotos e vídeos. Tipo um sonho mesmo. As rotas variam entre 10 a 20km de acordo com as condições predominantes e o nível dos atletas.

Novas iniciativas para promoção e evolução desse projeto já estão em curso.

Sobre a qualidade das condições, pegamos altas ondas o tempo todo e a impressão deixada é que temos uma raia de treino que não deve nada as melhores.

Um ponto importante, testamos e aprovamos pranchas acima dos 14 pés, como uma 17,4’’ com leme que outrora era tida como grande demais para as condições locais (devido ao período mais curto das ondulações que atingem a costa brasileira) e novamente mais um tabu foi por água abaixo.

A prancha funciona muito bem, independente de um mar picado com vagas entrando em período de 07 segundos ou em swells mais potentes com período de 12 a 15 segundos, em qualquer situação se desenvolve de forma supreendente oferecendo maior estabilidade e desempenho nos bumps e  ondulações.

Vale conferir as fotos e vídeos. O que dá pra garantir, é que a condição ali presenciada não é excessão, rola direto.

O Havaí é aqui. Vai lá:

www.paddleclub.com.br

[email protected]

(12) 991391555

www.marinaportoilhabela.com.br

 

 

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