Depois de arrancar a primeira nota 10 do Quiksilver Pro Gold Coast, o potiguar Italo Ferreira voltou a aprontar em Snapper Rocks e bateu o compatriota Caio Ibelli na terceira fase, iniciada nesta sexta-feira, em boas ondas de 1 metro e séries pouco maiores.
Italo abriu a batalha com uma nota 9.77, fez um 4.00 e teve muita dificuldade para trocar a sua segunda melhor nota. Só conseguiu na última onda, quando fez 4.83.
Ibelli, que também vinha de uma brilhante performance na repescagem – totalizando 16.80 pontos -, ameaçou bastante Italo com 5.77 e 7.50, mas saiu da água precisando de 7.11 para virar o placar.
Antes de bater Caio, o potiguar falou sobre o show na repescagem. “Peguei algumas boas ondas para começar a bateria e queria dar o meu melhor e crescer a cada onda”, explica Italo. “Aquele 10 foi provavelmente a melhor onda da minha vida e certamente me dá confiança. É divertido tentar novas coisas nas baterias e é incrível quando isso leva a um 10 numa bateria do CT”, falou o potiguar.
Outro brasileiro que já está garantido no round 4 é Adriano de Souza. Sempre muito competitivo, Adriano comandou as ações com 7.33 e 7.60, contra 6.00 e 6.07 do australiano Stuart Kennedy.
“Snapper é um lugar muito especial para mim”, falou Adriano. “Depois que eu ganhei o título no Pro Junior em Narrabeen, vim aqui para surfar, então tenho uma boa relação com o pico e muitas lembranças. Foi sinistro enfrentar Stuart Kennedy. Ele é um animal numa competição e foi uma grande batalha. A multidão brasileira que me segue aqui dá um apoio incrível. Tenho muita sorte”, comemora o brazuca.
Já Miguel Pupo e Jadson André foram eliminados. Na abertura da terceira fase, Jadson chegou a descolar a melhor nota da bateria em sua última onda, com 7.37, mas o californiano Kolohe Andino, que já liderava com 6.67 e 7.00, sacramentou sua vitória com 6.87.
“Estou amarradão por passar essa bateria contra Jadson. Ele é um adversário que incendeia“, disse Andino. “O swell começou a diminuir nas baterias femininas, por isso ficou muito lento lá fora. Eu sabia que tinha que pegar as ondas com uma parede. Embora a ondulação esteja caindo, ainda está perfeita”, analisou Kolohe.
Pupo, por sua vez, foi eliminado por um inspirado Joel Parkinson. O experiente australiano mostrou todo o seu conhecimento do pico e deu um show em Snapper Rocks com 9.67 e 7.57 nas duas melhores ondas, dando-se ao luxo de descartar 7.00, 5.83, 6.97 e 6.73.
Pupo bem que tentou, mas suas notas 6.57 e 6.97 não foram o bastante para tirá-lo da “combinação”.
“O round 3 às vezes é uma pedra no meu caminho, mas me saí bem”, comentou Parko. “Depois da estranha chuva, as coisas começaram a fluir. Snapper e eu temos um relacionamento mútuo. Eu adoro surfar aqui e o pico provou que também me ama. No round 4 não há pressão e só quero vencer as minhas baterias”, finalizou o australiano.
Defensor do título da etapa, o australiano Matt Wilkinson bateu o francês Jeremy Flores em um confronto acirrado que terminou com o placar de 15.10 a 14.06.
Outro que teve muito trabalho foi o atual campeão mundial John John Florence. O havaiano começou com 7.57, mas viu o wildcard Mikey Wright obter a maior nota da bateria (8.50) também na primeira onda e ampliar a vantagem com 5.67. Porém, Mikey não conseguiu ampliar o somatório e levou a virada de Florence na última onda, com 7.90.
“Mikey Wright é um competidor muito duro, especialmente em ondas como estas”, disse Florence. “Eu só ouvi todos gritando depois da sua onda e pensei: ‘Oh, não, o que ele fez?’. A onda que eu peguei foi menor, e é por isso que Mikey não sabia que havia tempo. Tinha uma parede longa e bonita, então eu consegui surfar por todo o percurso e teve alguns tubos. Foi uma bateria muito tensa. Estou amarradão por avançar”, falou o havaiano.
Para finalizar com chave de ouro a sexta-feira em Snapper Rocks, o duelo mais espetacular do dia. O havaiano Ezekiel Lau chegou a arrancar notas 7.00 e 10, mas perdeu para o sul-africano Jordy Smith, autor de 8.50 e 8.80.
“Zeke [Ezekiel Lau] é um adversário incrível, um dos mais fortes do tour“, disse Smith. “Para ser sincero, são exatamente por baterias como essa que participamos desse tour. No campo de batalha, pau a pau, onda a onda. Para mim é o ápice. Garanto que em qualquer outra bateria ele teria vencido. É exatamente por isso que treinamos fisicamente e mentalmente. Eu quero pisar fundo, ganhar impulso, jogar a rabeta e começar a girar”, revelou Jordy.
Faltam cinco baterias para o término da terceira fase. Na última delas, os brasileiros Ian Gouveia e Gabriel Medina se enfrentam em uma batalha que promete pegar fogo.
Na repescagem, Ian passou pelo australiano Josh Kerr por 11.57 a 10.10 pontos. “A emoção de estar aqui é algo muito especial”, disse Ian Gouveia. “Passei quase metade da vida vindo aqui para assistir ao meu pai, outra metade vendo pelo computador, pela TV, agora estar aqui é realmente muito gratificante. Consegui avançar minha primeira bateria no Tour, isso me dá uma motivação pro próximo round, mas ainda não consegui achar a onda certa pra mostrar meu surfe aqui. Espero encontrar as boas nas próximas pra fazer o meu melhor”.
Já Medina estreou com vitória no evento e teve folga nexta sexta-feira. O paulista sofreu uma torção no joelho em sua estreia, mas já confirmou que vai retornar ao outside na próxima bateria.
A próxima chamada acontece às 18 horas desta sexta-feira (horário de Brasília).
Round 3 (baterias pendentes)
8 Owen Wright (AUS) x Mick Fanning (AUS)
9 Julian Wilson (AUS) x Connor O’Leary (AUS)
10 Kelly Slater (EUA) x Frederico Morais (POR)
11 Sebastian Zietz (HAV) x Conner Coffin (EUA)
12 Gabriel Medina (BRA) x Ian Gouveia (BRA)
Veja as notas 10 de Ezekiel Lau e Italo Ferreira
Veja a nota 9.77 de Italo na terceira fase