Medina e Pupo

Alemão analisa dupla

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Alemão de Maresias acompanha a nova geração do surf brasileiro de perto desde muito cedo. Foto: Carla Falleiros
 

Edilson Assunção, o Alemão de Maresias, acompanha a nova geração do surf brasileiro de perto desde muito cedo. Grande amigo de Wagner Pupo e outras lendas locais, participou de diferentes momentos da história do pico.

No auge do sucesso do Brazilian Storm, formado pelo talento de surfistas como Miguel Pupo e Gabriel Medina, a Hot Buttered convidou esse ícone do surf para viajar no tempo e comentar o bom momento dos locais de Maresias.

Qual é a importância da praia de Maresias na formação dos surfistas brasileiros que nascem no pico ou que vão morar lá para treinar?

A meu ver, é muito grande. Maresias é uma praia desafiadora nos dias bons! Tem uma arrebentação muito forte, muita correnteza e quase sempre está rodando um tubo. É natural para os surfistas daqui se destacarem mais. Hoje, com toda a tecnologia e alto nível técnico dos atletas, Maresias pode ser uma boa opção de treinamento. Ela é uma onda de alta performance.

Você conhece o Gabriel e o Miguel desde pequenos? Quais características deles faziam com que se destacassem entre os demais?

Sim, conheço ambos desde bem pequenos. São pessoas muito queridas por minha família! Eles têm estilos bem diferentes. Gabriel gosta mais de quebrar a linha, mas sem perder o estilo ou ‘time’ das ondas! O Miguel tem um estilo mais polido e tão agressivo quanto Gabriel, que se espelhava no Miguel desde pequeno. Mas, a maior característica deles é a atitude, o que os gringos chamam de commitment, para qualquer tipo de onda.

Quando foi que você começou a perceber que eles tinham potencial para disputar entre os grandes?

O Miguel estava claro que seria um grande competidor desde cedo, assim como seu pai, Wagner Pupo, grande competidor nas décadas de 80 e 90 e hoje grande shaper. Gabriel, desde cedo, mostrava garra e evoluiu muito rápido! O resultado está aí para ambos.

O Miguel passou anos de sua vida surfando com 50% da capacidade respiratória de um ser humano normal e, mesmo assim, apresentou um surf de alto nível. Para você, qual é a importância da cirurgia para o atleta e qual será o nível de evolução dele nos próximos anos?

Acho que vai ajudar muito ele, mas não acho que isto seja um fator determinante. Ele está ótimo para mim, mas com certeza vai dar um gás a mais.

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Gabriel Medina e Miguel Pupo representam São Sebastião (SP) na elite mundial. Foto: Munir El Hage
 

Hoje, são 7 brasileiros no tour. A tendência é aumentar no ano que vem. Qual é a sua avaliação do momento do surf brasileiro?

Acho que estão indo muito bem para se classificar, mas também acho que devem melhorar em ondas maiores ou pelo menos acreditar que são capazes de surfar Waimea, por exemplo. Queria ver Miguel, Gabriel, Adriano de Souza, Filipinho, Alejo e todos do Brazilian Storm neste tipo de onda. O Kelly já ganhou em Waimea e a Waimea Gun dele tem mais de 20 anos, você sabia?

Assim como o surf cresceu como negócio e envolve mais dinheiro do que anos atrás, a evolução da performance dos atletas é cada vez mais extrema. É mais fácil ou mais difícil competir no Circuito Mundial hoje em dia, em relação a antigamente?

É bem mais fácil seguir o circuito, mas bem mais difícil se classificar. O nível técnico está muito alto e as ondas cada vez melhores.

Que conselho você dá para Gabriel Medina na situação atual do surfista, mesmo no caso de outro pro ser campeão este ano?

Acho que ele deve seguir este caminho. O que ele fez este ano já está na história, mas acho que deveria focar em ganhar o Pipe Masters, ser campeão e trazer este ano o tão sonhado título de campeão mundial de surf profissional para o Brasil.

Kelly Slater também tinha apenas 20 anos quando conquistou seu primeiro título do WCT, em 1992. Naquele ano, venceu duas etapas do Circuito, Hossegor e Pipeline, enquanto Medina já acumula três, em 2014, Gold Coast, Fiji e Teahupoo. Como você vê a relação entre a história dos dois?

Acho que o Gabriel é superior. Naquela época, a política da ASP era a favor do Kelly, e agora não tem política, tem garra, determinação e talento. Seria perfeito ver o Gabriel campeão do Pipe Masters e mostrar para o mundo aquilo pelo que veio: quebrar barreiras e conquistar o mundo.

Agora, só resta esperar a abertura do evento mais esperado da história dos atletas brasileiros no WCT. O Pipe Masters começa no dia 8 de dezembro e as baterias já foram definidas. Miguel Pupo enfrentará Bede Durbidge e Dion Atkinson pelo HB Team. Já Gabriel Medina, que briga pelo título mundial pelo Brasil, surfará contra Aritz Aranburu e um dos wildcards da etapa. 

Fonte Blog da HB

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