Ainda não eram 6 da manhã quando meu telefone começou a tocar sem parar. Na telinha, aparecia o nome “BaseLanho”, ou Marcus Pires. Pensei: “Será que aconteceu alguma coisa? Faz tempo que ele não me liga, melhor atender…”
E algo realmente acontecia. Com a voz meio ofegante, de quem estava correndo, ele dizia: “Sai da cama e vem pra Ipanema, estou aqui com o Minduim! Está clássico: swell, terral, fechando perfeito para os dois lados!”
Combinação que não rolava há muuuito tempo! Em pouco tempo, com a cara ainda amassada do travesseiro, já estava comendo areia e desfrutando das perfeitas fechadeiras do Jardim de Alah, pico onde surfei meus primeiros tubos e ganhei as primeiras competições na época de garoto.
Surfar é Ipanema é como mergulhar no túnel do tempo e ir direto para o periodo da escola, quando toda a molecada do extinto colégio Cidade (único na época com aula à tarde) se reunia de manhã em alguma bancada da praia e lá ficava surfando até dar a hora de ir pra aula. Em dia de mar bom, ninguém aparecia para o primeiro tempo e era normal encontrar areia no chão da sala.
Abrindo ou fechando, um dia de swell e terral no quintal de casa não pode passar em branco. Quem gosta de tubo sabe que sempre sobra uma com “dog door”. Foram duas sessões que fizeram relembrar como é divertido surfar por aqui e deram a esperança de um outono com ondas pela zona sul.
Foto de capa Marcos Base @baselanho