Ian Cosenza

Águas de março

Ainda não eram 6 da manhã quando meu telefone começou a tocar sem parar. Na telinha, aparecia o nome “BaseLanho”, ou Marcus Pires. Pensei: “Será que aconteceu alguma coisa? Faz tempo que ele não me liga, melhor atender…”

E algo realmente acontecia. Com a voz meio ofegante, de quem estava correndo, ele dizia: “Sai da cama e vem pra Ipanema, estou aqui com o Minduim! Está clássico: swell, terral, fechando perfeito para os dois lados!”

Combinação que não rolava há muuuito tempo! Em pouco tempo, com a cara ainda amassada do travesseiro, já estava comendo areia e desfrutando das perfeitas fechadeiras do Jardim de Alah, pico onde surfei meus primeiros tubos e ganhei as primeiras competições na época de garoto.

Surfar é Ipanema é como mergulhar no túnel do tempo e ir direto para o periodo da escola, quando toda a molecada do extinto colégio Cidade (único na época com aula à tarde) se reunia de manhã em alguma bancada da praia e lá ficava surfando até dar a hora de ir pra aula. Em dia de mar bom, ninguém aparecia para o primeiro tempo e era normal encontrar areia no chão da sala.

Abrindo ou fechando, um dia de swell e terral no quintal de casa não pode passar em branco. Quem gosta de tubo sabe que sempre sobra uma com “dog door”. Foram duas sessões que fizeram relembrar como é divertido surfar por aqui e deram a esperança de um outono com ondas pela zona sul.

Foto de capa Marcos Base @baselanho

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)