Um presente de Deus. O que você pediria para ele se pudesse fazer somente um pedido? Como se trata de um site feito de surfistas para surfistas, é claro que alguns pediriam ondas perfeitas na Costa Rica, outros em Bali, etc…

 

No caso da galera reunida hoje aqui no Peru, o presente veio na forma de ondas lisérgicas de 12 a 18 pés em Pico Alto.

 

Graças à turma dos Ocean Riders, encabeçada pelo legend local big rider Luisfer, seu irmão Kike e o brazuca/Catarina, Capilé, eu, Pacelli, Guilhermo, Corporelli, Rodrigão, Serginho e Formiga, desfrutamos dessa dádiva da natureza.

 

Pela manhã as ondas estavam com 4 a 6 metros, mas o fraco vento maral deixou as ondas muito difíceis, mas sem perder a graça e brutalidade da onda mais fria e pesada da América do Sul.

 

Nas filmagens as ondas desse pico parecem ser gordas, mas a realidade é bem diferente. Esse outer reef possui um power incomum, e um caldo gelado ali pode deixá-lo em maus lençóis.

 

Usamos três jet-skis para nove pessoas. Cada um desfrutava de uma onda e voltava para a fila. Quando as ondas subiram, a regra mudou e hoje houve resgate de volta ao canal.

A queda durou três horas e nos últimos trinta minutos vi as maiores ondas do dia. Capilé e Guilhermo surfaram duas high scores de uma das maiores séries da manhã.

 

Quando me toquei estava sozinho com Serginho no canal. Tinha surfado com duas pranchas emprestadas, uma 5’8 do Formiga  e outra 6’2 de Serginho. Nessa hora estava com a 5’8 e surfei a maior onda das que peguei até então.

 

Ela tinha uns 6 metros e quando cheguei na base e olhei para o topo me deu uma vontade incontrolável de mandar uma rasgada no olho, mas a velocidade da prancha e os bumps da parede não me deixaram realizar esse desejo e tive que me contentar em apenas sobreviver.

 

Saímos do mar e depois de muita conversa decidimos comer algo leve e voltar no final de tarde. Pacelli botou a maior pilha e ao seu lado o recém-chegado Rodrigo Costa engrossava o couro.

 

Quando me dei conta estávamos eu, Pacelli, Rodrigão, Serginho, Flavio e Formiga colocando os long johns, botinhas e luvinhas molhadas. Muito frio. Para dar uma idéia toda a galera estava usando dois long jonhs. Eu usei um long de 1mm de titânio embaixo de um long de manga comprida 3/4mm, mais botinhas e luvinhas…

 

Aquela névoa típica do Peru ainda deu mais aquele contraste no final de tarde. Bom, às 16:30 horas rumamos para o outside. Ao sentar no canal notei a grande diferença do surf matinal para o do Afternoon Sessions, como definiu Mr. Ant (Formiga).

 

Ondas super lisas e muito, muito perfeitas. Paredes verdes e longas de 4 a 6 metros foram mais um bônus por nossa coragem e vício em deslizar ondas desde a adolescência. Parecíamos crianças gritando quando passou a primeira série.

 

Sergio não perdeu tempo e me colocou em duas ondas alucinantes. Pude mandar todas as rasgadas que ficaram incubadas em minha mente na session anterior. A 5’8 gritou nas incríveis paredes. Pacelli pegou na seqüência uma bomba linda e rabiscou para dentro do pico e na seqüência mandou um rasgadão alucinante, com sua 6’3 mágica de madeira.

 

Mas o ponto alto da session  foi a onda seguinte surfada por Serginho, rebocado por Jorge. Sergio é um empresário paulista que não é surfista profissional, mas se amarra em curtir um tow-in. Pedi para Jorge não puxar ele atrás do pico, pois pressenti que iriam entrar séries ainda maiores.

 

Pacelli “sangue nos olhos”, sem dó, mandou Sergio por de trás do pico de uma parede de 5 metros. Do canal, eu e Rodrigo ficamos atônitos. Rezamos a cada milésimo de segundo do trajeto de Sergio até a segurança do canal. Por milésimos de segundo, um lip grosso verde musgo não desmorona nas costas dele. E o pior ainda é que uma bomba de 6 metros seria seu presente depois de se levantar desse caldo, se caísse.

 

Nossa reza fez efeito e Sergio pôde curtir toda a emoção de uma das melhores ondas do dia, na companhia de seus amigos. Flavio colocou Formiga em uma boa onda, mas Formiga atrasou muito e foi engolido. A dupla ficou grande parte da segunda sessão procurando a prancha cinza do paulista. Em ondas grandes a melhor coisa é usar pranchas coloridas, assim fica mais fácil de achá-las no meio dos espumeiros.

 

Com a graça divina vimos todas as imagens das sessões registradas por Clayton Russo, cinegrafista do Extreme Tv, pela manhã, que também havia registrado os momentos com sua caixa estanque.

 

Amanhã a previsão é de que o mar esteja um pouco menor, com 4 metros. Êita treino bom para Jaws. Thanks God.

 

Aloha!

 

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.