Expresso Uluwatu

A vala mágica

Nesta sexta-feira (13/6) abri meus olhos bem cedo, estava com sede de ondas. Antes de qualquer coisa fui correndo para janela conferir o vento, já que há uns quatro dias não se cansa de soprar.

Logo percebi, pelo chacoalhar das árvores que teríamos mais um dia de vento forte e de Nordeste.

E agora, o que fazer? Os picos que quebram com maré alta pela manhã não estariam bons, pois não funcionam com este vento.

O jeito foi esperar a baixa da maré às 11 horas e ficar na água enquanto ela enchia para ver o que aconteceria.

Espera cumprida, lá fomos nós para mais uma faxina na costa Oeste do bukit balinês. A baía de Jimbaran estava com a água escura. As ondas pareciam vir no sentido oposto, produzindo pequenos backwashes. O swell continuava de Sul e uma corrente estranha indicava uma grande força d´água.

Checamos todos os picos. Bingin estava com uma onda bem boa, que nos fez parar por alguns minutos. Mas o crowd concentrado no pico e algumas espuminhas em Uluwatu nos fizeram mudar de idéia.

Saímos mais uma vez para então darmos nossa última tacada em busca das ondas. Mal chegamos e já começamos a rir, uma série bonita de quatro ondas nos recepcionou da melhor maneira possível.
Duas dessas ondas foram tubos azuis, inacreditáveis para quem tinha saído de uma baía escura e ventosa.

Rapidamente fomos para a água e percebemos que a diversão só estava começando. Era o momento da maré mais baixa do dia, as séries estavam um pouco demoradas e ondas relativamente pequenas, mas com boa formação.

Com a maré enchendo, mais séries bombaram. O que víamos eram tubos e mais tubos surfados por garotos velozes e cheios de vontade de fazer bonito para os fotógrafos de plantão.

Um coroa também mostrava que idade não importa. Cheio de estilo ele vinha surfando do Peak até o Racetrack, sem titubear.

Não podia acreditar que aquela vala se transformara em uma onda maior e bem mais forte. O que também ajudava no espetáculo de vacas e algumas tatuagens do coral. O mais impressionante ainda estava por vir.

Depois de surfar, admirar alguns tubos e manobras radicais vejo ao fundo em uma onda pouco expressiva um amigo (Rodrigo Canabrava), vindo com os dois pés na frente da prancha fazendo um estilo bizarro.

Parecia que seria uma onda ruim. Errado. Aquela onda gorda em um segundo rodou um tubo lindo e azul.

Com muito surf no pé, Rodrigo saiu seco do canudo que percorreu e gritou: “Esta é a vala mágica”.

Com esta frase termino o dia acreditando que ter esperança e muito surf correndo no sangue é necessário para continuar a busca incessante pela nossa vala mágica de cada dia.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)