Pranchas turbinadas

Shaper Guga Arruda investe em flexibilidade e velocidade com a nova tecnologia Powerlight Tail Flex.

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Everton Luis / @surf_capture
Guga Arruda acelera com a nova tecnologia da Powerlight na Indonésia.

Venho estudando a flexibilidade das pranchas nas duas últimas décadas, e, retirando a longarina, passei a ter liberdade para controlar a flexibilidade e encontrei no revestimento com sanduíches de fibra de vidro e lâmina de madeira a melhor flexibilidade entre todas que testei, essa é a principal construção da Powerlight.

Tenho pra mim que se a prancha for mais flexível, ela pode ter menos curva e consequentemente ser mais veloz. Quando for necessária mais curva na prancha para a realização da manobra, a mesma irá flexionar sob a pressão do surfista, se ajustando a curva da onda.

É exatamente a rabeta da prancha que recebe mais pressão nas manobras, por isso desenvolvi a Tail Flex. Uma redução da lâmina de madeira que reveste o fundo, com corte em formato de “V” que possibilita o aumento gradativo da flexibilidade. Quando o surfista move o peso para frente a prancha está mais rígida e se o surfista pisar mais pra trás, a prancha está mais flexível.

Desta forma, a prancha corre pra valer como se fosse mais reta e rígida, mas manobra como se tivesse mais curva e flexibilidade na rabeta. No retorno da flexão a prancha faz o movimento de deflexão, dando uma verdadeira estilingada, jogando para frente e para cima.

A minha primeira Powerlight Tail Flex ficou pronta na véspera da minha trip para a Indonésia em dezembro do ano passado, onde passamos a virada do ano à bordo do Sibonjaya, nas ilhas Mentawai, e curtimos Bali fora de temporada. Fiz em cima da hora uma 5’11″ modelo Faca na Manteiga Tail Flex, para ondas médias do dia a dia. Com minha esposa Milene Arruda, Itamar Guimarães e Everton Luis para produzir as imagens, testei e registrei a Tail Flex em todos os tipos de onda.

Na primeira caída, numa esquerda de 1 metro forte, correndo com vento de lado, logo na primeira onda percebi que a prancha corria sozinha e acertei um aéreo alto no vento, logo na segunda acertei um ainda mais alto, dos mais altos da vida, ali percebi claramente que a prancha corria muito e tinha tipo um pop que jogava pra cima.

No dia seguinte, o mar baixou e pegamos ondas de meio metro. Caí com uma pranchinha menor, mas a ondinha parecia muito fraca, então resolvi testar a 5’11″e pra minha surpresa ela correu mais do que a minha maroleira. Daí em diante o vento parou e o mar subiu, foram dois dias de Uluwatu, o que é raro essa época do ano, e a prancha correu loucamente, saindo de tubos profundos e fazendo as famosas rasgadas da Faca na Manteiga.

Nos outros dias pegamos uns secret spots com ondas tubulares e ficou bem claro pra mim que essa é a minha melhor prancha. Em qualquer condição, de meio a 2 metros de onda o conceito realmente funciona e a Tail Flex está mais do que aprovada. À partir de agora todas as minhas pranchas terão esse acelerador.

Ah! E sobre Bali na baixa temporada, venta bastante, mas ondas para botar as pranchas no pé não faltam.