Entrevista Munir El Hage

Fotógrafo Munir El Hage é o entrevistado da vez na série Line Up Project, produzida pela Green Minds.

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A quarta entrevista dos fotógrafos colaboradores do Line Up Project, realizado pela Green Minds, é com o fotógrafo Munir El Hage, paulista radicado em São Sebastião (SP).

Munir já colaborou com as principais revistas do segmento e sempre está presente nos principais eventos do estado de São Paulo, como o circuito Hang Loose Surf Attack e o SP Contest, por exemplo.

Além disso, ele registra constantemente os surfistas locais de sua região como Gabriel Medina, família Pupo, Carlos Bahia, Thiago Camarão, dentre outros. Confira a entrevista abaixo:

Quando e como você começou a trabalhar com fotografia?

Tinha acabado de entrar na faculdade, o curso era novo, Rádio e TV, lá pelos anos de 1992, 1993, conheci a fotografia e me deslumbrei. Tinha toda aquela magia da revelação, era em preto e branco, a gente ficava no laboratório simplesmente vendo a imagem se materializar em pedaços de papel branco, que ficavam dentro de bacias cheios de produtos químicos, tipo mágico.

Dali em diante eu sabia o que queria fazer da vida (risos). Na faculdade mesmo já ganhava uns dinheirinhos fazendo books e ganhava alguns arregos em Ubatuba, ficando na casa de amigos e retribuindo com fotos.

Boiçucanga é um dos cenários preferidos do fotógrafo.

Quais foram os seus primeiros trabalhos?

Minhas primeiras publicações foram nas extintas Revistas Inside, e depois na Inside Now…. Mas nessas duas revistas eu não recebi, então considero mesmo meu primeiro trabalho na Revista Fluir, em 1996, com uma matéria dos irmãos Picuruta e Almir Salazar na Costa Rica.

Até hoje, teve algo que não gostou de fotografar?

Sim, uma época em que trabalhei na prefeitura de São Sebastião e tinha que fotografar demolições de casas, as pessoas desesperadas, um monte de policiais, foi algo que não curti muito fazer.

Qual a sua foto favorita ou a que considera a foto da sua vida?

Acho que essa foto ainda está por vir. Talvez do CT em Fiji em 2016, quando o Gabriel Medina venceu a etapa. Foi muito especial. Eu fui pra Fiji de veleiro em seis dias de travessia, vindo da Nova Caledônia.

Quem te inspira, seja nas lentes ou fora delas?

Algumas pessoas me inspiram: Família Schürmann, Amyr Klink, Clark Little, Diego (Ferrugem), Santi, Tom ( Ilhabela), Everaldo Pato e família… por aí vai.

Lendários Picuruta e Almir Salazar durante viagem para a Costa Rica em 1996.

Tem alguma foto que ainda não fez e gostaria de fazer?

Com certeza, de um tubo visto de dentro e na boca dele um arco0íris, um pôr-do-sol, ou uma nave espacial (risos).

Quais imagens atualmente gosta mais de trabalhar?

Gosto de ficar em Boiçucanga, no quebra-coco, fotografando os tubos. Às vezes cheios de backwashs, deixando as ondas bem tortas. Também estou curtindo uma lente macro. Dá pra ver muita coisa legal, que a olho nu a gente não consegue ver.

Viagem que marcou sua carreira.

Acho que a de Costa Rica em 1996, pelo fato de ser a primeira profissional, me colocou no mercado. Dali em diante nunca mais parei.

Quais conselhos daria para quem está iniciando ou pensando em seguir a carreira de fotógrafo?

Se for de coração mesmo, tem que ir com tudo. Hoje, com tanta facilidade para se tornar fotógrafo, virou uma profissão muito concorrida e cada vez menos valorizada. Mas como falei, quando é de coração, vocação, as coisas acabam dando certo. Se for por vaidade ou querendo ficar rico, está na roça!

Quais são as atitudes e pensamentos “Green Minds” que todo fotógrafo deveria ter?



Acho que considerar a vida como um todo, tudo tem sua razão de existir. Temos que reconhecer, amar e proteger todos os reinos. O Reino Animal, o Reino Mineral, o Reino Vegetal e o Reino Humano. Que nossa espécie deixe de destruir e passe a ajudar os outros Reinos, que é a nossa responsabilidade e vocação verdadeira.