Circuitos em Olinda

Zé Pequeno sedia eventos

Federação leva etapas dos circuitos do Pernambucano de Surf e Geração Futuro entre agosto e setembro na Praia de Zé Pequeno, Olinda (PE).

O tradicional pico Zé Pequeno, Olinda (PE), volta a ser palco do mais importante circuito estadual da modalidade, o Fu-Wax apresenta Jisk Pernambucano de Surf 2025 e o Surf Kids Geração Futuro 2025, o mais disputado circuito de base do Nordeste. Com status de ser a única praia da região metropolitana do grande Recife a sediar uma etapa do circuito pernambucano que irá definir o campeão estadual da temporada.

Com disputas em dois fins de semanas seguidos, o Surf Kids Geração Futuro 2025, nos dias 30 e 31 de agosto e o Pernambucano entre os dias 5 e 7 de setembro, levará à arena formada pelo público, que sempre prestigia eventos no local, toda a atenção da comunidade do surfe nordestino.

Já no próximo dia 4 de agosto uma comitiva composta por dirigentes da Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), da Federação Pernambucana de Surf, da Associação de Surf Olindense (ASO), atletas e paratletas campeões nacionais e internacionais serão recebidos pela prefeita de Mirella Almeida, em seu gabinete, onde será apresentada o projeto vitorioso que a Fepesurf vem colocando em prática no estado.

“Quero agradecer a oportunidade de patrocinar a segunda etapa na cidade de Olinda que está voltando a receber grandes eventos. É importante para a cidade, é importante para a Jisk que vem investindo muito nos eventos e nos atletas; Esse evento vai dar muita visibilidade. É uma parceria muito importante”, festeja Ilamar Rocha SEO da JIsk,

“A Associação de Surf Olindense vê com bons olhos o surfe voltando a Olinda e agora mais ainda, chegando uma etapa do pernambucano. O pico do Zé Pequeno é a única praia da Região Metropolitana com permissão para o surfe. É um ambiente que precisa ser mais explorado. Tem uma arquibancada natural em frente a um grande centro cultural no meio da cidade, é importante aquecer esse cenário”, diz Kleber Cabral, presidente da ASO.

O Fu-Wax apresenta Jisk Pernambucano de Surf 2025 e o Surf Kids Geração Futuro 2025 é organizado pela Federação Pernambucana de Surf (FEPESurf) e Associação de Surf de Olinda (ASO), patrocinado pelo Governo do Estado através da Secretaria de Esportes estando a frente da pasta a secretária Ivete Lacerda e pela Prefeitura de Olinda, na gestão Mirella Almeida, do Secretário de Educação Odin Neves e do Secretário de Esportes e Juventude Sérgio Ramos. Também ao apoio de Flávio das pranchas Saturno, Fu-Wax, Blog do Surfe, Surfguru e Caminho do Surf.

Base – Os circuitos, que acontecem de forma paralela, já estão na segunda etapa. A primeira etapa do circuito Surf Kids, Geração Futuro 2025 foi disputada na praia do Cupe, em Porto de Galinhas, nas categorias Sub 6, 8, 10,1 2 e 14. Contou com 116 jovens surfistas que disputaram, em um dia com um bom swell de sudeste, com grandes ondas no pico do Borete, a liderança do ranking.

O Geração Futuro é um dos mais tradicionais eventos do país com 11 anos sendo organizado em praias pernambucanas. Agora chancelado pela Federação Pernambucana de Surf (FEPESurf) define os campeões estaduais das categorias de base em um circuito com três etapas. Muitas performances foram surpreendentes com destaque para o potiguar Samuel Oliveira que veio do Rio Grande do Norte, o paraibano Fernando Medina, a pernambucana Ayala Sophia e do Rio Grande do Norte, Bibi Guimarães.

Pernambucano – Nove categorias estarão em jogo no Fu-Wax apresenta Jisk Pernambucano de Surf 2025 com atletas de diversos estados, que elevam o evento a um nível regional. Além de Pernambuco, Santa Catarina, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e também do arquipélago de Fernando de Noronha disputam o circuito, comprovando o alto nível técnico das competições pernambucanas. Estará em jogo a liderança do ranking nas categorias Sub 16, Sub 18, Adaptado, Senior 28+, 40+, 50+, 60+, Feminino Open e Sup Wave.

Na primeira etapa chamaram a atenção as performances do pernambucano Thalis Luis, do local de Maracaípe Carlos Chalaça, da catarinense Nalu Denski, do competidor master Claudio Marroquim que venceu duas categorias a 50+ e 60 +, com 61 anos Cláudio mostra com suas performances sólidas está pronto para defender a liderança no Zé Pequeno. O Circuito Jisk Pernambucano de Surfe é um campeonato estadual com status de regional.

Resultados Surf Kids Geração Futuro 2025 – primeira etapa
Sub 6 Masculino
1 Salomao Oliveira
2 João do Fusca
3 Donatello Fontana
4 Heitor Felix Celestino

Sub 6 Feminino
1 Eduarda Souto Maior
2 Kemily Silva
3 Anna Luiza Brandao
4 Sarah Robaiana

Sub 8 Feminino
1 Mel Duarte
2 Valentina Martins
3 Maya Migareli
4 Maria Julia Santos

Sub 8 Masculino
1 Samuel Oliveira
2 Salomao Oliveira
3 João Fusca
4 Ryan Miguel

Sub 10 Feminino
1 Ayala Sophia
2 Hellen Vitoria
3 Mel Duarte
4 Maya Migareli

Sub 10 Masculino
1 Samuel Oliveira
2 Kauai Padilha
3 Fernando Dino
4 Davi Brasil

Sub 12 Feminino
1 Bibi Guimarães
2 Ana Luiza
3 Marcilene Vitoria
4 Ayala Sophia

Sub 12 Masculino
1 Leonaldo Matheus
2 Gabriel Medeiros
3 Fernando Medina
4 José Mesias

Sub 14 Feminino
1 Nicole Silva
2 Bibi Guimarães
3 Emily
4 Kaila Brotherhood

Sub 14 Masculino
1 Fernando Medina
2 Leonaldo Matheus
3 Flávio Filho
4 Jonas Gabriel

Long Kids
1 Nicole Silva
2 Alisson
3 Gabriel

Resultados Circuito Jisk Pernambucano de Surf – primeira etapa
Sub 16 Masculino
1 Felipe Homsi
2 José Alvimar
3 Raoni Silva
4 Gabriel Medeiros

Sub 18 Masculino
1 Luan Lapolli
2 Felipe Homsi
3 Marcelo Chalaça
4 José Alvimar

Senior 28+
1 Phelippe Maiia
2 Thalis Luis
3 Jeová Rodrigues
4 Anderson David

Adaptado
1 Otavio Maolyy
2 Roberto Pino
3 Silvio Pena
4 Otávio Pino
5 Larissa Costa

Sup Wave
1 Carlos Chalaça
2 Gabriel Vilarinho
3 Luiz Henrique
4 Jivago Falcão

Feminino
1 Nalu Denski
2 Duda Falcão
3 Kaila Brootherwood
4 Emily Nicole

40+
1 Klinger Peixoto
2 Jeová Rodrigues
3 Messias Santos
4 Bruno Padilha

50+
1 Claudio Marroquim
2 Bruno Viana
3 Michel Pontes
4 Airton Almeida

60+
1 Claudio Marroquim
2 Jaime Farinha
3 Walter Coelho
4 Julio Marques

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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