Kiko Surfboards

Lord K, nobreza do shape

Anarquilha fala com Francisco Giannattasio Neto, da Kiko Surfboards, mundialmente conhecido como Lord K, arquiteto, músico, cartunista e shaper de outro mundo.
Tito Rosemberg, Kika e Kiko. Lendas do surfe brasileiro em torno de boas ideias e ideais.

Kiko, irmão mais velho do Pinguim, of the best Surf Racks, o Francisquinho da vovó, gerado numa travessa da Paulista e nascido na Maternidade de São Paulo, Chico Giannattasio Neto ou Ratazana, como era mais conhecido no Vocacional Oswaldo Aranha, cuja seleção de 1.800 candidatos para 120 vagas, quis enfrentar aos 8 anos de idade, quando seu melhor amiguinho no Pio XII do Morumbi, o hoje renomado fotógrafo Marcio Sacavone, filho do escritor premiado, Rubens Scavone, pioneiro da ficção científica no Brasil, presidente da Academia Brasileira de Letras, modernista, humanista, progressista, contou que seu pai intelectual, havia recomendado a experiência educacional púbica revolucionária da educadora de vanguarda Maria Nilde Mascellani, criadora dos ginásios vocacionais no Estado de São Paulo, três anos antes, em 1961.

Aluno mais jovem selecionado, com 9 anos recém-completados em setembro, ingressou na turma de 1964, em meio à crise política brasileira, que culminaria na tomada de poder pelos militares com o golpe de estado no final de março daquele ano, ao lado de Willian Waack, Tomas Roth e Guilherme Arantes, com quem iniciou sua carreira musical como baterista, amigos inseparáveis até sua entrada na FAU USP, em 1971, aos 17 anos.

Frequentador assíduo de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, onde seu avô, dono do Bouticão Universal, na rua Florêncio de Abreu, maior distribuidora de equipamentos para dentistas da América Latina na época, amante da pesca em alto mar, ancorava sua enorme e possante traineira nas águas calmas do Rio, para encarar a barra rumo à Queimada Grande, com sua arrebentação sinistra.

Ali nascia o amante das ondas, estimulado pela maravilhosa oficina de “artes industriais”, uma de suas matérias preferidas no currículo alternativo, altamente pragmático, do Vocacional.

Do seu trabalho de semestre, construindo sua primeira “prancha havaiana” de madeira, cópia das de seus primos mais velhos em Itanhaém, trazidas de viagens aos EUA, ao choque de prazer como espectador de Endlles Summer, no Cine Graúna, na Avenida Santo Amaro, em Sampa, foi um pulo de gato.

Tornou-se o precursor do surfe na Prainha dos Pescadores, com sua primeira prancha de fibra, laminada por ele mesmo sobre um bloco da Gasplac com shape de forma, comprada com lucro obtido pela fabricação de sua primeira encomenda para um primo e parceiro nas ondas desde os primórdios até hoje, seu querido amigo e xará Kiko Gallucci.

A encomenda foi entregue com sucesso e o Kikão, como todos os amigos da época o conhecem, por ser mais velho que o Gallucci, vingou com sua hoje legendária Kiko Surfboards.

Eu tive o privilégio de ter uma Kiko Surfboards em 1975. Comprei minha primeira prancha de um certo Gabriel, morador do Pombal, conjunto de edifícios localizado entre a avenida São Gabriel e a 9 de Julho, nos Jardins, em São Paulo.

Por coincidência, também comecei a surfar em Itanhaém, justamente na Prainha, ao lado do Claudio Martins de Andrade, o Claudjones, fundador da Fluir e do Waves, seu irmão Eduardo e o indefectível Corvo, o Nelsinho Rizzo. Lembro que o Claudio também tinha uma Kiko Surfboards, swallow como a minha. E uma vez que eu estava com o Claudio no Arpoador, em 1976, vimos um cara com uma Kiko e pensamos que a prancha seria roubada.

Muitos anos mais tarde eu viria, enfim, conhecer o Kiko pessoalmente. Eu era editor-assistente da Fluir e o Claudio pediu para que eu preparasse uma campanha publicitária de rádio para a revista. Fui ao encontro do Kiko numa agência super descolada no Morumbi e nascia ali uma grande amizade.

De cara, criamos uma peça para a edição de agosto, acho que em 1987, e que foi ao ar pela rádio 89 FM, a Rádio Rock.

O texto era mais ou menos assim:

“Estou com medo, este mar está gigante!

Desencana, bundão, o mar está perfeito!

Fluir de agosto traz o mar do ano. E você ainda leva desgraça, um adesivo!”

Cheguei à redação, mostrei a fita e só não fui demitido na hora porque eu estava com todos os textos da tal Fluir de agosto já em linha de montagem. O editor-chefe, Alexandre Andreatta, ficou putaço, achou o anúncio uma merda e ficou vários dias sem falar direito comigo.

O fato é que aquela Fluir de agosto vendeu muito e nunca mais o editor tocou no assunto da publicidade que dava um adesivo da revista.

Anos mais tarde, já no comando do Waves, o Claudio me chama na sala e me apresenta um audio. Era um jingle que o publicitário Kiko havia preparado sobre o nosso Ueivis, como diz o Fabinho Gouveia.

Bem, antes, o Kiko já tinha formado sua banda Lord K e tinha se tornado celebridade nacional ao cantar pelado no programa da Hebe Camargo, um escândalo na época. O show peladão foi repetido depois no China Club, em Nova York, confiram no YouTube.

Atualmente, com 70 anos, Kiko é um jovem senhor envolvido com um trabalho social bastante relevante no Rio de Janeiro. Trata-se do Projeto de Núcleo de Interesse Social Educacional, Cultural e Turístico Nectur, Coopertaeis, que tem empolgado a ponto de deixar o shape em segundo plano.

Shaper, músico, publicitário, arquiteto, cartunista, Kiko joga nas 11, bate escanteio e corre na área para cabecear, sempre com talento, alegria e uma vibe de outro mundo. Nesta entrevista exclusiva ao canal Anarquilha, ele fala um pouco disso tudo.

Como surgiu a história de shapear?

Eu desenho desde 6 anos de idade, estimulado pelo meu pai que era muito bom nisso e ficava comigo no colo, me dando altos toques de mestre, enquanto traçava aquele mundo mágico com lápis no papel, para meu êxtase de aprendiz.

Apareceram as hot-dogs na Surfer Magazine, às quais logo tive acesso pelo meu primo Kiko, assim que entreguei sua primeira encomenda e parti na mesma hora, para a aventura de tentar fazer o que via nas fotos.

Como era o mercado em sua época?

Eram os primos e amigos próximos de Itanhaém, que me adotaram como fazedor de pranchas e uma loja de produtos para remendo de carros de fibra na Santo Amaro, a Reforplas.

Quem eram os grandes shapers e quais foram os caras que te influenciaram?

Logo entrei na FAU – Arquitetura da USP, que tinha uma oficina para maquetaria, ainda mais espetacular do que a do colégio Vocacional, era tudo que eu queria e me ajudou muito em mais algumas encomendas e com uma quilha linda de acrílico feita nela, fui com uma prancha mal laminada, mas impressionante pela beleza do detalhe em acrílico transpa muito bem shapeada e polida, amarrada na capota de uma Sinca azul-marinho, conhecer o Pier de Ipanema bombando como point alternativo de artistas, gatinhas, hippie chiques mostrando tudo e surfistas cabeludos, amantes de vagabundagem de praia, que amavam o Led Zepellin, Pink Floyd, Yes, Milton, Tim Maia e Mutantes como eu.

Não deu outra, a quilha quebrou na primeira onda, mas a praia estava ótima e eu dando bandeira com minha pinta de hippie urbano black power, placa de SP, tanto que no final da tarde, enquanto, pedia um maionese de ovo no Bobs original, ali de Ipanema, com a gentileza paz e amor imperante na época, me surge o já intelectual descolado Ricardo Bravo, que eu nunca havia visto mais carioca e torrado de Pier na vida, sensibilizado pelo meu fracasso de prancheiro paulista da isolada Itanhaém. Ali mesmo me ensinou todos os pulos de gato de laminação que o amigo dele, Tito Rosemberg, havia aprendido trabalhando na Gordon & Smith da Califa e com a mesma gentileza hippie, lhe havia passado. Tempos de paz e amor, bicho!

E eu continuei minha viagem solitária de shaper auto didata em Sampa, já com algumas referências fotográficas de salas de shape oriundas de revistas especializadas, mas com a qualidade de laminação bem aprimorada pelos toques do Bravo e shapes inspirados nas fotos da Surfer.

Quais surfistas usavam suas pranchas?

Os pioneiros da Prainha dos Pescadores eram os meus clientes e juntos fomos aprimorando os shapes, pelo resultado nas ondas, conhecendo pranchas importadas por amigos e pelas minhas viagens para Imbituba, em que fui um dos pioneiros e onde conheci feras como Fedoca, Daniel Sabá, Bento, Mudinho. Tudo acontecia muito rápido e então aluguei um terreno com uma casinha no fundo em Monções, Brooklin, onde hoje é conhecido como “Aguas Espraiadas” e ali a evolução como shaper foi meteórica na minha primeira oficina, fora de casa.

Fui um dos patrocinadores do primeiro Campeonato Brasileiro de Surf de Ubatuba, acompanhando a equipe que formei com os melhores surfistas do meu círculo de clientes de Itanhaém, incluindo os excelentes irmãos Wolthers, de Santos, que frequentavam a Prainha, Christian e John (Os Vikings), caras fora da curva na época. Então acabei conhecendo o Tito e a Lorraine, morando numa Kombi na Praia Grande e eu, que já era o Kiko da Kika, voltando com ela de uma trip hippie como marinheiro gaiato pela Europa, hitch hiking e vendendo artesanato pelas ruas de Berlin, Roma e Paris, demos match imediato.

Lá atrás você já era um visionário, com shapes incomuns, de onde saía tanta inspiração?

Tito Rosemberg nos convidou para passar um tempo com ele e a Lorraine na sua oficina no Recreio, fim do mundo na época, me passando todos os segredos que sabia e o muito aprendido, trabalhando em grandes oficinas renomadas com G&S na Califórnia.

Foi meu grande mestre e voltei desta experiência revolucionado como shaper and glasser e como arquiteto em progresso da FAU, desenhista e fundador da revista de quadrinhos Balão, amigo de grandes jovens cartunistas, todos amantes da contracultura californiana, Zap Comics, Robert Crumb, Rick Griffin e por aí afora. Não poderia ter dado um shaper convencional, a inventividade sempre foi meu forte.

Como vê o mercado na atualidade?

Como um arquiteto sênior e shaper legendário, agradecendo todos os dias o advento dos PCs e dos melhores programas de modelagem em 3D que domino com fluência e faz dos meus 70 anos, uma alegria sem fim de viver em plena criatividade, privilegiado pelo conforto de ter me tornado um modelador digital que me foi conferido pelo 3DMax e o Shape 3D, que são minhas ferramentas de arquiteto e shaper, respectivamente.

Não faço mais serviço bruto, modelo o que quero com muita facilidade na tela dos meus computadores e ponho as máquinas para fazer o serviço pesado nos blanks e nas obras.

Por opção, moro a 150 metros das ondas do Canto do Recreio/Macumba, no final da Rua das Pranchas, em frente ao Beco do Base, e meu super amigo e parceiro, shaper genial de plaina elétrica de queixo mole, como sempre usei, enquanto não me pesava, e hoje tenho o privilégio de tê-lo como hand finisher dos meus shapes e glasser das minhas atuais hibridas Lord’s Classic Kiko Surfboards, Pure Shape!

Qual a maior dificuldade para viver de shape no Brasil?

A usinagem computadorizada, transformou em designers os shapers com domínio de computação gráfica em 3D, como eu que sempre combinei arquitetura com pranchas de surfe.

Quem não correu atrás, ficou prejudicado pelo avanço tecnológico inevitável.

Mas, amantes da contra-cultura de espírito anarquista e libertário, como eu, honrado por estar sendo entrevistado pela coluna Anarquilha, sempre estarão mais interessados na liberdade de expressão e avanço da humanidade do que em questões de mercado. O mercado é a expressão do sistema de domínio e não dos reais avanços e mais nobres valores da divina raça humana em seu avanço em humanidade!

E como surgiu o lance de virar radicalmente e se tornar músico profissional?

Sempre atuei multidisciplinarmente. Por exemplo, fiz vários jingles famosos para o surf world, Fluir, Star Point, Skating e, por o último Waves, quando fui produtor musical, arranjador, compositor da música e letra, canto, toco tudo, edito o vídeo e adoraria que mais outras milhares de pessoas o assistissem, 16 anos depois de ter sido publicado pela primeira vez no maior site se surf do Brasil. É só digitar Waves, Lord K no browser do Google, que quem estiver curioso pode conferir no YouTube.

Mas, quando apareci pelado na Hebe Camargo sendo entrevistado pelo Faustão, a bagaça explodiu na mídia e recebi o convite para turnê nacional, que não dava pra recusar. Então, saí fazendo 280 shows pelo Brasil até chegar ao Canecão, quando deu poliça. E a HBO me contratou para gravar um episódio do Real Sex 8, quando passei dois anos fazendo shows na Broadway em Nova York, nas melhores casas underground.

Gravei com uma banda de músicos nova yorquinos do primeiro time, meu CD – Lord K, back from USA, e a Rebel TV gravou um show meu no China Club, que quem quiser conferir é só dar um Google em Rebel TV Lord K, que está publicado no site deles no YouTube.

A banda do Lord K ainda está na ativa com sua levada suingada?

Boa pergunta e oportunidade para esclarecer que Lord K é meu nome artístico como cantor performático e compositor.

Faço shows tanto com bandas formadas pra eles, como só com minha amada DJ Dani e percussionistas convidados em versão Live P.A., ou acústicos como meu show Mini Orgasmo Confidencial, dirigido pelo cartunista Angeli, que foi um acústico de trio pós-moderno, com o qual rodamos o Brasil e NY.

Hoje estou trabalhando como arquiteto criador e produtor artístico do Projeto de Núcleo de Interesse Social Educacional, Cultural e Turístico NECTUR, com seu primeiro núcleo no Vidigal, para PPP, tendo como objetivos a parceria PÚBLICA com a Prefeitura do Rio e a parceria privada um Fundo Privado Misto Socialmente Orientado, onde tenho trabalhado com todas as linguagens audiovisuais que domino atualmente, deixando para retornar com A Noite da Levada, como case exclusivo e no máximo quinzenal, quando ela será residente nos espaços de show que projetei para o Nectur Vidigal, depois de prontos.

Estou com 70 anos e sempre canto uma música que eu adoro do Ed Motta: “Eu não nasci pra trabalho, Eu não nasci pra sofrer”.

Mas estou plenamente ativo em todas as minhas artes, com total liberdade de expressão!
Sem isso, não vale a pena viver. Estou neste lindo planeta à passeio.

Qual tipo de som você realmente aprecia?
Todo aquele com uma levada que resgate a pulsação primal de nossa ancestralidade rítmica ou que remeta às deusas levadas da insubordinação feminina pela imposição da sua liberdade e beleza naturais e do seu amor maternal infinito, que tão bem cuidou da nossa multiplicação, povoando a grande tribo da irmandade inter-racial planetária.

Voltando ao surfe, como você vê essa geração de surfistas campeões e de que maneira você entende que essa tempestade impacta no mercado?

Acho um puta avanço no esporte do ponto de vista técnico e olímpico, mas não tem nada a ver com minhas raízes de hippie naturalista, ambientalista paz e amor, desbravador de praias desertas e corações solitários.

Mas como são nossos espetaculares campeões, os que precisam de tratamento psiquiátrico para suportarem a pressão do mercado e o super stress de surfistas objeto em que se transformam para cumprir as expectativas dos patrocinadores, quando estou folgado e o mar da etapa está show, deito na frente da minha TV Android, e pelo YouTube assisto e torço para os meus heróis da Brazilian Storm, comendo pipoca e me entretendo a valer.

Como as pessoas devem agir para encomendar uma Kiko Surfboards de sonho??
A má notícia é que eu não aceito mais encomendas, só de amigos muito próximos, que permanecem em contato comigo regularmente pelo zap, bem poucos, como Vossa Senhoria, Dom Alceu Toledo Junior. E vez ou outra produzo estoques e lanço o inventário no blogspot Lords’s Classic Surfboards, para venda pelo blog. O próximo estoque disponível, informarei em primeira mão para o Anarquilha.

Você tem surfado muito aí na Macumba?

Saravá!

O que diria para a nova geração que tem vontade de fabricar pranchas e viver este sonho de trabalhar no segmento do surfe?

Se sentir amor pelo que fazem, bem como pelos semelhantes, sempre existirão boas pessoas dispostas a compartilhar conhecimentos graciosamente, como tantos que me ajudaram, em especial pela internet atualmente.

Mas um bom domínio de computação gráfica e modelagem digital em 3D são ferramentas indispensáveis para se chegar ao topo do profissionalismo contemporâneo, em termos de modelagem de surfboard shapes, arquitetura, escultura e artes afins.

Portanto, para quem se apaixona pelo ofício, sempre vale a pena trabalhar forte, dando seu melhor. Ser feliz e amar a felicidade do próximo é o que interessa. Sempre dá certo por este caminho!

Recomendo: Coopertaeis. Este é o meu shape de vida atual. Let´s surf together in this project. A nobreza agrade, Aloha!

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    Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, a Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Saquarema Clique aqui para conhecer a nova fase da Waves Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos na Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feita de surfista para surfista, a Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. O Vivo Rio Pro 2026 abre a janela de competições em Saquarema (RJ) nesta sexta-feira (19). Assista às baterias, compartilhe suas opiniões e participe dos debates ao vivo com outros apaixonados por surfe em nosso fórum abaixo. Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil Ano Campeão Masculino Campeã Feminina 2025 Cole Houshmand (EUA) Molly Picklum (AUS) 2024 Italo Ferreira (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2023 Yago Dora (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2022 Filipe Toledo (BRA) Carissa Moore (HAV) 2019 Filipe Toledo (BRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2018 Filipe Toledo (BRA) Stephanie Gilmore (AUS) 2017 Adriano de Souza (BRA) Tyler Wright (AUS) 2016 John John Florence (HAV) Tyler Wright (AUS) 2015 Filipe Toledo (BRA) Courtney Conlogue (EUA) 2014 Michel Bourez (FRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2013 Jordy Smith (RSA) Tyler Wright (AUS) 2012 John John Florence (HAV) Sally Fitzgibbons (AUS) 2011 Adriano de Souza (BRA) Carissa Moore (HAV) 2002 Taj Burrow (AUS) Melanie Bartels (HAV) 2001 Trent Munro (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2000 Kalani Robb (EUA) Layne Beachley (AUS) 1999 Taj Burrow (AUS) Andrea Lopes (BRA) 1998 Peterson Rosa (BRA) Pauline Menczer (AUS) 1997 Kelly Slater (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1996 Taylor Knox (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1995 Barton Lynch (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1994 Shane Powell (AUS) Wendy Botha (AUS) 1993 Dave Macaulay (AUS) – 1992 Damien Hardman (AUS) – 1991 Flavio Padaratz (BRA) – 1990 Bradley Gerlach (EUA) – 1989 Dave Macaulay (AUS) – 1988 Dave Macaulay (AUS) – 1982 Terry Richardson (AUS) – 1981 Cheyne Horan (AUS) – 1980 Joey Buran (EUA) – 1978 Cheyne Horan (AUS) – 1977 Daniel Friedmann (BRA) Margo Oberg (EUA) 1976 Pepê Lopes (BRA) – Vivo Rio Pro 2026 Round 1 (Masculino) 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 7.00 x Lucas Chianca (BRA) 6.432 Matthew McGillivray (AFS) 11.67 x 5.13 Luke Thompson (AFS)3 Weslley Dantas (BRA) 9.67 x Seth Moniz (HAV) 9.074 Eli Hanneman (HAV) 9.17 x Oscar Berry (AUS) 6.50 Round 2 (Masculino) 1 Jack Robinson (AUS) x Rio Waida (IND)2 Samuel Pupo (BRA) x Alan Cleland (MEX)3 Leonardo Fioravanti (ITA) x Weslley Dantas (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) x Jake Marshall (EUA)5 Connor O’Leary (JAP) x Morgan Cibilic (AUS)6 Gabriel Medina (BRA) x Matthew McGillivray (AFS)7 Griffin Colapinto (EUA) x João Chianca (BRA)8 George Pittar (AUS) x Joel Vaughan (AUS)9 Italo Ferreira (BRA) x Ramzi Boukhiam (MAR)10 Crosby Colapinto (EUA) x Kauli Vaast (FRA)11 Ethan Ewing (AUS) x Alejo Muniz (BRA)12 Kanoa Igarashi (JAP) x Cole Houshmand (EUA)13 Yago Dora (BRA) x Eli Hanneman (HAV)14 Marco Mignot (FRA) x Barron Mamiya (HAV)15 Filipe Toledo (BRA) x Callum Robson (AUS)16 Miguel Pupo (BRA) x Mateus Herdy (BRA) Round 1 (Feminino) 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 14.50 x 7.00 Vahine Fierro (FRA)2 Erin Brooks (CAN) 11.26 x 9.50 Anat Lelior (ISR)3 Nadia Erostarbe (ESP) 10.83 x 9.10 Yolanda Hopkins (POR)4 Isabella Nichols (AUS) 12.50 x 11.70 Francisca Veselko (POR)5 Tya Zebrowski (FRA) 8.67 x 7.33 Stephanie Gilmore (AUS)6 Brisa Hennessy (CRC) 12.00 x 7.16 Alyssa Spencer (EUA)7 Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Bella Kenworthy (EUA)8 Tyler Wright (AUS) x Tatiana Weston-Webb (BRA) Round 2 (Feminino) 1 Carissa Moore (EUA) x Anat Lelior (ISR) ou Erin Brooks (CAN)2 Lakey Peterson (EUA) x Stephanie Gilmore (AUS) ou Tya Zebrowski (FRA)1 Carissa Moore (HAV) x Erin Brooks (CAN)2 Lakey Peterson (EUA) x Tya Zebrowski (FRA)3 Molly Picklum (AUS) x Nadia Erostarbe (ESP)4 Caitlin Simmers (EUA) x Bettylou Sakura Johnson (HAV) ou Bella Kenworthy (EUA)5 Gabriela Bryan (HAV) x Sally Fitzgibbons (AUS)6 Caroline Marks (EUA) x Tyler Wright (AUS) ou Tatiana Weston-Webb (BRA)7 Luana Silva (BRA) x Isabella Nichols (AUS) ou Francisca Veselko (POR)8 Sawyer Lindblad (EUA) x Alyssa Spencer (EUA) ou Brisa Hennessy (CRC)

    Atendendo a um dos pedidos mais frequentes da comunidade, a Waves traz de volta os comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial.

    A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul. Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador. Clique aqui para ver a previsão das ondas Clique aqui para participar dos debates No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa. A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, assim como Lucas Chumbo, ambos anunciados como convidados do evento. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível. Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador. Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa. Previsão das ondas Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas. A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul. Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos. Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela. Cenário Feminino Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas. Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase. Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro. Muita história em Saquarema A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas

    Palco da etapa brasileira da elite mundial, Saquarema reúne tradição, ondas icônicas, torcida única e uma premiação inédita, que pode render quase R$ 750 mil aos campeões.

    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.

    A quinta etapa do Championship Tour da WSL chegou ao seu dia de encerramento neste sábado (13), nas ondas de Punta Roca, La Libertad, em El Salvador. Após uma breve pausa, o evento retornou com as quartas de final em um mar de boa formação, com ondas com pouco mais de um metro nas séries. O sábado em El Salvador terminou com um resultado histórico para o surfe europeu: Leonardo Fioravanti superou Italo Ferreira e se tornou o primeiro italiano a conquistar um título na elite mundial da WSL. Coroando uma campanha impecável, Fioravanti encerrou a competição sendo dono de três das cinco maiores notas de toda a etapa (9.00, 8.50 e 8.33). Apesar do vice-campeonato, Italo Ferreira deu mais uma prova de sua impressionante resiliência. Apenas dois dias antes do início da janela em Punta Roca, o potiguar sofreu um acidente no mar: foi atingido pela prancha de outro surfista durante uma sessão livre e precisou levar oito pontos no joelho direito. Mesmo assim, competiu em alto nível até o último dia. A grande decisão começou com Fioravanti ditando o ritmo ao abrir a bateria com um high score de 8.33. Italo tentou responder de imediato, mas a onda não ofereceu potencial e rendeu apenas 3.60. Consistente, o italiano logo somou um 6.17, abrindo uma vantagem confortável de 14.50 contra 5.33 do brasileiro. A oito minutos do fim, Italo incendiou a disputa. O potiguar encontrou uma excelente rampa, executou um aéreo perfeito e arrancou um 7.50 dos juízes. No entanto, Fioravanti não deu margem para a virada e, na sequência, cravou um 7.00 para selar o placar. Com 15.33 contra 10.90 do brasileiro, Leonardo saiu da água extasiado para celebrar a conquista inédita para a Itália. Com o resultado em El Salvador, Italo Ferreira garante a manutenção da cobiçada lycra amarela, seguindo na liderança do ranking mundial. Já o campeão Fioravanti dá um salto importante e assume a terceira colocação na corrida pelo título. Na final feminina, a pentacampeã mundial Carissa Moore (HAV) protagonizou uma final eletrizante contra a australiana Tyler Wright e conquistou seu segundo título consecutivo na temporada. Embalada pela vitória recente na etapa de Raglan, na Nova Zelândia, a havaiana mostrou frieza de campeã: encontrou a onda que precisava a menos de cinco minutos do fim e arrancou uma virada espetacular sobre a adversária. A bateria começou morna, com ambas as surfistas arriscando em ondas sem muito potencial. O ritmo mudou quando Carissa anotou um 5.50 em sua segunda tentativa. Tyler respondeu à altura, encaixando boas manobras para arrancar um 7.67. A havaiana não se intimidou e, logo em seguida, cravou a maior nota do confronto: um excelente 8.33. A seis minutos do fim, a australiana voltou a assumir a liderança ao marcar um 6.17. No entanto, mostrando toda a sua experiência, Carissa aproveitou os instantes finais para surfar uma onda decisiva de 6.77. Com a virada no apagar das luzes, a pentacampeã fechou o somatório em 15.10 contra 13.84 de Wright, garantindo a taça. Semifinais O clássico brasileiro entre Italo Ferreira e Gabriel Medina marcou as semifinais. Em uma bateria extremamente acirrada, o potiguar levou a melhor sobre o tricampeão mundial e, com o resultado, garantiu a manutenção da liderança do ranking. A disputa começou quente, com Medina abrindo com uma onda consistente. Combinando batidas e rasgadas, ele arrancou um 7.67 dos juízes. Italo respondeu à altura: encaixou bem na bancada, distribuiu manobras fortes e anotou 7.17. Na sequência, o potiguar arriscou um aéreo em uma nova onda e, mesmo sem completar a aterrissagem com perfeição, conseguiu os pontos necessários para assumir a liderança provisória da bateria. Sem se abalar, Gabriel surfou uma onda bastante técnica, rendendo um 5.67 e devolvendo-lhe a primeira posição. O clímax ficou para os seis minutos finais, quando ambos foram para o tudo ou nada em busca de notas maiores. Italo achou uma excelente onda, cravou 7.53 e virou o placar, somando 14.70. Medina lutou até o fim e ainda elevou seu somatório para 14.17, mas o tempo se esgotou, selando a classificação de Italo que, com o resultado, garantiu a lycra amarela (caso Medina vencesse o campeonato, ele assumiria a primeira posição do ranking). Na outra semifinal masculina em Punta Roca, Leonardo Fioravanti superou Kanoa Igarashi. O surfista japonês liderou boa parte da bateria, mas o italiano manteve o surfe sólido apresentado ao longo de todo o evento. Com uma reação decisiva nos minutos finais, Fioravanti alcançou o somatório de 12.00 e garantiu sua vaga na decisão. Abrindo as semifinais femininas, as havaianas Gabriela Bryan e Carissa Moore caíram na água para um duelo de alto nível. Gabriela começou melhor, anotando 6.50 e somando um 4.83 de backup. No entanto, Carissa Moore usou sua experiência para reverter o cenário: encontrou uma onda excelente, arrancou um 8.17 dos juízes e assegurou a classificação. Na segunda bateria feminina, as australianas Tyler Wright e Molly Picklum disputaram a última vaga para a grande final. Tyler assumiu a liderança logo no início com um expressivo 7.17. Molly chegou a assustar ao surfar a melhor onda do confronto, que lhe rendeu um 7.33, mas Tyler respondeu com um 6.73, fechou a conta e carimbou seu passaporte para a decisão. Quartas de final Dois brasileiros entraram na água neste sábado para as disputas das quartas de final: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Italo protagonizou um verdadeiro duelo olímpico contra o taitiano Kauli Vaast, atual campeão de Paris 2024. O brasileiro levou a melhor e avançou à semifinal com um placar de 10.67 contra 8.33. O confronto foi marcado pelo equilíbrio na metade da bateria, quando ambos surfaram ondas parecidas e executaram manobras semelhantes. No entanto, a execução de Italo foi superior, rendendo-lhe um 6.50 contra um 5.00 de Kauli, o que o colocou na liderança. A dez minutos do fim, o potiguar trocou sua segunda nota por um 4.17, enquanto o taitiano somou apenas 3.33. A bateria chegou ao fim com Kauli precisando de um 5.67 para a virada, mas sem sucesso. Já Gabriel Medina teve um

    Italiano Leonardo Fioravanti e havaiana Carissa Moore faturam etapa de El Salvador no Circuito Mundial. Italo Ferreira é vice e mantém liderança do ranking.

    Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

    Fernando "Fedoca" Lima reúne em livro mais de cinquenta anos de história vivida e câmera na mão. Do Píer de Ipanema a Pipeline, de Bob Marley aos Rolling Stones no Maracanã.