Pasti

Os iluminados

Chegamos à Austrália em agosto de 2010 com o pensamento na Indonésia. Nossa intenção era ficar por um ano na Ozzie, estudar, surfar, trabalhar pesado e levantar a verba para começar a busca. Um pouco antes de embarcar para a terra dos cangurus, assistimos ao filme Pasti – do diretor Rafael Mellin – e decidimos que iríamos conhecer aquele lugar mágico de qualquer jeito. 

 

Em 2007, passei três meses na Indonésia, surfei várias ondas diferentes, mas aquele pico no meio da Sumatra, com ondas perfeitas, sem crowd, comandado por três brasileiros casca-grossa, eu ainda não conhecia e me despertou certo desejo fazer parte da família.

 

Certo dia, navegando no Waves, vi uma matéria do Bruno Lemos sobre Pasti repleta de fotos, vídeos, comentários e depoimentos. Comentei com minha esposa Sheylla que seria um sonho vivermos naquela comunidade por algum tempo. Dois dias depois, o final de semana chegou. Era minha folga no trabalho e fomos ao show do Groundation em Byron Bay.

 

Partimos na primeira hora para aproveitar o dia e fazer um surf antes da balada. O show foi simplesmente alucinante. Estávamos na maior vibe: um dia de surf, uma regueira maravilhosa em uma noite linda. Depois do espetáculo, fomos dormir no carro para aproveitar o dia seguinte em Byron e apesar de exausto, não consegui pegar no sono. Então resolvi dar um rolê pela praia e Sheylla veio comigo. 

 

Ela vestiu o casaco dela e o meu por cima. Eu sai enrolado no cobertor mesmo. Andamos pela praia no frio da madrugada sem saber por que fazíamos aquilo. Paramos em uma roda de uma galera e ficamos por algum tempo curtindo o som do violão. 

 

Voltando para o carro, passamos por outros carros, trailers e motor-homes de pessoas que iriam passar a noite ali também. Entre eles havia um grupo de brasileiros. 

 

E lá estava Mario Pacheco, um dos sócios do Surfing Village, que reconheci por ter visto a matéria do Bruno dois dias antes, graças aos seus longos e chamativos dread locks.

 

Tudo aconteceu muito rápido. Nos apresentamos e perguntei como fazia para ir à Pasti. Ele respondeu dizendo que precisava de um casal lá e nos convidou para ser o tal casal. Topamos na hora e depois disso, ficou ainda mais difícil dormir. Passei a noite inteira sonhando acordado. No dia seguinte, compramos as passagens.

 

Fazia duas semanas que havíamos comprado um carro do meu brother Bruno Barretti. Ele foi muito gente boa, aceitou o carro de volta, devolveu a grana e ainda ficou com nossas malas de coisas que não iríamos usar na viagem. 

 

Então partimos para Sumatra com a passagem de ida, duas mochilas, algumas pranchas e sem noção nenhuma de quanto tempo iríamos ficar na ilha.

 

Os primeiros seis meses foram na baixa temporada e a convivência direta com os locais de um lugar tão maravilhoso trazia uma nova lição a cada dia.  Aprendemos muito com as dificuldades e curtimos momentos alucinantes em um lugar muito especial.

 

No começo da temporada – abril – começaram a entrar bons swells, a galera chegou e o Surfing Village passou a funcionar recebendo grupos de até doze pessoas por quinzena. Os caras precisavam de um cozinheiro e assumimos mais essa missão. 

 

Nunca tínhamos trabalhado na cozinha antes e de um dia para o outro, aprendemos a fazer almoço e janta para cerca de 20 pessoas diariamente. 

 

Tudo pelo amor ao surf e pela experiência de ficar por mais seis meses naquele paraíso, pegando altas ondas e conhecendo as pessoas incríveis que passaram pela ilha.

 

Confira no vídeo acima, os melhores momentos da temporada do casal Rafael e Sheylla Maduro em Pasti.

 

Foto de capa Ricardo Borghi

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