Quiksilver Pro

Tomas em terceiro

Tomas Hermes fica em terceiro lugar no Quiksilver Pro Gold Coast; Filipe Toledo e Michael Rodrigues dividem a quinta posição.

O catarinense Tomas Hermes bem que tentou, mas não conseguiu avançar à grande final do Quiksilver Pro Gold Coast, etapa de abertura do Championship Tour 2018. Depois de superar o compatriota Filipe Toledo nas quartas, o atleta de Barra Velha brigou até o fim com o australiano Adrian Buchan, mas foi eliminado e terminou a prova em terceiro lugar. O vencedor da etapa foi Julian Wilson, que na decisão superou o compatriota Adrian Buchan.

Durante o último dia, o mar apresentou séries acima de 1,5 metro, mas com formação regular e forte correnteza, dificultando bastante a escolha de ondas.

Na primeira bateria das quartas, o australiano Adrian Buchan fez uma boa apresentação e somou 6.33 e 7.17, contra apenas 1.07 e 1.43 do compatriota Owen Wright.

Em seguida, os brasileiros Tomas Hermes e Filipe Toledo tiveram muita dificuldade para encontrar as melhores ondas. Depois de se posicionar mais abaixo de Filipe, Tomas se deu bem e descolou 5.60 em um tubo, saindo com uma rasgada expressiva na sequência.

Filipinho não conseguiu se achar no outside, esperando bastante pelas séries, e até foi para o tudo ou nada nos instantes finais. Ele passou por uma seção rápida do tubo e tentou entubar novamente, mas a direita acabou fechando. Melhor para Tomas, que totalizou 8.73, contra 7.33 de Filipe.

“Estou muito feliz, este lugar é incrível e pena que a bateria foi contra um brasileiro”, disse Tomas Hermes. “O Filipe (Toledo) é um dos melhores surfistas no tour, todos apontam ele como forte concorrente ao título mundial, mas a bateria foi difícil, não entraram muitas ondas boas e acho que tive sorte de surfar o melhor tubo ali para vencer. Eu nunca tinha competido aqui, está difícil de se posicionar lá dentro, mas estou muito feliz em passar para as semifinais no meu primeiro campeonato no CT”.

A terceira bateria começou equilibrada, até o australiano Julian Wilson obter 8.17 e 6.27, deixando o brasileiro Michael Rodrigues em situação complicada, buscando 9.61 para reverter a situação.

O tempo foi passando e Julian administrou a prioridade, evitando que Michael investisse em alguma onda com grande potencial.

Veja a nota 10 de Griffin Colapinto nas quartas:

Na última bateria das quartas, o jovem norte-americano Griffin Colapinto levantou a plateia com a primeira nota 10 do evento. Griffin encontrou uma direita incrível e completou três seções tubulares, arrancando muitos aplausos do público em Kirra.

A semifinal não contou com muitas ondas e o brasileiro Tomas Hermes saiu na frente com uma onda avaliada em 5.17. O catarinense passou uma rápida seção tubular, mandou duas rasgadas e bateu na junção, mas foi derrubado pela espuma turbulenta logo depois de finalizar o ataque.

Logo atrás, o experiente Adrian Buchan respondeu com uma onda pesada, batendo no lip e entubando de backside, mas sem sair da fechadeira, o que rendeu 3.00 pontos ao australiano.

Depois de muita batalha em busca das ondas no outside, Ace Buchan arrancou uma nota 7.00 dos juízes em uma onda com um tubo rápido de backside e uma forte pancada na junção.

Na última onda, Tomas tentou a virada com um tubo numa onda intermediária, bastante espumada, mandando uma rasgada na saída e finalizando com uma batida na junção. Depois de muito suspense, o locutor anunciou uma nota 4.00 para o brasileiro, que buscava 4.84.

Na outra semi, Julian Wilson completou a festa australiana desbancando outro novato do Tour, o norte-americano Griffin Colapinto.

Ao término da segunda semifinal masculina, a World Surf League colocou o evento em espera e promoveu uma nova chamada, optando por dar sequência à 1:15h da madrugada (horário de Brasília).

Depois das semifinais da categoria feminina, os australianos Adrian Buchan e Julian Wilson foram para a água e a decisão já começou pegando fogo, com Julian arrancando 9.93 dos juízes em um tubo “quadrado”.

Não demorou muito para o atleta de Sunshine Coast aumentar a vantagem com 5.17. No decorrer da bateria, depois de ver Ace Buchan esboçar reação com 6.50, Julian voltou a aprontar e obteve 7.50, deixando o adversário em combinação.

Faltando cerca de 10 minutos, Ace pegou a sua melhor onda na bateria e diminuiu a diferença, passando por duas seções tubulares para descolar 8.60.

Com o resultado, Julian – que quase ficou fora da prova devido a uma lesão no ombro – soma 10 mil pontos no ranking da elite mundial, além de embolsar US$ 100 mil.

“Este é um sonho de criança que se tornou realidade: ganhar o Quiksilver Pro”, disse o surfista da Sunshine Coast, Julian Wilson. “Este é o evento mais próximo da minha casa e já vi muitos surfistas ganharem aqui desde que eu era bem jovem, então vencer aqui é muito especial para mim. Eu aprendi muito neste evento, com esta lesão no ombro e o nascimento da minha primeira filha. Honestamente, assistir o nascimento dela me deu uma força inacreditável para superar a dor no meu ombro durante todas as baterias. Minha esposa, Ashley, tem sido uma grande inspiração para mim, então dedico a ela esta vitória”.

Apesar da derrota na final, Adrian Buchan também ficou feliz pelo resultado, com o experiente surfista de 35 anos de idade começando bem a temporada, em segundo lugar no Jeep Leaderboard da World Surf League.

“Obviamente, você quer ganhar os eventos, mas estou feliz em ver o Julian (Wilson) vencer esse por tudo que está vivendo”, disse Adrian Buchan. “Eu sei o quanto ele tem trabalhado para aliviar as dores da sua lesão no ombro e se tornou pai na semana passada, então esta vitória certamente é muito especial para ele. Poder surfar aqui em Kirra bombando altos tubos só com uma outra pessoa na água, é simplesmente incrível. Eu acho que não poderia desejar nada melhor do que isso e saio daqui satisfeito com o meu desempenho e o resultado obtido”.

Quartas de final do Quiksilver Pro Gold Coast

1: Adrian Buchan (AUS) 13.50 x 2.50 Owen Wright (AUS)
2: Tomas Hermes (BRA) 8.73 x 7.33 Filipe Toledo (BRA)
3: Julian Wilson (AUS) 14.44 x 9.50 Michael Rodrigues (BRA)
4: Griffin Colapinto (EUA) 16.43 x 12.44 Michel Bourez (PLF)

Semifinais do Quiksilver Pro Gold Coast

1: Adrian Buchan (AUS) 10.00 x 9.17 Tomas Hermes (BRA)
2: Julian Wilson (AUS) 13.77 x 11.66 Griffin Colapinto (EUA)

Final do Quiksilver Pro Gold Coast

Julian Wilson (AUS) 17.43 x 15.10 Adrian Buchan (AUS)

Semifinais do Roxy Pro Gold Coast

1: Lakey Peterson (EUA) 11.00 x 8.33 Malia Manuel (HAV)
2: Keely Andrew (AUS) 7.50 x 6.77 Sally Fitzgibbons (AUS)

Final do Roxy Pro Gold Coast

Lakey Peterson (EUA) 15.67 x 5.67 Keely Andrew (AUS)

 

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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