J-Bay Open

Mick Fanning lava a alma

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Mick Fanning celebra a vitória em Jeffreys Bay. Foto: © WSL / Tostee.

 

O australiano Mick Fanning é o campeão do J-Bay Open 2016, etapa sul-africana do Circuito Mundial da WSL. Depois do fatídico incidente com um tubarão branco na final do evento no ano passado (Susto em J-Bay), ele lavou a alma, encarou todos os medos de frente, fez uma campanha impecável do início ao fim do evento e derrotou o havaiano John John Florence por 17.70 a 17.13 pontos na bateria decisiva do evento, para levantar o caneco. As ondas quebraram com cerca de 1 metro, vento terral e formação perfeita, porém com séries demoradas.

 

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Com a vitória, Fanning atinge a quinta posição do ranking e acumula 23.450 preciosos pontos, o suficiente para garantir sua permanência na elite em 2017, já que não irá competir esta temporada inteira, conforme anunciado no início do ano (Ano Pessoal). Em sua trajetória no dia decisivo, ele também venceu o compatriota Julian Wilson na semifinal e o brasileiro Filipe Toledo nas quartas.

 

“Esta vitória, definitivamente traz um sentimento muito diferente”, revelou Mick Fanning. “Tive uma verdadeira jornada emocional até voltar a competir aqui neste ano. A semifinal com o Julian Wilson foi muito especial e foi sensacional ter uma bateria com ele aqui novamente, isso me trouxe um monte de emoções de volta à tona. O mais especial foi surfar com ele lá fora e nós dois voltarmos seguros. Estou amarradão em voltar pra cá e corrigir tudo que aconteceu no ano passado. Agora que fiz isto, posso seguir em frente”.

 

Fanning chegou a ser dúvida no início do evento, quanto teve uma lesão séria no tornozelo dois dias antes do início da janela de realização (Australiano Sente o Tornozelo), mas soube aproveitar os dias de paralisação do evento para trabalhar com foco total na fisioterapia e recuperar-se até sua jornada rumo à final.

 

Esta é a 22ª vitória de Mick Fanning em etapas do Championship Tour e a quarta em J-Bay, fato que o iguala ao recorde de Kelly Slater nesta etapa. Esta foi também a quarta final consecutiva do australiano neste evento, sendo que as anteriores foram em 2011, 2014 e 2015, já que em 2012 e 2013 a prova não fez parte do calendário da elite.

 

“É irado estar em quinto lugar no ranking, mas realmente não estou ligando para os resultados neste ano”, confirmou Mick Fanning. “Eu só quero agradecer a todos que me acompanharam durante o ano passado. Eu recebi muito suporte e estou ansioso para comemorar. Neste ano me sinto bem mais leve e não estou em busca de um título mundial, então estou curtindo muito mais o meu próprio surfe e me divertindo muito. Surfarei em Trestles e acho que será meu último evento neste ano. Títulos mundiais não são o que há de mais importante na minha vida neste momento”.

 

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Mick Fanning surfa de maneira impecável durante todo o evento. Foto: © WSL / Kirstin.

 

O vice-campeão havaiano John John Florence não venceu o evento, mas subiu importantes degraus no ranking do Circuito Mundial e agora ocupa a segunda colocação pela primeira vez em sua carreira. A próxima etapa do Tour acontece no Tahiti e levando sua habilidade para tubos pesados em consideração, a distância em pontos para o líder Matt Wilkinson não é tão grande.

 

Florence, que esteve ausente no J-Bay Open do ano passado devido a uma lesão no tornozelo, derrotou o local Jordy Smith nas quartas de final e o australiano Josh Kerr na semi. Este também foi seu melhor resultado nesta etapa.

 

“Estou amarradão por estar de volta aqui neste ano e chegar em uma final, ainda mais contra o Mick”, comemorou John John Florence. “Não estive aqui no ano passado quando tudo ocorreu, mas ver Mick vencer depois de tudo isso é inspirador”.

 

“É muito bom subir para a segunda posição do ranking, mas não estou pensando muito sobre os pontos, me preocupo apenas em evento por evento. Estou realmente empolgado em relação aos que estão por vir. Eu sempre me divirto muito na segunda metade da temporada. Espero que tenhamos ondas grandes em Teahupoo e em Lowers as ondas mais perfeitas para manobras. Também quero me divertir na França e em toda perna europeia, mas mal posso esperar para competir em casa, em Pipe”, finalizou John John Florence.

 

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John John Florence é vice e sobe para a segunda colocação do ranking. Foto: © WSL / Cestari.

 

Durante a final, Mick Fanning começou com nota 7.17 na bateria, conquistada com manobras sólidas, mas Florence logo respondeu com um belo aéreo seguido de mais duas manobras agressivas, para ser recompensado com nota 8.50 e a liderança da bateria. O australiano encontrou a melhor onda do evento todo, e a mais consistente do dia também, para passar perto da nota máxima, com 9.93 pontos conquistados com manobras fortes, precisas e muita fluidez.

 

John John respondeu com um aéreo reverse a oito minutos do término, mas não foi o suficiente para reverter o resultado. Na última série do confronto, o havaiano conseguiu mais uma boa onda, na qual mandou dois potentes carves e mais um aéreo reverse, que lhe valeram 8.63, o suficiente para chegar perto, mas não para virar.

 

Julian x Mick – A revanche da final não terminada no último ano veio em forma de derrota para Julian Wilson na semifinal. “É um grande resultado para mim. Realmente tenho meu ano de volta aos trilhos. Estou muito feliz por ter feito esta semifinal contra o Mick. Eu só queria ter encontrado uma oportunidade e a onda certa, para ter chances de vencer”, disse Julian Wilson.

 

Brasileiros em ação – O campeão mundial de 2014, Gabriel Medina, ficou com a quinta colocação e foi eliminado nas quartas de final por Julian Wilson. O brasileiro começou com a liderança e abriu a bateria com uma excelente onda, que valeu 8.33 pontos.

 

Mais pra frente, Julian tomou a liderança com 10.83 pontos somados, mas logo Medina conseguiu uma segunda nota de backup e retomou a dianteira. A um minuto para o término, Julian precisava de 5.01 para vencer e encontrou uma onda que valeu 6.50. O brasileiro respondeu rapidamente, mas o placar não foi suficiente. Com este resultado, Gabriel Medina cai uma posição no ranking e ocupa agora a terceira colocação.

 

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Gabriel Medina fica com a quinta colocação. Foto: © WSL / Cestari.

 

“Todo mundo é difícil de ser batido e todos querem vencer”, analisou Gabriel Medina. “John John, Filipe, todos esses caras querem vencer. Tenho sorte por ter vencido meu título mundial há dois anos atrás. Espero que todos nós possamos nos manter lutando, o que torna as coisas mais emocionantes. É bom ver o John John e o Wilko indo bem, acho que o final do ano será emocionante”.

 

Filipe toledo teve um duelo pra lá de acirrado contra Mick Fanning nas quartas de final. O australiano começou forte com um 7.67, mas Filipinho demonstrou sua supremacia no jogo aéreo e sob a prioridade do adversário arrancou 8.67. Fanning respondeu com uma onda repleta de manobras de linha consistentes e no crítico, para ser pontuado com 9.27, assumindo uma liderança bem apertada, com apenas meio ponto de diferença na soma.

Na sequência, Fanning aumentou a distância com mais um 8.37 e deixou o brasileiro precisando de 8.98. Filipinho ainda teve a oportunidade da virada ao final, mas acabou caindo em sua última manobra e terminou o evento na quinta colocação, seu melhor resultado da carreira em J-Bay. Agora ele ocupa a 13ª colocação no ranking.

 

“Definitivamente este é um excelente resultado para mim”, comemorou Filipe Toledo. “Estou muito feliz por ter feito uma boa bateria contra o Mick. É sempre muito empolgante surfar contra ele. Agora treinarei ainda mais duro em busca de bons resultados. Estou indo para a Indonésia antes do Tahiti, logo depois do US Open. Devo ficar duas semanas por lá. Vou treinar muito para fazer o meu melhor no Tahiti e em Pipe”.

 

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Filipe Toledo tem bateria apertada contra Mick Fanning. Foto: © WSL / Cestari.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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