A promissora surfista australiana Sierra Kerr, de 18 anos, campeã mundial júnior de 2023 e filha do ex-Top do CT Josh Kerr, revelou ter sido diagnosticada com Doença de Lyme ativa, com envolvimento neurológico e gastrointestinal, após um período de oito meses de saúde debilitada e incertezas.
A condição é uma infecção bacteriana transmitida por carrapatos. Se não for tratada, pode causar complicações graves e permanentes no coração e no sistema nervoso, como arritmias, meningite e paralisia de Bell. Embora rara, pode ser fatal, mas possui alta probabilidade de cura com tratamento precoce e adequado.
“Os últimos oito meses foram uma jornada de saúde muito desafiadora para mim, mas finalmente tenho respostas e um caminho a seguir,” afirma Kerr. A notícia, divulgada pela própria atleta, põe fim a um longo calvário que a levou a diversas hospitalizações e dificultou sua capacidade de surfar. O diagnóstico correto encerrou um período de incerteza que incluiu um laudo inicial incorreto de Síndrome de Guillain-Barré e doença pós-viral.
“Tem sido um ano muito difícil para você. E o fato de eu ter estado ao seu lado durante tudo isso é o que me mostra a guerreira que você é. Mantendo sempre o sorriso e a positividade”, escreveu seu pai Josh Kerr.
Sierra relatou que os problemas de saúde começaram após o Mundial Júnior no início do ano, quando foi internada na Austrália com sintomas neurológicos e gastrointestinais que a deixaram tão fraca que mal conseguia andar ou levantar as pernas.

Apesar dos sintomas, a jovem surfista demonstrou resiliência. Mesmo sem um diagnóstico correto e lutando contra o mal-estar, ela conseguiu vencer o Stab High Japão e participou de três etapas do Challenger Series em Newcastle, na Austrália, Ballito, na África do Sul, e Huntington Beach, nos EUA.
Entretanto, após a etapa do US Open, na Califórnia, em agosto, o corpo de Kerr “desligou completamente” e os sintomas retornaram com força. Ela buscou mais ajuda e novos exames. A surfista mencionou que, de fevereiro a abril, ficou totalmente fora d’água, incapaz de ficar de pé na prancha.
Sierra conta que a Red Bull a ajudou a conseguir novos médicos nos EUA, onde, após novas internações, visitas à emergência e testes, finalmente recebeu o diagnóstico correto de Doença de Lyme ativa. A australiana agora trabalha com especialistas, fazendo fisioterapia e treinamentos leves. Ela já consegue surfar na maioria dos dias e jogar golfe, com moderação. No meio de tudo isso, Kerr conseguiu se formar no ensino médio e até começou a tocar bateria.
Confira pronunciamento completo da atleta:
A jornada de saúde dos últimos oito meses tem sido muito desafiadora para mim, mas finalmente tenho respostas e um caminho a seguir. Depois do Mundial Júnior, fiquei muito doente e fui hospitalizada na Austrália com sintomas neurológicos e gastrointestinais que dificultavam andar ou mesmo levantar as pernas, além de vários outros sintomas. Fui diagnosticada erroneamente com síndrome de Guillain-Barré e uma condição pós-viral. No início de outubro, fui diagnosticada com doença de Lyme com envolvimento neurológico e gastrointestinal.
De fevereiro a abril, fiquei completamente fora da água. Eu não conseguia ficar em pé em uma prancha de surfe. Em maio, comecei lentamente a me reabilitar para surfar novamente. Consegui competir no Stab High, em um ambiente controlado. Estava muito fraca, mas determinada a fazer um aéreo. Os médicos me disseram para continuar me esforçando, então surfei nos três primeiros eventos da Challenger Series, embora ainda estivesse extremamente fraca e doente. Após o US Open, meu corpo parou completamente de novo e todos os meus sintomas voltaram. Foi quando soube que precisava procurar mais ajuda.
Com o apoio e as recomendações da Red Bull, consegui ir a médicos e obter ajuda nos EUA. Depois de passar por internações, visitas à emergência, procedimentos e exames, finalmente encontrei respostas que fazem sentido. A única coisa agora é que, em alguns dias, me sinto quase normal e, em outros, não. O que torna tudo confuso e desafiador. Estar feliz, positiva, motivada e cercada de amor e apoio tem sido minha melhor terapia até agora.
Agora estou trabalhando com especialistas, fazendo fisioterapia e treinando levemente novamente, além de descansar. Estou ficando mais forte a cada dia. Consigo surfar na maioria dos dias, jogar golfe e fazer as coisas que amo, com moderação. No meio de tudo isso, me formei no ensino médio e até comecei a aprender a tocar bateria.
Sou verdadeiramente grata à minha família, amigos, patrocinadores, Surfing Australia e WSL por todo o amor, apoio e paciência.
Estou mais faminta do que nunca e confiante de que voltarei a ser eu mesma em breve. Tenho metas para os próximos meses que espero alcançar e não vou parar de trabalhar para atingi-las. Ainda tenho, mais do que nunca, alguns títulos mundiais em mente. Só preciso pular alguns obstáculos para chegar lá.