Layback Pro

Praia Mole recebe 14º QS

Etapa do QS 3000 na Praia Mole, Florianópolis, começa nesta quarta-feira (6). Evento é o 14° do Qualifying Series realizado no local.

A Prefeitura de Florianópolis apresenta o Layback Pro, que neste ano transforma a Praia Mole no principal palco de etapas do QS em Santa Catarina. A quarta edição do evento será o 14º QS da história na Praia Mole, superando os 13 da Joaquina. E pelo terceiro ano consecutivo, fecha a temporada da WSL South America, decidindo os títulos sul-americanos de 2023/2024.

Outra atração este ano é a estreia do Floripa Film Fest patrocinado pela Layback. A competição começa nesta quarta-feira (6), enquanto a exibição dos filmes de surfe inicia na quinta-feira (7) no Hotel Selina da Praia Mole.

A Layback foi criada pelo medalhista olímpico de skate, Pedro Barros, em Florianópolis. Nos últimos anos, é a marca do segmento que mais fomenta a realização de campeonatos de surfe e skate no Brasil. O Layback Pro estreou em 2021, acabando com um hiato de 11 anos sem nenhum QS na Praia Mole, onde o tricampeão mundial Gabriel Medina, conquistou a primeira vitória da sua carreira na WSL em 2009.

Santa Catarina é o estado que mais sediou etapas do QS no Brasil, 39 contra 35 do Rio de Janeiro. O circuito de acesso à elite mundial foi inaugurado na Praia da Joaquina em 1992 e a Praia Mole só entrou no calendário em 1998.

Vai ser o 31º QS na Ilha da Magia e o 40º em Santa Catarina. Ainda em Florianópolis, tiveram quatro etapas na Praia do Santinho. Outras duas aconteceram na Praia da Vila em Imbituba, duas também na Praia Brava de Itajaí, duas na Prainha de São Francisco do Sul, duas na Praia da Ferrugem em Garopaba e um no Farol de Santa Marta em Laguna. No Brasil, a Praia Mole agora só fica atrás da Barra da Tijuca, na capital carioca, que sediou 16 etapas do QS. O Layback Pro também realiza uma etapa do QS na Prainha do Rio de Janeiro desde 2022.

Nos três anos de história em Santa Catarina, o grande destaque é o cearense Michael Rodrigues, que há 12 anos mora em Florianópolis. Ele só participou das duas primeiras edições, pois em 2023 estava competindo no CT. Na Praia Mole, Michael só perdeu uma das 12 baterias que disputou, a da decisão do título de 2021, para o paulista Eduardo Motta. Em 2022, Michael Rodrigues foi campeão invicto, batendo o potiguar Alan Jhones na final. A sua outra única vitória no QS, tinha sido na Praia da Joaquina, em 2014.

Melhor da história – O título em 2022 foi consagrado com a única nota 10 e o maior placar da história do Layback Pro, 19.13 pontos. Michael já havia conseguido a maior nota, 9.17, da categoria masculina nas semifinais e são dele também os seis maiores somatórios nos três anos do campeonato: 19.13 pontos na final de 2022; 18.24 nas semifinais; 17.50 na sexta fase; 16.50 nas quartas de final; 16.33 na quarta fase também em 2022 e 16.30 que era o recorde de pontos de 2021. Michael Rodrigues ainda foi quem mais venceu baterias, 11, e quem somou mais pontos no ranking da WSL South America no Layback Pro, 3.400 em 2021 e 2022.

“Eu conheço muito bem a Praia Mole, amo competir nesse lugar e é uma alegria muito grande saber desses meus números no Layback Pro”, diz Michael Rodrigues. “Fico muito feliz, porque dedico muitas horas dos meus treinos na Praia Mole. É o meu lugar favorito, surfo ali há 12 anos, desde que passei a morar aqui na Ilha. Então, toda dedicação que coloco naquela onda, tem valido a pena e estou muito feliz em competir novamente na Praia Mole”.

Michael Rodrigues já está classificado para o Challenger Series 2024, então estará mais relaxado no Layback Pro, sem pressão por resultado. “Estou me preparando desde 4 de janeiro, então já estou na metade da minha pré-temporada e me sentindo muito bem. Estou ansioso por mais um evento em casa, poder estar na praia com minha filha, minha esposa, minha mãe, meus amigos. Será também um ótimo treino para o Challenger Series, que já estou classificado. Vai ser um evento pra retomar o ritmo de competição e espero conseguir mais um ótimo resultado na Praia Mole, porque já é um evento muito especial e importante pra mim”.

Fechando a temporada – O Layback Pro fecha a temporada da WSL South America pela terceira vez. O pernambucano Ian Gouveia e a catarinense Tainá Hinckel, que acaba de conseguir vaga para os Jogos Olímpicos de Paris em Porto Rico, lideram os rankings que vão decidir os títulos sul-americanos de 2023/2024 e os 7 homens e 3 mulheres classificados para o CS. Muitos surfistas têm chances matemáticas na briga pelos títulos sul-americanos, como pelas vagas no circuito de acesso para a elite.

Além de Michael Rodrigues, os outros dois campeões da história do Layback Pro, o paulista Eduardo Motta em 2021 e o defensor do título, o catarinense Luan Wood, estão confirmados para tentar um inédito bicampeonato na Praia Mole. Assim como as campeãs Laura Raupp em 2021, a peruana Daniella Rosas em 2022 e a cearense Silvana Lima, que no ano passado aumentou para sete o seu recorde de vitórias em etapas do QS no Brasil.

As melhores – Nos três primeiros anos do Layback Pro, 203 surfistas de sete países competiram nas 196 baterias da categoria masculina. Na feminina, foram 46 atletas também de sete países, disputando 53 baterias. Entre as mulheres, destaque para a peruana Daniella Rosas, tricampeã sul-americana da WSL South America. Ela confirmou a vitória em 2022 com a maior nota feminina do Layback Pro na Praia Mole, 9.33 pontos. Nas semifinais, já havia feito o maior somatório, 16.77 pontos. Daniella também foi quem ganhou mais baterias, seis das oito disputadas.

Já quem mais vestiu a lycra de competição do Layback Pro, foi a catarinense Laura Raupp, primeira campeã da história do evento com apenas 15 anos de idade em 2021. Ela disputou 11 baterias nos três anos, contra nove da paulista Sophia Medina, que aparece em segundo lugar. Mas, quem marcou mais pontos no ranking da WSL South America, foi a cearense Silvana Lima, 3.200 nas três etapas, seguida por Laura Raupp com 3.073.

Floripa Film Fest – Uma das atrações do Layback Pro esse ano é a estreia do Floripa Film Fest, um festival internacional de filmes de surfe de diretores consagrados no mundo do esporte e jovens produtores. Estarão presentes nos três dias do Festival, nomes de outros países como o australiano Dave Fox, o sul-africano Tao Farren, o espanhol Jon Aspuru, o francês Paul Lavoine, que se juntarão aos brasileiros Pepe Cezar, Loic Wirth, Giulia Panzetti, Henrique Pinguim, Anna Veronica, Duda Saracura, Ana Clara Felix, Bruno Zanin, entre outros. O Floripa Film Fest começa na quinta-feira e vai até o sábado, com mais de 30 produções sendo exibidas em um telão de mais de seis metros no Hotel Selina da Praia Mole.

A entrada neste cinema ao ar livre é gratuita, sendo só necessário cadastrar o nome e e-mail em uma lista do evento. São quase 20 horas de uma apresentação audiovisual sem precedentes na Ilha da Magia. Durante os três dias do Floripa Film Fest, paralelamente acontecerão exposições fotográficas, feira de marcas locais, mostra artística e muita festa com shows ao vivo. Na sexta-feira (8) tem a Festa Oficial do Floripa Film Fest no Layback Basement no próprio Hotel Selina, com o coletivo de Djs Bolachada Vinil assinando a curadoria sonora. Os ingressos para a festa já estão à venda.

Programação do Floripa Filme Fest na quinta-feira:
17h – In The Family of Things – por Nathan Oldfield com Dave Rastovich
2.a exibição: Blue Train – por Gui Sodré com João Chumbinho e Samuel Pupo
3.a exibição: Running Down a Dream – por Busy Surfing com Petterson Thomaz
4.a exibição: Otherwise – por Pedro Calado e Mateus Werneck

18h40 – Fábio Fabuloso – por Pedro Cezar, Ricardo Bocão, Antonio Ricardo, Julio Adler e Marcelo Viana com Fábio Gouveia

20h20 – Spicy Knives – por Jon Aspuru com Kepa Acero e Dane Gudauskas
2.a exibição: Mundaka Legendary – por Jon Aspuru
3.a exibição: Tempus – por Seventy com Dario Costa e Mr. Wolthers
4.a exibição: Beggining of The End – por Caio Faria com Jessé Mendes
5.a exibição: Tropicaliente – por Luan Mello com Caetano Vargas
6.a exibição: Que Haja Vento – por Bia Pinho com Brenno Brelviss

21h50 – Show do The Black Hole Jannitors – com Mickey Bernardoni

A Prefeitura de Florianópolis apresenta o Layback Pro na Praia Mole, uma realização da Agência Esporte & Arte (AEA) e Swell Eventos. A etapa do QS 3000 masculina e feminina, é licenciada pela WSL Latin America para a Layback Park fechar a temporada 2023/2024 com patrocínio da TVBShorts, Corona, Oakberry e Real Estruturas; apoio da Evoke, D’Vicz Sorvetes, MB Marketing e Eventos, Federação Catarinense de Surf (Fecasurf) e Associação de Surf da Praia Mole (ASPM); parceria de mídia do site Waves.com.br e produção da Firma na transmissão ao vivo pelo WorldSurfLeague.com.

Campeões das 13 etapas do QS na Praia Mole

Layback Pro 2023: Luan Wood (BRA) e Silvana Lima (BRA)
Layback Pro 2022: Michael Rodrigues (BRA) e Daniella Rosas (PER)
Layback Pro 2021: Eduardo Motta (BRA) e Laura Raupp (BRA)
2010: Aritz Aranburu (ESP) e Coco Ho (HAV)
2009: Gabriel Medina (BRA)
2005: Heitor Alves (BRA)
2004: Richard Lovett (AUS)
2003: Patrick Beven (FRA)
2002: Chris Davidson (AUS)
2002: Anselmo Correa (BRA)
2000: Trent Munro (AUS)
1999: Neco Padaratz (BRA)
1998: Jake Paterson (AUS)

Rankings regionais de 2023/2024
Top-10 Masculino depois de 10 etapas (são computados os 4 melhores resultados)

1 Ian Gouveia (BRA) 6.550 pontos
2 Mateus Herdy (BRA) 6.182
3 Cauã Costa (BRA) 5.055
4 Rafael Teixeira (BRA) 4.752
5 Edgard Groggia (BRA) 4.445
6 Luel Felipe (BRA) 4.395
7 Heitor Mueller (BRA) 4.171
8 Lucas Vicente (BRA) 3.942
9 Gabriel Klaussner (BRA) 3.575
10 Mateus Sena (BRA) 3.557

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Top-10 Feminino depois de 10 etapas (são computados os 5 melhores resultados)

Tainá Hinckel (BRA) 8.925 pontos
Sophia Medina (BRA) 7.145
Laura Raupp (BRA) 6.265
Isabelle Nalu (BRA) 5.487
5 Vera Jarisz (ARG) 5.322
6 Arena Rodriguez Vargas (PER) 4.723
7 Melanie Giunta (PER) 4.490
Naire Marquez (BRA) 4.078
Karol Ribeiro (BRA) 3.980
10 Kalea Gervasi (PER) 3.871

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Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Maconheiro. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.