De Volta Pro Futuro

De Penho ao Brazilian Storm

Bruno Alves escreve uma cronologia dos atletas que contribuíram para que o Brasil se tornasse uma das maiores potências do surfe mundial.

Hoje o Brasil é uma das maiores potências do surf mundial, temos dois campeões mundiais do circuito profissional da WSL, no CT, o Gabriel Medina (SP) e o Adriano de Souza (SP), e na época da publicação dessa matéria poderemos ter mais um título mundial com o Gabriel Medina, ou prestes a ter. Estamos dominando o QS, e temos uma geração de surfistas  quebrando tudo no CT.

Essa geração chamada “The Brazilian Storm” é uma assombração para os surfistas australianos, americanos e sul-africanos, que sempre dominaram o surfe.

Diante de todo esse cenário inimaginável no passado, fiquei inspirado a escrever uma cronologia dos competidores brasileiros que de alguma forma contribuíram para que o Brasil se tornasse uma das maiores potências do surfe mundial, numa época em que competir era bem mais difícil para os nossos heróicos “brazucas”.

Nessa trajetória, tive a honra de participar como espectador, e depois como repórter da Fluir e também como editor de revista, de alguns momentos importante dessa incrível história. Pretendo falar mais a respeito dos surfistas, mas frisando que essa história de sucesso foi construída também pelos empresários, shapers, associações, organizadores de eventos, pela mídia, principalmente as revistas, pelas prefeituras municipais, por pais e mães dos nossos competidores, enfim, uma grande soma vinda de todas as áreas atuantes e dedicadas ao surfe brasileiro. Esses surfistas que na raça saíam para competir no exterior são verdadeiros heróis e que fazem parte da história do surfe brasileiro.

A nossa história em competições internacionais se inicia há quase meio século, ou 49 anos atrás, mais precisamente em 1968, no Havaí, onde tivemos  a primeira notícia de um brasileiro representando o Brasil em um campeonato internacional de surfe.

Carlos Eduardo Soares, apelido Penho, carioca, apaixonado pelo surfe, saiu do Brasil em 1966 numa odisseia que demorou um ano e meio, para chegar no inverno de 1968 ao Havaí. Ele andou a pé, pegou carona, trem, ônibus, barco e iniciou sua jornada pelo Peru, passando pela América Central em guerra, até chegar à Califórnia, naquela época fervilhante com protestos nas ruas contra a guerra do Vietnã, os Black Phanters lutando por uma liberdade maior para a raça negra, e todo aquele movimento cultural da época.

Penho chegou às ilhas havaianas no inverno de 1968, onde pôde participar do International Surfing Championships em Makaha, sendo o primeiro brasileiro na história a competir num evento internacional, e fora do nosso país, o que rendeu até uma matéria em um jornal local de Honolulu.

Quanta coisa rolou de lá para cá, de Penho aos Brazilian Storm, e é importante que as novas gerações conheçam um pouco dessa trajetória.

Sete anos depois da participação do Penho no Havaí, o mundo era outro. A guerra do Vietnã já havia acabado, o mundo vivia o auge da cultura hippie, a Guerra Fria, e o surfe era considerado uma contracultura. Outro carioca participa de um campeonato em Makaha coincidentemente. Lourenço Ipanema, o Lari, que conheci no Havaí no inverno 75/76, conquistou nesse evento, o Lightning Bolt Makaha, um honroso sexto lugar, mas foi pouco divulgado esse feito.

Lembro do Lari ter passado no nosso hotel com um galera, inclusive estava o internacional AD do Guarujá, e projetaram um filme em super 8, com cenas daquele inverno de 75/76 do North Shore e trazendo s notícia desse feito. Os fatos eram divulgados no boca a boca, e não me lembro desse acontecimento ser noticiado em algum meio de comunicação, e nem na Brasil Surf, a primeira revista de surfe brasileira.

O Havaí era intenso nessa época, e os australianos empolgavam o mundo do surfe e incomodam os havaianos com os Bronzed Aussies (Australianos Bronzeados), uma equipe de surfe inspirada numa equipe australiana de três tenistas, composta por Ian Cairns, Mark Warren e Peter Townend, sendo que este último, em 1976, se tornou o primeiro campeão mundial da história pela circuito da IPS (International Professional Surf), organização fundada por Fred Hemmings e Randy Rarick. Adicionado aos Bronzed Aussies originais, Wayne “Rabbit” Bartholomew vem botar fogo no circo.

No mesmo inverno, um sul-africano chamado Shaun Tomson impressiona o mundo com surfe inovador, e mostra uma nova maneira de surfar Pipeline de backside e percorrer tubos em Off The Wall com movimentos na prancha dentro do salão. Havaianos incríveis como Gerry Lopez, Rory Russell, Jeff Hakman, Buttons, Dane Kealoha, Owl Chapman, Larry Bertleman, entre outros, era a balança para o lado havaiano, enquanto americanos como Jeff Crawford, da Flórida, e Mike Purpus e Jackie Dunn, da Califórnia, vinham do continente deixar mais eletrizante o inverno de 1976, quando pude estar lá com muito orgulho.

Um ano depois, no inverno 76/77, também no Havaí, o carioca Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, mais conhecido como Pepê, surfista de extremo talento, apareceria para o mundo quando conseguiu um feito inacreditável, chegar à final do Pipe Masters em Pipeline, Havaí, no meio de surfistas incríveis. Ele, que havia conquistado um importante terceiro lugar no primeiro internacional do Rio em 1975 e vencido em 1976 o primeiro Waimea 5000 no Rio de Janeiro, sendo o primeiro brasileiro a ganhar um evento internacional na própria casa, e em razão dessas conquistas convidado a competir no Smirnoff 1977 em Sunset Beach, Havaí, onde não se deu muito bem e foi eliminado na primeira fase.

Depois da derrota, ele ficou surpreso ao ser convidado a competir no Pipe Masters em Pipeline, e com apenas 17 anos de idade. Na sua primeira chave eliminatória, teve de enfrentar Rory Russell, Peter Townend, o atual campeão mundial, Jeff Crawford, local da Flórida e especialista em Pipeline, outro australiano integrante dos Bonzed Aussies, Mark Warren, e o cara que se sagraria campeão mundial naquele ano, o sul-africano Shaun Tomson. Pepê foi segundo, com Rory Russell em primeiro. Na final, ele ficou com um honroso sexto lugar numa bateria em que todos eram especialistas em Pipeline, isso com apenas 17 anos.

Essas participações e conquistas iam lentamente abrindo as portas para o Brasil.

Ainda em 1977, o também carioca Daniel Friedmann venceu o Waimea 5000 na cidade do Rio de Janeiro, evento patrocinado por uma loja carioca que levava o mesmo nome do evento. Estive lá como espectador e pude ver os melhores surfistas do mundo no Arpoador e depois no Quebra-Mar, numa época em que o nosso Brasil era muito tranquilo e seguro, apesar de vivermos na ditadura militar.

Digo isto porque fomos num Chevette em quatro pessoas e dormimos na estrada, via Dutra, e já no Rio ficamos tranquilos e em nenhum momento eram noticiados assaltos e coisas absurdas que ouvimos hoje em dia. Numa ocasião, chegamos a armar a barraca para dormir no Pepino, em frente à favela da Rocinha, e foi bem tranquilo.

Daniel venceu com maestria o evento internacional, batendo grandes surfistas e ídolos internacionais como Allen Sarlo, Terry Richardson, Cheyne Horan, David Balzerack, Joe Buran, Cheyne Horan, entre outros. Na época, Daniel já era patrocinado pela US Top, uma marca top de jeans.

Ainda nos anos 70, mais brasileiros saíam para competir no exterior representando o País, seja no Havaí ou Austrália, mas sempre eram ações isoladas e sem muita repercussão na imprensa, e como disse, na raça, mas nem por isso eram menos valiosas. Eram atletas talentosos e com muita disposição e determinação. Surfistas como Daniel Friedmann (RJ), Cauli Rodrigues (RJ), Rico de Souza (RJ), Ricardo Bocão (RJ), Paulo Tendas (SP), Otávio Pacheco (RJ), Paulo Proença (RJ), Ianzinho (RJ), Valdir Vargas (RJ), entre outros, freqüentemente competiam representando o nosso país.

Quando estive na Austrália, no verão de1979/80, alguns australianos de Manly Beach vieram comentar comigo sobre o Daniel Friedmann, que o viram competindo na Gold Coast e impressionou muito a todos, pelo estilo e competitividade. Isso, para mim, um surfista brasileiro, era motivo de orgulho.

Uma ressalva a Rico de Souza, que além de ser muito respeitado no Havaí, era um cara que soube explorar bem o marketing próprio, e foi o único surfista brasileiro – me corrijam se eu estiver errado – a ter o patrocínio da Rede Globo, isso nos anos 70.

Ainda nos anos 70, o paulista Luis Feio Sala venceu um evento internacional na categoria Junior em La Pambilla, no Peru, sendo o primeiro brasileiro de que se tem notícias a ganhar um evento internacional fora do Brasil, embora Junior.

Em 1979, nos veio a informação, tudo no boca a boca, que criou um grande frisson na comunidade do surf brasileiro, de que o talentoso carioca Valdir Vargas conseguiu chegar em nono lugar num evento nível A da IPS em Bells Beach, Austrália, e ainda surfando de backside. Depois do Pepê em Pipeline, talvez o segundo grande resultado de brasileiros no exterior em eventos da elite do surfe.

Os anos 80 pareciam promissores. Os brasileiros estavam viajando para competir cada vez em número maior, com melhores patrocinadores, principalmente na Austrália, Havaí e África do Sul. Apesar de os patrocinadores geralmente pagarem ao surfista para competir numa etapa ou outra do circuito, o brasileiro dificilmente competia em todas as etapas, e a grande maioria dos surfistas brasileiros colocava dinheiro do próprio bolso para competir lá fora.

Em 1983, Otaviano Bueno, o Taiu, morando no Havaí, trabalhando como Padcab, conseguiu na raça se inscrever e conseguir um brilhante sétimo lugar no Sunset Pro Classic Trials, além de competir no World Cup e alguns campeonatos de verão em AlaMoana.

Nessa época, o nome brasileiro mais assíduo e respeitado nas competições internacionais era o carioca Roberto Valério, um surfista talentoso e um empresário visionário que investiu muito no esporte. Seus melhores resultados foram no início até o meio dos anos 80, dentre vários, foram o 5o lugar no World Cup em Haleiwa, 7o lugar no World Cup em Sunset, 9o lugar no Pro Class Trials, e 11o lugar no Billabong Pro e o quinto lugar em 1982 no Renault Pro em Durban na África do Sul, um feito inédito até então, ficar em quinto lugar em um evento da ASP (antiga IPS) no exterior, batendo no homem a homem, nada mais nada menos do que o hot local Martin Potter.

Em março de 1984, ocorreu um fato inédito no surfe nacional. Foi a primeira vez que o Brasil enviou uma equipe de surfe organizada, com uniforme, coach, patrocinador e um fotógrafo para um evento internacional de equipes, no Peru, em Punta Hermosa, onde tive a felicidade de ser o repórter. A equipe era composta pelos paulistas Tinguinha Lima e Paulo Rabelo e os carioca Fred Dorey e Rosaldo Cavalcanti na categoria principal; e os paulistas Paulo Kid e Kemel Adas Neto, o Nê, na categoria Júnior. O técnico era o paulista Piva de Albuquerque. A nossa equipe fez bonito, ficando em terceiro lugar na colocação geral, atrás da Austrália e Estados Unidos, num embate com surfistas de peso como os australianos Simon Law e Mark Sainsbury (in memorian), que viria se tornar campeão mundial amador, o americano da Flórida Richard Rudolph e o peruano Magoo de la Rosa. Nesse evento, Fred Dorey (RJ) deu um show em Señoritas, ficando em terceiro nessa etapa, enquanto o Paulo Rabelo (SP) deu um show em Punta Rocas e Caballeros.

Em julho de 1984, o surfe brasileiro atingiu um novo patamar, abrindo mais ainda as portas que nos levava lentamente à consolidação do surfe profissional, e esse fato foi o envio para competir na perna da África do Sul da nossa maior estrela, o paulista Alexandre Salazar, o Picuruta, e eu como fotógrafo e redator, numa ação conjunta com a Revista Fluir, lojas Star Point, as lojas Ronjon e apoio da South Africa Airlines. Enquanto o Picuruta seguia para a África comigo, o surfe brasileiro lá fora vivia a sua maior crise. Alguns surfistas brasileiros passaram a ser mal vistos pela comunidade internacional, porque naquela época iam aos eventos vender drogas, e alguns até competiam nas triagens, e isso manchou forte a reputação dos nossos atletas, e quem queria trabalhar e competir com profissionalismo era visto com uma certa desconfiança. Eu mesmo tentei comprar uma foto na Austrália, do Davizinho Husadel, com o renomado fotógrafo australiano Peter Crowford, e ele me disse de forma sumária: “Pague antes que te dê a foto, não confio em brasileiros, são tudo uns cheiradores”. Lastimável!

As atuações do Picuruta em 84 e 85, na África, e óbvio, de Valério, mostraram ao mundo internacional do surfe que no Brasil existe gente séria, que existia uma revista de surfe, e principalmente, que existiam surfistas no nível dos melhores do mundo. Em dois anos seguidos em que estivemos na África, o Picuruta tirou um quinto lugar no Gunston 500, perdendo por 3×2 para o campeão do evento e campeão mundial Tom Carroll, tirou outro quinto no Renault Pro, um nono no Spur Steak em Cape Town e um outro 17º lugar no Gunston 500, e o brilhante oitavo lugar no Instinct Super Series 85, que é como um Grand Slam da perna sul-africana com seu três eventos, despachando feras brabas como Willy Morris, Jim Hogan, Mike Burness, entre outros.

Em dois anos, o Alex, como era chamado pelos gringos, virou um cara respeitado por todos que o cumprimentavam na praia e o chamavam pelo nome, inclusive o próprio Carroll veio falar comigo para que o levasse para morar na Austrália devido ao seu enorme talento. Picuruta também deixou sua marca em Jeffreys Bay ao transpor todas as seções da onda, enterrando sua prancha na areia, e isso foi histórico, repetindo o que o Simon Anderson fez alguns dias antes durante o campeonato Country Feeling. O incrível é que no primeiro ano ele levou apenas uma prancha de surfe feita pelo seu irmão Almir Salazar. Se Picuruta tivesse na época um patrocínio que o bancasse em todo circuito mundial, um quiver de pranchas para diversos tipos de onda, facilmente naquela época ele seria um Top 16 e um sério candidato ao título mundial, pois seu talento era invejável.

Além de Picuruta e Roberto Valério, outros brasileiros representaram o Brasil no exterior nesse período, dentre eles Fernando Bittencourt (RJ), Dadá Figueiredo (RJ), Marcelo Boscoli (RJ), Antar Teixeira (Es), Fred Dorey (RJ), Felipe Dantas (RN), Mauro Pacheco (RJ), Gui Mattos (SP), Rogerio Izetti (RJ), Italo Marcelo (RJ), Lipe Dylong (RJ), Fernando Cunha (RJ), Gui Mattos (SP), Xan Brandi (SP), Luis Feio Sala (SP), Ferrugem Baltazar (RJ), Rodolfo Lima (RJ), Lula Menezes (RJ), João Maurício Jabour (RJ), Luís Lovasz (RJ) entre muitos outros. Este último foi o único participante brasileiro na primeiro etapa do circuito da ASP Inland, longe de mar, numa piscina de ondas, em 1985 na Pensilvânia (EUA), onde estive como repórter.

Apesar das conquistas, o universo do surfe no exterior ainda parecia tão distante da nossa realidade. O nível dos competidores internacionais era altíssimo, tirando algumas exceções,  chegava a destoar do nível do surfe dos brasileiros. A Fluir sempre focou o surfe de forma global, e chegou a publicar, em 1984, uma entrevista que fiz com o Tom Carroll e outra com o Martin Potter, além de uma matéria com os Top 16 internacionais, e por causa desta reportagem fomos muito atacados em editorial por uma outra revista de surfe, que escreveu que nós babávamos ovo de gringos. A Fluir não podia se envolver nisso, pois tinha uma missão maior, que era divulgar o que acontecia no mundo do surfe no exterior, e isso foi de uma colaboração inestimável para o surfe brasileiro. A prova veio alguns anos mais tarde, quando ganhamos em Turtle´s Bay, no Havaí, o prêmio inédito no Brasil, o The Best Print Mídia, oferecido pela ASP.

Na sequência, em março de 1986, acompanhei o campeão brasileiro, o catarinense David Husadel, na perna australiana, o Australian Grand Slam. Husadel venceu o OP Pro Joaquina em janeiro de 1986 e ganhou como prêmio uma passagem para competir na Austrália. Ele teve uma participação razoável na sequência de eventos, que se iniciou em Burleigh Heads, no estado de Queensland, depois foi para Cronulla, Sidney, no estado de NSW, e por fim em Bells Beach, Torquay, no estado de Victoria.

Eu, David e Avelino Bastos e um amigo, o André, fizemos todo o percurso de carro acompanhando as etapas. Se o Davizinho não arrasou nas competições, e tinha surfe para isso, no free surf ele arrepiou, e foi contemplado com a capa do jornal Tracks num big Shark Island na melhor onda do dia em que disputou na remada no pico com Gary “Kong” Elkerton. André também teve uma foto publicada na página central da revista Surfer, e na edição especial de pôster da Surfer, por conta de uma onda que pegou de backside em Shark Island.

Nessa viagem, encontramos alguns brasileiros nas competições, dentre eles Roberto Valério (RJ), Lula Menezes (RJ) e João Mauricio Jabour (RJ).

Competidores isolados de todo o País estavam competindo por todo o mundo durante esta fase e nem tenho como enumerar e classificar todos eles, mas nada de destaque, e na verdade estávamos esperando uma grande notícia, que não vinha. Depois do Picuruta, surgiu uma lacuna.

A boa notícia veio em 1987, um grande acontecimento eletrizou o surfe do Brasil, que era o campeonato Hang Loose Pro, que recebeu em peso toda a elite do surfe mundial num campeonato histórico, com ondas perfeitas, grandes com sol e terral. Esse evento, que aconteceu na praia da Joaquina (SC), graças à visão do empresário Alfio Lagnado, era o que estávamos precisando, e desde o último Waimea 5000 de 1978, vencido pelo australiano Terry Richardson, o Brasil não recebia um evento internacional. Para o surfe brasileiro, aquilo era um sonho. Surfistas como Tom Carroll, Mark Richards, Shaun Tomson, Mark Ochilupo, nas águas da Joaquina, mostrando um surfe que só podia ser acompanhado em filmes e revistas, era surreal e isso com certeza nos ajudou muito para a continuidade da evolução do surfe do Brasil.

Em 1988, mais um marco importantíssimo do surfe brasileiro, a vitória inédita do paraibano Fábio Gouveia no Mundial Amador em Porto Rico, na praia de Wilderness, e o terceiro lugar do carioca Rodrigo Resende, que no futuro se tornaria campeão mundial de ondas gigantes em Todos os Santos, no México. Na categoria Junior, outro carioca, Fernando Graça, conseguiu um incrível segundo lugar. Além dos brilhantes resultados individuais, o Brasil ficou em terceiro lugar na classificação geral por equipes, que foi coordenada pelo técnico Marcos Conde.

Definitivamente o Brasil se consolida, vira uma nação mais respeitada e a imagem mal desenhada no passado começa a mudar. A Fluir, com o seu fotógrafo e repórter Beto Issa, esteve lá fazendo toda a cobertura do evento histórico. O mundo do surfe passava a ter um campeão mundial amador brasileiro, e pela primeira vez não era um americano, havaiano ou australiano. Quando Beto chegou na redação com as imagens e descrevendo os fatos, foi extremamente emocionante para todos nós e a Fluir, com exclusividade, publicou a matéria, o que causou um impacto muito grande na comunidade do surfe. Na época não existia internet e a televisão brasileira pouco divulgava o esporte, então as revistas de surfe tinham um papel fundamental para a disseminação das notícias.

Foi em 1989, com outra atitude despojada de Alfio Lagnado, dono da Hang Loose, que o Brasil decola de vez e sobe mais um grande degrau, e escancara a porta que começou a ser aberta por Penho, em 1968, ao patrocinar o paraibano Fábio Gouveia e o catarinense Teco Padaratz no circuito mundial. Com essa visão, tivemos, pela primeira vez na história, surfistas brasileiros entre os top 16 do circuito mundial de surfe profissional da ASP(Association of Surfing Professional) e surfistas brasileiros subindo no lugar mais alto do pódio, desbancando feras como Tom Curren, Kelly Slater, dentre outros.

O catarinense Teco Padaratz chegou a ser, em 1994, o oitavo melhor surfista do mundo no ranking do WCT, e nesses anos que correu o Tour, chegou a vencer uma etapa na França, o Rip Curl Pro Landes 1994, e uma no Brasil, na Barra da Tijuca, o Alternativa Pro 1991. Ele também obteve três vice-campeonatos, o Gunston 500, em 1989, na África do Sul (perdeu para Brad Gerlach); o Alternativa Pro, em 1990, na Barra da Tijuca (perdeu para Brad Gerlach); e o Rip Curl Bells  Beach 2000, na Austrália (perdeu para Sunny Garcia).

Teco foi o primeiro brasileiro a derrotar Kelly Slater em uma final de WCT – durante 16 anos, o único a fazê-lo, até Jadson André igualar o fato em Imbituba, no Brasil. Por outro lado, o paraibano Fábio Gouveia, no World Qualifying Series, o WQS, foi vice-campeão em 1993 e campeão em 1997. Ele conquistou sete vitórias entre 1993 e 2002 (três delas no exterior) e foi o primeiro brasileiro top 16 em 1991, feito que repetiu três vezes após a criação do WCT. Ele ficou em quinto lugar no ranking  no ano de 1992, o que o torna um pioneiro, pois, além do primeiro campeão amador brasileiro, foi primeiro a ser top 16 e o primeiro a ser quinto do mundo. Fabinho venceu quatro etapas do Tour nos anos que competiu, subindo no lugar mais alto do pódio no Brasil 1990, no Hang Loose Pro, na praia do Maluf, Guarujá; no Havaí, em 1991, no World Cup Sunset; numa piscina de ondas no Japão, o Marui Pro 1990, e também o Arena Surf Masters 1991, na França, em Biarritz, dando voltas em Pottz.

Não só os garotos da Hang Loose estavam fazendo bonito no Tour, como também toda uma nova geração que mostrava na água, e fora da água, que o surfista brasileiro tinha talento, postura e profissionalismo, e que o surfe brasileiro estava se organizando cada vez mais.

Outros surfistas competiam também no circuito mundial com ótimos resultados e boas performances, com destaque para Guilherme Herdy (RJ), Tadeu Pereira (SP), Renan Rocha (SP), Piu Pereira (SP), Joca Jr (RN), Fernando Graça (RJ), Ricardo Tatuí (RJ), que venceu uma etapa na França, Jojó de Olivença (BA), que chegou a ser vice-campeão do mais badalado campeonato, o OP Pro de Huntington Beach, perdendo para o havaiano Sunny Garcia na final, Peterson Rosa (PR), que venceu etapas, Piu Pereira (SP), Tinguinha (SP), Victor Ribas (RJ), que também venceu etapas, e chegou a ficar em terceiro no ranking mundial, melhor classificação do Brasil no WCT masculino até Gabriel Medina tornar-se campeão.

#tbt ??#pipemaster?? #10pointride ? #pipeline ? #greatmemories❤️ @serieaofundo

Uma publicação compartilhada por Renan Rocha (@renanrochaaa) em

A partir daí, a última vitória brasileira em etapas no Tour, antes do fenômeno Brazilian Storm, foi de Neco Padaratz (SC) na França, em 2002, inclusive ele bateu Andy Irons no auge e isso foi muito significativo. Depois dessa vitória, o Brasil só foi subir ao topo do pódio em 2008, com Bruno Santos, no Tahiti, como convidado do evento.

Depois desse feito, o Brasil fica num vácuo que só foi quebrado com a primeira semente do Brazilian Storm, com Adriano de Souza (SP), nosso “Capitão Nascimento”, que vence uma etapa na Espanha em 2009, e logo a seguir, com Jadson André (RN), que venceu uma etapa no Brasil, em Imbituba (2010), e Raoni Monteiro (RJ), em Sunset, Havaí, em 2010.

Como não podia ficar de fora, as mulheres tiveram sua contribuição com essa história, lembrando que, em 1991, tivemos o ingresso da primeira brasileira no circuito mundial, Andrea Lopes, que conquistou, em 1999, o título pan-americano. Em 1993, a cearense Tita Tavares torna-se campeã do mundial amadora na Venezuela, e em 1995, vice-campeã no mundial amador. Depois desses resultados, passou para o surfe profissional. Foi a primeira mulher a tirar nota 10 no mundial feminino do WQS, em 1996. Em 2001, Jacqueline Silva, de Santa Catarina, vence o WQS Em 2002, Jacque torna-se vice-campeã mundial, um feito histórico entre homens e mulheres. Ninguém havia antes, no surfe brasileiro, chegado tão perto de um título mundial da categoria de elite.

No ano de 2003, outra brasileira, a cearense Silvana Lima, ingressa no circuito, e em 2008 e 2009 se torna vice-campeã mundial atrás da australiana Stephanie Gilmore. Ela saiu da elite e voltou com tudo no CT depois de vencer em 2016 a etapa do QS 6000 Feminino, e o circuito de acesso à categoria principal. Em 2017, venceu de forma inédita a etapa de Bells Beach, Austrália.

Voltando ao masculino, depois da vitória de Mineirinho (SP), Jadson André (RN) e Raoni Monteiro (RJ) chancelando o Brazilian Storm, a história já é bem conhecida e noticiada por toda mídia e internet e mídias sociais, com surfistas como Gabriel Medina (SP), Filipe Toledo (SP), Mineirinho (SP), Caio Ibelli (SP), Jadson Andre (RN), Italo Ferreira (RN), Ian Gouveia (PE / SC), Wiggolly Dantas(SP), Miguel Pupo (SP), que compõe a elite do Brazilian Storm, e hoje sem dúvida, fazem do Brasil uma das três maiores potências do surfe mundial, por isso devemos prestar uma homenagem a guerreiros como Penho e todos citados neste artigo, que numa época do surfe profissional brasileiro, pobre e primitivo, depois nem tanto, com seus esforços, raça, auto patrocínio, humilhação e dedicação, cada um com sua contribuição específica e pessoal, ajudou a construir a história do surfe profissional brasileiro que hoje chegou a um patamar inimaginável naquela época.

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    O surfe brasileiro se despede de um de seus personagens mais originais. Dávio Correia Figueiredo, o Dadá Figueiredo, morreu no último sábado (24), aos 61 anos, deixando um legado que ultrapassa as conquistas nas competições. O carioca ajudou a transformar não apenas a maneira de surfar, mas também o comportamento e a identidade de uma geração. Segundo informações de amigos próximos e familiares, Dadá estava internado para tratar uma infecção pulmonar. Reportagens posteriores apontaram complicações de uma pneumonia, mas detalhes médicos sobre as circunstâncias da morte não foram oficialmente esclarecidos. Rebelde, provocador e dono de um estilo explosivo, Dadá surgiu em uma época em que o surfe brasileiro ainda construía sua identidade competitiva. Nas décadas de 1980 e 1990, suas batidas verticais, rasgadas potentes e manobras inspiradas no skate surpreendiam o público e, muitas vezes, os próprios juízes. Enquanto muitos surfistas seguiam linhas tradicionais, Dadá buscava explorar os limites das ondas. Sua postura radical e sua personalidade irreverente fizeram dele uma referência dentro e fora da água. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Um revolucionário nas ondas Nascido no Rio de Janeiro, Dadá cresceu na Tijuca e desenvolveu uma ligação intensa com o skate antes de transportar parte dessa influência para o mar. A combinação de velocidade, explosão e movimentos verticais ajudou a antecipar características que se tornariam comuns no surfe profissional anos depois. Em janeiro de 2005, o jornalista Fabrício Fernandes publicou no Waves a reportagem “Dadá, o anti-moda”, um retrato de sua personalidade e de sua importância para o esporte. Na matéria, Fernandes descreveu como Dadá executava manobras que só ganhariam espaço no circuito mundial anos depois, citando movimentos como laybacks, re-entries e off-the-tops verticais. O jornalista também apontou sua influência sobre surfistas como Neco Padaratz, Léo Neves, Binho Nunes e Raoni Monteiro, representantes de uma geração que ajudou a consolidar o surfe brasileiro no cenário internacional. Dadá era uma atração à parte nos campeonatos. Sua presença nas baterias despertava expectativa entre os espectadores, que acompanhavam suas manobras com entusiasmo, mesmo quando o julgamento não refletia o impacto de suas apresentações. O carioca conquistou o título estadual em 1989 e venceu o Sea Club Final Heat, realizado em Saquarema, no mesmo ano. Em 1993, foi escolhido pelos leitores de uma revista especializada como o melhor freesurfer do Brasil, reconhecimento que demonstrava sua popularidade para além das competições. Embora nunca tenha conquistado o título brasileiro profissional, esteve durante cinco temporadas consecutivas entre os 16 melhores do ranking da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional). A final histórica contra Picuruta Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira aconteceu em maio de 1988, durante a final do Niasi/Tribuna FM, disputada no Canto do Maluf, na praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Dadá enfrentou Picuruta Salazar em uma bateria marcada por manobras radicais e uma decisão apertada dos cinco juízes. O santista venceu por 3 a 2, mas o resultado provocou discussões sobre os critérios de julgamento. Décadas depois, em março de 2023, o jornalista e editor Alceu Toledo Junior recuperou a história na reportagem “Picuruta 3 X 2 Dadá”, publicada no Waves. Alceu, que acompanhou a bateria da areia, contou que o equilíbrio entre os dois surfistas era tão grande que considerava o empate um resultado justo. Seu relato destaca a potência das manobras de Picuruta e a capacidade de Dadá de aproveitar as ondas desde o outside até a beira. A reportagem inclui imagens da final e preserva um capítulo importante da história do surfe brasileiro, contado por quem testemunhou a disputa. Punk, anti-moda e contracultura Fora da água, Dadá também desafiava convenções. Influenciado pelo punk rock e pelo hardcore, adotou uma estética que contrastava com o visual tradicional do universo do surfe. Cabelos ousados, roupas escuras, atitudes provocadoras e críticas ao comportamento da indústria fizeram parte de sua identidade. Dadá rejeitava padrões e fazia questão de demonstrar sua independência. Essa personalidade também se manifestou na música. Foi baixista da banda punk Os Normais e participou da criação de marcas como Anti-Fashion e Necrose Social, levando sua visão alternativa para o vestuário. Em um período de crescente profissionalização do surfe, Dadá representava uma forma diferente de viver o esporte. Suas atitudes despertavam admiração e controvérsia, mas dificilmente passavam despercebidas. Seu impacto também chegou aos novos talentos. Alexandre Almeida, o Dadazinho, recebeu uma prancha de Dadá no início da carreira e adotou o apelido em homenagem ao ídolo. O episódio foi registrado pelo Waves na reportagem “Dadazinho Almeida busca o bi no Carioca 2004”. Os desafios e a reconstrução A trajetória de Dadá também foi marcada por períodos difíceis. O abuso de álcool e drogas comprometeu sua carreira e trouxe consequências pessoais e profissionais. O próprio surfista falou abertamente sobre esses episódios em entrevistas, reconhecendo que a dependência química prejudicou seu desempenho nas competições e afastou oportunidades importantes. Em maio de 2003, o jornalista Fernando Gaspar publicou no Waves a reportagem “A luz no fim do tubo”, que acompanhou uma fase de reconstrução da vida de Dadá. O texto apresentou depoimentos sobre sua recuperação, a importância do apoio familiar e sua aproximação com a religião evangélica, que se tornou parte fundamental de sua vida. Na época, Dadá havia criado uma escola de surfe na Barra da Tijuca, com apoio de integrantes da igreja Sara Nossa Terra. O projeto começou com algumas pranchas e, segundo a reportagem de 2003, chegou a reunir cerca de 300 alunos e 12 professores. O mesmo espírito de liderança que havia marcado sua carreira competitiva passou a encontrar espaço no ensino do esporte e no trabalho com jovens. Em junho de 2007, a jornalista Monique Arruda voltou a contar parte dessa trajetória na reportagem “Dadá no comando”, quando ele assumiu a vice-presidência da Associação de Surf da Barra da Tijuca, entidade da qual havia sido um dos fundadores. Dadá defendia a valorização dos veteranos e o retorno das categorias Master aos campeonatos. Para ele, preservar a memória dos pioneiros era uma maneira de aproximar as novas gerações da história do surfe.

    Pioneiro do surf progressivo e símbolo da contracultura, carioca Dadá Figueiredo morreu no último sábado (24), ao enfrentar uma pneumonia. Sua trajetória foi marcada por talento, rebeldia e superação.

    O Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS) recebe, a partir das 15h deste sábado (31), o primeiro encontro do Naborda Film Festival – Melhores do Ano 2026. A abertura terá uma exposição com 60 fotografias de surfe produzidas por profissionais de diferentes regiões do Brasil, além de sessões de curtas-metragens documentais, exposição de pranchas e apresentações musicais. Idealizado por Bruno Espósito e Dêmi Viola, o festival promove três meses de atividades dedicadas à cultura do surfe e do oceano, reunindo fotógrafos, cineastas, artistas e apaixonados pelo esporte. A proposta é dar visibilidade à produção artística ligada ao mar e reconhecer os melhores trabalhos do ano. A edição de 2026 contará com quatro encontros em diferentes espaços culturais de Santos. Cada etapa dará destaque a uma linguagem artística, começando pela fotografia em outubro, passando pelas artes visuais em novembro e chegando ao cinema em dezembro. Programação do Naborda 2026 31 de outubro – Fotografia: A abertura acontece no MISS, localizado no térreo do Teatro Municipal Brás Cubas, com exposição de 60 fotografias de surfe, exibição de curtas-metragens, mostra de pranchas e música ao vivo. 29 de novembro – Artes: O Cine Arte Posto 4, cinema localizado em frente ao mar, recebe uma exposição com trabalhos dos artistas inscritos, além de sessões de curtas, mostra de pranchas e apresentações musicais. 11 de dezembro – Curtas-metragens: O Cine Roxy será palco da exibição dos filmes finalistas em uma tela de 15 metros, acompanhada de exposições de fotografia e artes no hall do cinema. 12 de dezembro – Premiação: O encerramento acontece na Frontaria Azulejada, com a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das diferentes categorias, exposições e apresentações musicais. O Naborda Film Festival é apresentado pela Cerveja Praya, com patrocínio da South to South e Surfmappers. O evento conta com apoio do Waves, RTL FM – A Rádio Rock, Empório Bolshoi, Óculos Mandalla, Future Fins, Fuwax, Arakawa, Santa Areia Beachwear, Instituto Ecosurf e Prefeitura Municipal de Santos. Serviço – Abertura do Naborda Film Festival 2026 Data: 31 de outubro (sábado) Horário: a partir das 15h Local: Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), Teatro Municipal Brás Cubas, Santos (SP) Entrada: gratuita Instagram: @naborda_film_festival Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Naborda (@naborda_film_festival)

    Naborda Film Festival começa neste sábado (31), em Santos (SP), com entrada gratuita, exposições de fotografia, filmes e música ao vivo; programação segue até dezembro.

    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).