De Volta Pro Futuro

De Penho ao Brazilian Storm

Bruno Alves escreve uma cronologia dos atletas que contribuíram para que o Brasil se tornasse uma das maiores potências do surfe mundial.

Hoje o Brasil é uma das maiores potências do surf mundial, temos dois campeões mundiais do circuito profissional da WSL, no CT, o Gabriel Medina (SP) e o Adriano de Souza (SP), e na época da publicação dessa matéria poderemos ter mais um título mundial com o Gabriel Medina, ou prestes a ter. Estamos dominando o QS, e temos uma geração de surfistas  quebrando tudo no CT.

Essa geração chamada “The Brazilian Storm” é uma assombração para os surfistas australianos, americanos e sul-africanos, que sempre dominaram o surfe.

Diante de todo esse cenário inimaginável no passado, fiquei inspirado a escrever uma cronologia dos competidores brasileiros que de alguma forma contribuíram para que o Brasil se tornasse uma das maiores potências do surfe mundial, numa época em que competir era bem mais difícil para os nossos heróicos “brazucas”.

Nessa trajetória, tive a honra de participar como espectador, e depois como repórter da Fluir e também como editor de revista, de alguns momentos importante dessa incrível história. Pretendo falar mais a respeito dos surfistas, mas frisando que essa história de sucesso foi construída também pelos empresários, shapers, associações, organizadores de eventos, pela mídia, principalmente as revistas, pelas prefeituras municipais, por pais e mães dos nossos competidores, enfim, uma grande soma vinda de todas as áreas atuantes e dedicadas ao surfe brasileiro. Esses surfistas que na raça saíam para competir no exterior são verdadeiros heróis e que fazem parte da história do surfe brasileiro.

A nossa história em competições internacionais se inicia há quase meio século, ou 49 anos atrás, mais precisamente em 1968, no Havaí, onde tivemos  a primeira notícia de um brasileiro representando o Brasil em um campeonato internacional de surfe.

Carlos Eduardo Soares, apelido Penho, carioca, apaixonado pelo surfe, saiu do Brasil em 1966 numa odisseia que demorou um ano e meio, para chegar no inverno de 1968 ao Havaí. Ele andou a pé, pegou carona, trem, ônibus, barco e iniciou sua jornada pelo Peru, passando pela América Central em guerra, até chegar à Califórnia, naquela época fervilhante com protestos nas ruas contra a guerra do Vietnã, os Black Phanters lutando por uma liberdade maior para a raça negra, e todo aquele movimento cultural da época.

Penho chegou às ilhas havaianas no inverno de 1968, onde pôde participar do International Surfing Championships em Makaha, sendo o primeiro brasileiro na história a competir num evento internacional, e fora do nosso país, o que rendeu até uma matéria em um jornal local de Honolulu.

Quanta coisa rolou de lá para cá, de Penho aos Brazilian Storm, e é importante que as novas gerações conheçam um pouco dessa trajetória.

Sete anos depois da participação do Penho no Havaí, o mundo era outro. A guerra do Vietnã já havia acabado, o mundo vivia o auge da cultura hippie, a Guerra Fria, e o surfe era considerado uma contracultura. Outro carioca participa de um campeonato em Makaha coincidentemente. Lourenço Ipanema, o Lari, que conheci no Havaí no inverno 75/76, conquistou nesse evento, o Lightning Bolt Makaha, um honroso sexto lugar, mas foi pouco divulgado esse feito.

Lembro do Lari ter passado no nosso hotel com um galera, inclusive estava o internacional AD do Guarujá, e projetaram um filme em super 8, com cenas daquele inverno de 75/76 do North Shore e trazendo s notícia desse feito. Os fatos eram divulgados no boca a boca, e não me lembro desse acontecimento ser noticiado em algum meio de comunicação, e nem na Brasil Surf, a primeira revista de surfe brasileira.

O Havaí era intenso nessa época, e os australianos empolgavam o mundo do surfe e incomodam os havaianos com os Bronzed Aussies (Australianos Bronzeados), uma equipe de surfe inspirada numa equipe australiana de três tenistas, composta por Ian Cairns, Mark Warren e Peter Townend, sendo que este último, em 1976, se tornou o primeiro campeão mundial da história pela circuito da IPS (International Professional Surf), organização fundada por Fred Hemmings e Randy Rarick. Adicionado aos Bronzed Aussies originais, Wayne “Rabbit” Bartholomew vem botar fogo no circo.

No mesmo inverno, um sul-africano chamado Shaun Tomson impressiona o mundo com surfe inovador, e mostra uma nova maneira de surfar Pipeline de backside e percorrer tubos em Off The Wall com movimentos na prancha dentro do salão. Havaianos incríveis como Gerry Lopez, Rory Russell, Jeff Hakman, Buttons, Dane Kealoha, Owl Chapman, Larry Bertleman, entre outros, era a balança para o lado havaiano, enquanto americanos como Jeff Crawford, da Flórida, e Mike Purpus e Jackie Dunn, da Califórnia, vinham do continente deixar mais eletrizante o inverno de 1976, quando pude estar lá com muito orgulho.

Um ano depois, no inverno 76/77, também no Havaí, o carioca Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes, mais conhecido como Pepê, surfista de extremo talento, apareceria para o mundo quando conseguiu um feito inacreditável, chegar à final do Pipe Masters em Pipeline, Havaí, no meio de surfistas incríveis. Ele, que havia conquistado um importante terceiro lugar no primeiro internacional do Rio em 1975 e vencido em 1976 o primeiro Waimea 5000 no Rio de Janeiro, sendo o primeiro brasileiro a ganhar um evento internacional na própria casa, e em razão dessas conquistas convidado a competir no Smirnoff 1977 em Sunset Beach, Havaí, onde não se deu muito bem e foi eliminado na primeira fase.

Depois da derrota, ele ficou surpreso ao ser convidado a competir no Pipe Masters em Pipeline, e com apenas 17 anos de idade. Na sua primeira chave eliminatória, teve de enfrentar Rory Russell, Peter Townend, o atual campeão mundial, Jeff Crawford, local da Flórida e especialista em Pipeline, outro australiano integrante dos Bonzed Aussies, Mark Warren, e o cara que se sagraria campeão mundial naquele ano, o sul-africano Shaun Tomson. Pepê foi segundo, com Rory Russell em primeiro. Na final, ele ficou com um honroso sexto lugar numa bateria em que todos eram especialistas em Pipeline, isso com apenas 17 anos.

Essas participações e conquistas iam lentamente abrindo as portas para o Brasil.

Ainda em 1977, o também carioca Daniel Friedmann venceu o Waimea 5000 na cidade do Rio de Janeiro, evento patrocinado por uma loja carioca que levava o mesmo nome do evento. Estive lá como espectador e pude ver os melhores surfistas do mundo no Arpoador e depois no Quebra-Mar, numa época em que o nosso Brasil era muito tranquilo e seguro, apesar de vivermos na ditadura militar.

Digo isto porque fomos num Chevette em quatro pessoas e dormimos na estrada, via Dutra, e já no Rio ficamos tranquilos e em nenhum momento eram noticiados assaltos e coisas absurdas que ouvimos hoje em dia. Numa ocasião, chegamos a armar a barraca para dormir no Pepino, em frente à favela da Rocinha, e foi bem tranquilo.

Daniel venceu com maestria o evento internacional, batendo grandes surfistas e ídolos internacionais como Allen Sarlo, Terry Richardson, Cheyne Horan, David Balzerack, Joe Buran, Cheyne Horan, entre outros. Na época, Daniel já era patrocinado pela US Top, uma marca top de jeans.

Ainda nos anos 70, mais brasileiros saíam para competir no exterior representando o País, seja no Havaí ou Austrália, mas sempre eram ações isoladas e sem muita repercussão na imprensa, e como disse, na raça, mas nem por isso eram menos valiosas. Eram atletas talentosos e com muita disposição e determinação. Surfistas como Daniel Friedmann (RJ), Cauli Rodrigues (RJ), Rico de Souza (RJ), Ricardo Bocão (RJ), Paulo Tendas (SP), Otávio Pacheco (RJ), Paulo Proença (RJ), Ianzinho (RJ), Valdir Vargas (RJ), entre outros, freqüentemente competiam representando o nosso país.

Quando estive na Austrália, no verão de1979/80, alguns australianos de Manly Beach vieram comentar comigo sobre o Daniel Friedmann, que o viram competindo na Gold Coast e impressionou muito a todos, pelo estilo e competitividade. Isso, para mim, um surfista brasileiro, era motivo de orgulho.

Uma ressalva a Rico de Souza, que além de ser muito respeitado no Havaí, era um cara que soube explorar bem o marketing próprio, e foi o único surfista brasileiro – me corrijam se eu estiver errado – a ter o patrocínio da Rede Globo, isso nos anos 70.

Ainda nos anos 70, o paulista Luis Feio Sala venceu um evento internacional na categoria Junior em La Pambilla, no Peru, sendo o primeiro brasileiro de que se tem notícias a ganhar um evento internacional fora do Brasil, embora Junior.

Em 1979, nos veio a informação, tudo no boca a boca, que criou um grande frisson na comunidade do surf brasileiro, de que o talentoso carioca Valdir Vargas conseguiu chegar em nono lugar num evento nível A da IPS em Bells Beach, Austrália, e ainda surfando de backside. Depois do Pepê em Pipeline, talvez o segundo grande resultado de brasileiros no exterior em eventos da elite do surfe.

Os anos 80 pareciam promissores. Os brasileiros estavam viajando para competir cada vez em número maior, com melhores patrocinadores, principalmente na Austrália, Havaí e África do Sul. Apesar de os patrocinadores geralmente pagarem ao surfista para competir numa etapa ou outra do circuito, o brasileiro dificilmente competia em todas as etapas, e a grande maioria dos surfistas brasileiros colocava dinheiro do próprio bolso para competir lá fora.

Em 1983, Otaviano Bueno, o Taiu, morando no Havaí, trabalhando como Padcab, conseguiu na raça se inscrever e conseguir um brilhante sétimo lugar no Sunset Pro Classic Trials, além de competir no World Cup e alguns campeonatos de verão em AlaMoana.

Nessa época, o nome brasileiro mais assíduo e respeitado nas competições internacionais era o carioca Roberto Valério, um surfista talentoso e um empresário visionário que investiu muito no esporte. Seus melhores resultados foram no início até o meio dos anos 80, dentre vários, foram o 5o lugar no World Cup em Haleiwa, 7o lugar no World Cup em Sunset, 9o lugar no Pro Class Trials, e 11o lugar no Billabong Pro e o quinto lugar em 1982 no Renault Pro em Durban na África do Sul, um feito inédito até então, ficar em quinto lugar em um evento da ASP (antiga IPS) no exterior, batendo no homem a homem, nada mais nada menos do que o hot local Martin Potter.

Em março de 1984, ocorreu um fato inédito no surfe nacional. Foi a primeira vez que o Brasil enviou uma equipe de surfe organizada, com uniforme, coach, patrocinador e um fotógrafo para um evento internacional de equipes, no Peru, em Punta Hermosa, onde tive a felicidade de ser o repórter. A equipe era composta pelos paulistas Tinguinha Lima e Paulo Rabelo e os carioca Fred Dorey e Rosaldo Cavalcanti na categoria principal; e os paulistas Paulo Kid e Kemel Adas Neto, o Nê, na categoria Júnior. O técnico era o paulista Piva de Albuquerque. A nossa equipe fez bonito, ficando em terceiro lugar na colocação geral, atrás da Austrália e Estados Unidos, num embate com surfistas de peso como os australianos Simon Law e Mark Sainsbury (in memorian), que viria se tornar campeão mundial amador, o americano da Flórida Richard Rudolph e o peruano Magoo de la Rosa. Nesse evento, Fred Dorey (RJ) deu um show em Señoritas, ficando em terceiro nessa etapa, enquanto o Paulo Rabelo (SP) deu um show em Punta Rocas e Caballeros.

Em julho de 1984, o surfe brasileiro atingiu um novo patamar, abrindo mais ainda as portas que nos levava lentamente à consolidação do surfe profissional, e esse fato foi o envio para competir na perna da África do Sul da nossa maior estrela, o paulista Alexandre Salazar, o Picuruta, e eu como fotógrafo e redator, numa ação conjunta com a Revista Fluir, lojas Star Point, as lojas Ronjon e apoio da South Africa Airlines. Enquanto o Picuruta seguia para a África comigo, o surfe brasileiro lá fora vivia a sua maior crise. Alguns surfistas brasileiros passaram a ser mal vistos pela comunidade internacional, porque naquela época iam aos eventos vender drogas, e alguns até competiam nas triagens, e isso manchou forte a reputação dos nossos atletas, e quem queria trabalhar e competir com profissionalismo era visto com uma certa desconfiança. Eu mesmo tentei comprar uma foto na Austrália, do Davizinho Husadel, com o renomado fotógrafo australiano Peter Crowford, e ele me disse de forma sumária: “Pague antes que te dê a foto, não confio em brasileiros, são tudo uns cheiradores”. Lastimável!

As atuações do Picuruta em 84 e 85, na África, e óbvio, de Valério, mostraram ao mundo internacional do surfe que no Brasil existe gente séria, que existia uma revista de surfe, e principalmente, que existiam surfistas no nível dos melhores do mundo. Em dois anos seguidos em que estivemos na África, o Picuruta tirou um quinto lugar no Gunston 500, perdendo por 3×2 para o campeão do evento e campeão mundial Tom Carroll, tirou outro quinto no Renault Pro, um nono no Spur Steak em Cape Town e um outro 17º lugar no Gunston 500, e o brilhante oitavo lugar no Instinct Super Series 85, que é como um Grand Slam da perna sul-africana com seu três eventos, despachando feras brabas como Willy Morris, Jim Hogan, Mike Burness, entre outros.

Em dois anos, o Alex, como era chamado pelos gringos, virou um cara respeitado por todos que o cumprimentavam na praia e o chamavam pelo nome, inclusive o próprio Carroll veio falar comigo para que o levasse para morar na Austrália devido ao seu enorme talento. Picuruta também deixou sua marca em Jeffreys Bay ao transpor todas as seções da onda, enterrando sua prancha na areia, e isso foi histórico, repetindo o que o Simon Anderson fez alguns dias antes durante o campeonato Country Feeling. O incrível é que no primeiro ano ele levou apenas uma prancha de surfe feita pelo seu irmão Almir Salazar. Se Picuruta tivesse na época um patrocínio que o bancasse em todo circuito mundial, um quiver de pranchas para diversos tipos de onda, facilmente naquela época ele seria um Top 16 e um sério candidato ao título mundial, pois seu talento era invejável.

Além de Picuruta e Roberto Valério, outros brasileiros representaram o Brasil no exterior nesse período, dentre eles Fernando Bittencourt (RJ), Dadá Figueiredo (RJ), Marcelo Boscoli (RJ), Antar Teixeira (Es), Fred Dorey (RJ), Felipe Dantas (RN), Mauro Pacheco (RJ), Gui Mattos (SP), Rogerio Izetti (RJ), Italo Marcelo (RJ), Lipe Dylong (RJ), Fernando Cunha (RJ), Gui Mattos (SP), Xan Brandi (SP), Luis Feio Sala (SP), Ferrugem Baltazar (RJ), Rodolfo Lima (RJ), Lula Menezes (RJ), João Maurício Jabour (RJ), Luís Lovasz (RJ) entre muitos outros. Este último foi o único participante brasileiro na primeiro etapa do circuito da ASP Inland, longe de mar, numa piscina de ondas, em 1985 na Pensilvânia (EUA), onde estive como repórter.

Apesar das conquistas, o universo do surfe no exterior ainda parecia tão distante da nossa realidade. O nível dos competidores internacionais era altíssimo, tirando algumas exceções,  chegava a destoar do nível do surfe dos brasileiros. A Fluir sempre focou o surfe de forma global, e chegou a publicar, em 1984, uma entrevista que fiz com o Tom Carroll e outra com o Martin Potter, além de uma matéria com os Top 16 internacionais, e por causa desta reportagem fomos muito atacados em editorial por uma outra revista de surfe, que escreveu que nós babávamos ovo de gringos. A Fluir não podia se envolver nisso, pois tinha uma missão maior, que era divulgar o que acontecia no mundo do surfe no exterior, e isso foi de uma colaboração inestimável para o surfe brasileiro. A prova veio alguns anos mais tarde, quando ganhamos em Turtle´s Bay, no Havaí, o prêmio inédito no Brasil, o The Best Print Mídia, oferecido pela ASP.

Na sequência, em março de 1986, acompanhei o campeão brasileiro, o catarinense David Husadel, na perna australiana, o Australian Grand Slam. Husadel venceu o OP Pro Joaquina em janeiro de 1986 e ganhou como prêmio uma passagem para competir na Austrália. Ele teve uma participação razoável na sequência de eventos, que se iniciou em Burleigh Heads, no estado de Queensland, depois foi para Cronulla, Sidney, no estado de NSW, e por fim em Bells Beach, Torquay, no estado de Victoria.

Eu, David e Avelino Bastos e um amigo, o André, fizemos todo o percurso de carro acompanhando as etapas. Se o Davizinho não arrasou nas competições, e tinha surfe para isso, no free surf ele arrepiou, e foi contemplado com a capa do jornal Tracks num big Shark Island na melhor onda do dia em que disputou na remada no pico com Gary “Kong” Elkerton. André também teve uma foto publicada na página central da revista Surfer, e na edição especial de pôster da Surfer, por conta de uma onda que pegou de backside em Shark Island.

Nessa viagem, encontramos alguns brasileiros nas competições, dentre eles Roberto Valério (RJ), Lula Menezes (RJ) e João Mauricio Jabour (RJ).

Competidores isolados de todo o País estavam competindo por todo o mundo durante esta fase e nem tenho como enumerar e classificar todos eles, mas nada de destaque, e na verdade estávamos esperando uma grande notícia, que não vinha. Depois do Picuruta, surgiu uma lacuna.

A boa notícia veio em 1987, um grande acontecimento eletrizou o surfe do Brasil, que era o campeonato Hang Loose Pro, que recebeu em peso toda a elite do surfe mundial num campeonato histórico, com ondas perfeitas, grandes com sol e terral. Esse evento, que aconteceu na praia da Joaquina (SC), graças à visão do empresário Alfio Lagnado, era o que estávamos precisando, e desde o último Waimea 5000 de 1978, vencido pelo australiano Terry Richardson, o Brasil não recebia um evento internacional. Para o surfe brasileiro, aquilo era um sonho. Surfistas como Tom Carroll, Mark Richards, Shaun Tomson, Mark Ochilupo, nas águas da Joaquina, mostrando um surfe que só podia ser acompanhado em filmes e revistas, era surreal e isso com certeza nos ajudou muito para a continuidade da evolução do surfe do Brasil.

Em 1988, mais um marco importantíssimo do surfe brasileiro, a vitória inédita do paraibano Fábio Gouveia no Mundial Amador em Porto Rico, na praia de Wilderness, e o terceiro lugar do carioca Rodrigo Resende, que no futuro se tornaria campeão mundial de ondas gigantes em Todos os Santos, no México. Na categoria Junior, outro carioca, Fernando Graça, conseguiu um incrível segundo lugar. Além dos brilhantes resultados individuais, o Brasil ficou em terceiro lugar na classificação geral por equipes, que foi coordenada pelo técnico Marcos Conde.

Definitivamente o Brasil se consolida, vira uma nação mais respeitada e a imagem mal desenhada no passado começa a mudar. A Fluir, com o seu fotógrafo e repórter Beto Issa, esteve lá fazendo toda a cobertura do evento histórico. O mundo do surfe passava a ter um campeão mundial amador brasileiro, e pela primeira vez não era um americano, havaiano ou australiano. Quando Beto chegou na redação com as imagens e descrevendo os fatos, foi extremamente emocionante para todos nós e a Fluir, com exclusividade, publicou a matéria, o que causou um impacto muito grande na comunidade do surfe. Na época não existia internet e a televisão brasileira pouco divulgava o esporte, então as revistas de surfe tinham um papel fundamental para a disseminação das notícias.

Foi em 1989, com outra atitude despojada de Alfio Lagnado, dono da Hang Loose, que o Brasil decola de vez e sobe mais um grande degrau, e escancara a porta que começou a ser aberta por Penho, em 1968, ao patrocinar o paraibano Fábio Gouveia e o catarinense Teco Padaratz no circuito mundial. Com essa visão, tivemos, pela primeira vez na história, surfistas brasileiros entre os top 16 do circuito mundial de surfe profissional da ASP(Association of Surfing Professional) e surfistas brasileiros subindo no lugar mais alto do pódio, desbancando feras como Tom Curren, Kelly Slater, dentre outros.

O catarinense Teco Padaratz chegou a ser, em 1994, o oitavo melhor surfista do mundo no ranking do WCT, e nesses anos que correu o Tour, chegou a vencer uma etapa na França, o Rip Curl Pro Landes 1994, e uma no Brasil, na Barra da Tijuca, o Alternativa Pro 1991. Ele também obteve três vice-campeonatos, o Gunston 500, em 1989, na África do Sul (perdeu para Brad Gerlach); o Alternativa Pro, em 1990, na Barra da Tijuca (perdeu para Brad Gerlach); e o Rip Curl Bells  Beach 2000, na Austrália (perdeu para Sunny Garcia).

Teco foi o primeiro brasileiro a derrotar Kelly Slater em uma final de WCT – durante 16 anos, o único a fazê-lo, até Jadson André igualar o fato em Imbituba, no Brasil. Por outro lado, o paraibano Fábio Gouveia, no World Qualifying Series, o WQS, foi vice-campeão em 1993 e campeão em 1997. Ele conquistou sete vitórias entre 1993 e 2002 (três delas no exterior) e foi o primeiro brasileiro top 16 em 1991, feito que repetiu três vezes após a criação do WCT. Ele ficou em quinto lugar no ranking  no ano de 1992, o que o torna um pioneiro, pois, além do primeiro campeão amador brasileiro, foi primeiro a ser top 16 e o primeiro a ser quinto do mundo. Fabinho venceu quatro etapas do Tour nos anos que competiu, subindo no lugar mais alto do pódio no Brasil 1990, no Hang Loose Pro, na praia do Maluf, Guarujá; no Havaí, em 1991, no World Cup Sunset; numa piscina de ondas no Japão, o Marui Pro 1990, e também o Arena Surf Masters 1991, na França, em Biarritz, dando voltas em Pottz.

Não só os garotos da Hang Loose estavam fazendo bonito no Tour, como também toda uma nova geração que mostrava na água, e fora da água, que o surfista brasileiro tinha talento, postura e profissionalismo, e que o surfe brasileiro estava se organizando cada vez mais.

Outros surfistas competiam também no circuito mundial com ótimos resultados e boas performances, com destaque para Guilherme Herdy (RJ), Tadeu Pereira (SP), Renan Rocha (SP), Piu Pereira (SP), Joca Jr (RN), Fernando Graça (RJ), Ricardo Tatuí (RJ), que venceu uma etapa na França, Jojó de Olivença (BA), que chegou a ser vice-campeão do mais badalado campeonato, o OP Pro de Huntington Beach, perdendo para o havaiano Sunny Garcia na final, Peterson Rosa (PR), que venceu etapas, Piu Pereira (SP), Tinguinha (SP), Victor Ribas (RJ), que também venceu etapas, e chegou a ficar em terceiro no ranking mundial, melhor classificação do Brasil no WCT masculino até Gabriel Medina tornar-se campeão.

#tbt ??#pipemaster?? #10pointride ? #pipeline ? #greatmemories❤️ @serieaofundo

Uma publicação compartilhada por Renan Rocha (@renanrochaaa) em

A partir daí, a última vitória brasileira em etapas no Tour, antes do fenômeno Brazilian Storm, foi de Neco Padaratz (SC) na França, em 2002, inclusive ele bateu Andy Irons no auge e isso foi muito significativo. Depois dessa vitória, o Brasil só foi subir ao topo do pódio em 2008, com Bruno Santos, no Tahiti, como convidado do evento.

Depois desse feito, o Brasil fica num vácuo que só foi quebrado com a primeira semente do Brazilian Storm, com Adriano de Souza (SP), nosso “Capitão Nascimento”, que vence uma etapa na Espanha em 2009, e logo a seguir, com Jadson André (RN), que venceu uma etapa no Brasil, em Imbituba (2010), e Raoni Monteiro (RJ), em Sunset, Havaí, em 2010.

Como não podia ficar de fora, as mulheres tiveram sua contribuição com essa história, lembrando que, em 1991, tivemos o ingresso da primeira brasileira no circuito mundial, Andrea Lopes, que conquistou, em 1999, o título pan-americano. Em 1993, a cearense Tita Tavares torna-se campeã do mundial amadora na Venezuela, e em 1995, vice-campeã no mundial amador. Depois desses resultados, passou para o surfe profissional. Foi a primeira mulher a tirar nota 10 no mundial feminino do WQS, em 1996. Em 2001, Jacqueline Silva, de Santa Catarina, vence o WQS Em 2002, Jacque torna-se vice-campeã mundial, um feito histórico entre homens e mulheres. Ninguém havia antes, no surfe brasileiro, chegado tão perto de um título mundial da categoria de elite.

No ano de 2003, outra brasileira, a cearense Silvana Lima, ingressa no circuito, e em 2008 e 2009 se torna vice-campeã mundial atrás da australiana Stephanie Gilmore. Ela saiu da elite e voltou com tudo no CT depois de vencer em 2016 a etapa do QS 6000 Feminino, e o circuito de acesso à categoria principal. Em 2017, venceu de forma inédita a etapa de Bells Beach, Austrália.

Voltando ao masculino, depois da vitória de Mineirinho (SP), Jadson André (RN) e Raoni Monteiro (RJ) chancelando o Brazilian Storm, a história já é bem conhecida e noticiada por toda mídia e internet e mídias sociais, com surfistas como Gabriel Medina (SP), Filipe Toledo (SP), Mineirinho (SP), Caio Ibelli (SP), Jadson Andre (RN), Italo Ferreira (RN), Ian Gouveia (PE / SC), Wiggolly Dantas(SP), Miguel Pupo (SP), que compõe a elite do Brazilian Storm, e hoje sem dúvida, fazem do Brasil uma das três maiores potências do surfe mundial, por isso devemos prestar uma homenagem a guerreiros como Penho e todos citados neste artigo, que numa época do surfe profissional brasileiro, pobre e primitivo, depois nem tanto, com seus esforços, raça, auto patrocínio, humilhação e dedicação, cada um com sua contribuição específica e pessoal, ajudou a construir a história do surfe profissional brasileiro que hoje chegou a um patamar inimaginável naquela época.

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    A oitava etapa do Championship Tour (CT) 2026 desembarca em um dos palcos mais desejados do surfe mundial. O Fiji Pro chega com Italo Ferreira na liderança do ranking, dez brasileiros na disputa e uma previsão que pode colocar a famosa esquerda de Cloudbreak em boas condições ao longo dos próximos dias. A primeira chamada acontece às 16h30 desta segunda-feira (24), no horário de Brasília, com possível início da competição às 17h. Em Fiji, onde o calendário já estará na terça-feira (25), a chamada será às 7h30, com possível início às 8h. A janela segue até 4 de setembro. A etapa marca o retorno do elenco completo do CT a Cloudbreak pela primeira vez desde 2017. Em 2024, Fiji voltou ao calendário e, no ano passado, recebeu o WSL Finals, quando Yago Dora e Molly Picklum conquistaram seus primeiros títulos mundiais. Swell a caminho A previsão aponta poucas ondas logo no início da janela, com Cloudbreak pequeno ou praticamente flat durante boa parte do primeiro dia da janela em Fiji. Mas o swell começa a ganhar força ao longo do dia e pode chegar ao fim da tarde com ondas de 1,5 metros de face. A grande mudança aparece já no segundo dia de janelta. Um swell mais consistente deve colocar Cloudbreak na faixa de 3 metros de face durante todo o dia, com séries maiores. A previsão também indica ventos favoráveis, formando o primeiro cenário realmente forte para a realização da competição. Com ondas consistentes, existe ainda a possibilidade de a organização recorrer às baterias no sistema dual heat, com duas disputas acontecendo simultaneamente, para acelerar o cronograma e aproveitar a sequência de boas condições. No terceiro dia de janela, o swell já começa a perder força, mas a parte da manhã ainda pode apresentar quase 3 metros de face, com séries ocasionais maiores. A tendência é de redução gradual durante a tarde, ainda com condições favoráveis. Na sequência, um novo reforço de sudoeste pode manter Cloudbreak na faixa de 2,5 metros pés de face pela manhã do dia seguinte, sem necessariamente provocar novo aumento significativo de tamanho, mas trazendo mais energia e ajudando a prolongar o período de boas ondas. E o maior swell pode ainda estar por vir A também melhora de cenário para os dias 30 e 31 de agosto. Dois sistemas aparecem com potencial para produzir ondas da altura da cabeça até alguns pés acima, possivelmente acompanhadas por vento leve. Mas é a reta final da janela que começa a chamar mais atenção. Entre 2 e 4 de setembro, cresce a possibilidade da chegada de um swell forte e de longo período em Cloudbreak. A previsão aponta a presença de um sistema sólido. A confiança também vem aumentando na possibilidade de que as maiores ondas de toda a janela aconteçam justamente no início de setembro. Por se tratar de uma previsão de longo prazo, o cenário ainda pode mudar nos próximos dias. Cloudbreak para todos os tamanhos Considerada uma das melhores esquerdas do planeta, Cloudbreak quebra sobre um extenso recife de coral e muda completamente de personalidade dependendo do tamanho do swell. Em condições menores, oferece paredes longas e oportunidades para um surfe de alta performance. Quando o Pacífico Sul ganha força, a onda se transforma e passa a produzir tubos grandes, rápidos e extremamente pesados. O amplo campo de competição também reúne diferentes seções e exige leitura precisa do lineup. Depois de receber uma etapa pós-corte em 2024 e o WSL Finals em 2025, Cloudbreak volta agora a colocar todo o elenco do Championship Tour dentro d’água. É a primeira vez que isso acontece desde 2017. Italo chega de amarelo Entre os brasileiros, os olhos estarão principalmente sobre Italo Ferreira. Depois da semifinal em Teahupoo, o potiguar recuperou a lycra amarela e chega a Fiji isolado na liderança do ranking mundial. O campeão mundial de 2019 soma uma vitória, um vice-campeonato e dois terceiros lugares na temporada. Apesar de seu surfe de frontside e da capacidade nos tubos combinarem com Cloudbreak, Italo ainda busca um grande resultado no pico fijiano. A etapa também tem peso especial para Yago Dora. Foi justamente em Cloudbreak que o brasileiro conquistou seu primeiro título mundial, no WSL Finals de 2025. Atual terceiro colocado no ranking, Yago chega ao Fiji Pro buscando recuperar terreno na disputa pelo bicampeonato. Gabriel Medina completa outro capítulo importante da presença brasileira. Bicampeão da etapa, com vitórias em 2014 e 2016, o tricampeão mundial é, ao lado de Yago, um dos únicos brasileiros que já venceram em Cloudbreak. Dez brasileiros em Fiji O Brasil terá nove representantes no masculino e Luana Silva no feminino. Italo Ferreira, Yago Dora, Gabriel Medina, Miguel Pupo, Samuel Pupo, João Chianca, Filipe Toledo, Alejo Muniz e Mateus Herdy formam o contingente brasileiro entre os homens. Mateus é o único brasileiro escalado para o Round 1 masculino e enfrenta o australiano Jarvis Earle na terceira bateria. Os demais brasileiros entram posteriormente na competição. Além dos principais nomes do Tour, Fiji terá três wildcards: os locais Teo Degei e Ulukilupetea “Tea” Kurop, vencedores das seletivas fijianas, e o australiano Jarvis Earle, campeão mundial júnior de 2022. Kurop faz história como a primeira mulher de Fiji a disputar uma etapa do Championship Tour. Com o líder mundial de amarelo, um campeão mundial retornando ao palco onde conquistou seu título, dez brasileiros na disputa e diferentes pulsos de swell previstos ao longo dos próximos dias, Fiji abre uma das janelas mais promissoras da temporada. E, se os modelos de previsão realmente confirmarem o que começam a indicar para o início de setembro, o melhor de Cloudbreak pode ficar justamente para o final. Baterias do Fiji Pro 2026 Masculino Round 1 Round 2 Feminino Round 1 Round 2

    Com dez brasileiros na disputa, janela do Fiji Pro abre nesta segunda-feira (24), com primeira chamada às 16h30 (de Brasília). Previsão indica swell a caminho para os primeiros dias em Cloudbreak.

    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.