
O que te motivou e como foi a experiência de passar uma temporada inteira no Hawaii?
Estava surfando no Brasil só beach breaks havia muito tempo e vinha de uma sucessão de lesões, no pé e no ombro. E também não viajava há um tempo.
Fui para Europa correr umas etapas do QS e depois fui ao Chile, numa trip muito boa em que pude surfar bastante nos fundo de pedra e em ondas fortes.
Depois, fiquei só pensando no Hawaii. E quando cheguei a temporada estava animal. Não fiquei me preocupando em voltar e acabei ficando até o final do meu visto de permanência.

Quais foram os fatos que mais marcaram e te chamaram a atenção aqui no North Shore?
Aqui muitas coisas são marcantes para quem vem do Brasil, o estilo de vida, a liberdade e o nível de surf, é claro. As ondas são muito poderosas todo tempo. Você passa por situações difíceis e para surfar as melhores ondas temos que estar bem preparados, e com bom equipamento.
O que mais marcou na temporada foi a quantidade de swell de Oeste proporcionando muitas sessões em Pipe ? com certeza uma onda que nós brasileiros deveríamos tentar evoluir.
Também foi importante o fato de estar surfando ondas com fundo de coral no dia-a-dia, algo bem diferente do que estou acostumado.
Quais tipos de pranchas você tem usado nas ondas havaianas? São muito diferentes das usadas em outros lugares?
As pranchas para cá têm que ser maiores, mais pesadas e mais fortes. Além do quiver do dia-a-dia, que varia de 6′ 3 a 8′ 6, é muito importante ter uma Waimea gun e uma prancha de Tow in.
No geral, as pranchas são bem diferentes das que uso no Brasil ou nas etapas do QS pelo mundo.
Em 2002, você teve a oportunidade de surfar em Jaws. Como foi, o que achou do lugar e por que não deu continuidade nesta atividade?
É legal você lembrar daquele dia, um dos melhores da minha vida. Foi no ano em que o Pato detonou o joelho e o João Maurício ficou sem parceiro. Aí, rolou o contato, e isso foi demais. João deu vários toques e acho que peguei a manha rápido.
Treinamos durante três semanas e quando apareceu aquele swell, às 5 horas da manhã estávamos pegando o vôo para Maui.
Tudo foi novidade para mim, pura evolução. Chegar à baia de Maliko foi a maior adrenalina, não consegui puxar o João muito bem, fiquei um pouco intimidado com o crowd. Mas em compensação ele me puxou numas ondas animais. Foi irado, um surf totalmente diferente, velocidade, vento, volume, pressão, tudo fora do normal.
Depois disso tive outras sessões de tow in em Floripa com ondas grandes, mas eu havia conquistado bons pontos no início do ano no QS, aí, quis investir mais uns anos nas competições e acabei me afastando do tow in.
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Poderíamos dizer que você está numa fase de transição entre as competições e o freesurf?
Acredito que sou um surfista bem versátil. Gosto de surfar Waimea 20 pés, mas também gosto de dar um gás numa bateria, não importando o tamanho do mar.
Na real, preciso estar surfando diariamente. Meu organismo se acostumou e também gosto de correr atrás das ondas perfeitas. Aprendi que muito do que acontece na água é reflexo de como você vive fora dela. E nas competições ainda mais, porque você tem pouco tempo para mostrar o que sabe. Acho que sou um freesurf competidor muito agradecido pela vida que eu tenho.

O mercado brasileiro tende a apoiar mais os surfistas de competição ou freesurfers?
Essa é uma boa pergunta. Isso varia muito, o que acontece é que o freesurf tem quase a mesmo exposição dos surfistas do CT. Sendo assim, acabam fechando bons contratos. Não tenho nada contra e acho que quem tem talento, tem que ter apoio e estar ganhando bem, porque está elevando o nivel do surf.
O problema no Brasil é que ou você é freesurf ou competidor. O dinheiro nunca vai dar para fazer os dois. E isso acaba prejudicando os competidores porque eles não têm chance de treinar em ondas perfeitas quando não estão competindo.
Conseqüentemente, sempre estarão alguns passos atrás dos gringos. O bom é que alguns surfistas da nova geração já estão ganhando o suficiente, mas são poucos, a maioria está sempre contando moeda.
Quais seus objetivos para o futuro?
Estou indo para a Indonésia, vou ficar uma semana em Bali e depois G-Land. Não sei o que vou fazer depois. Só sei que caminhos para ondas perfeitas na Indonésia não faltam. Na seqüência volto para o Hawaii e espero o começo de temporada.
Quero tentar algumas competições como o Xcel Pro, de Sunset, e o O?Neill Cold Water, Norte da Califórnia.
Hoje estou contando com apoio da Proside, uma marca do Sul do Brasil, que me patrocina desde o ano passado. Devo aparecer no Brasil provavelmente em fevereiro de 2007 para ficar um tempo em Floripa e competir alguns eventos. Depois, volto para cá. Sinto que aqui é mais fácil planejar as viagens pelo mundo. Quero ficar um tempo neste circuito.
Deixe um recado para os que lêem sua entrevista.
O que posso falar… você constrói a estrada da sua vida. O que você está vivendo hoje é reflexo de ontem. Deus está guardando muitas coisas boas para você. Seja humilde para pedir, ajudar, receber e agradecer. Faça sua parte para criarmos um mundo melhor, muito surf. Aloha.
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