Surf seco

Verdades

Depois deste início de ano positivíssimo para o Brasil, começo a refletir a nossa situação hoje no cenário mundial, fazendo um retrospecto desde o início do circuito mundial, em 1976.

 

O esporte é relativamente novo. As potências USA e Austrália sempre dominaram. Hawaii é e sempre foi a Meca, além de ser considerado outro lugar (HW e não US) no circuito.

 

As ilhas sempre tiveram seus representantes, competidores de ponta (Jeff Hackman, Rory Russell, Larry Bertleman, Michael e Derek Ho, Dane Kealoha, entre outros.

 

A África do Sul também sempre fez parte da ‘máfia do tour’, com Shaun Tomson e seu primo

Michael Tomson (dono da Gotcha e MCD), além de alguns outros que eram quentíssimos na década de setenta (Gavin Rudolph, Paul Naude).

 

No início dos anos 70, o Peru era mais importante que o Brasil no cenário mundial, por suas ondas e pelo Felipe Pomar (campeão mundial, antes do circuito existir).

 

O Brasil começou a aparecer com Rico de Souza, Damiel Friedman, Pepe Lopes e o antigo campeonato do Arpoador Waimea 5000.
 
Depois do domínio de Mark Richards (79, 80, 81 e 82) veio a era Carroll, Occy, Lynch (revoluçao goofy-footer). Apareceram o prodígio Potter e o

americano Curren, e que, somados, mudaram o rumo do esporte durante a década de 80.

 

Final da década de oitenta, Fábio Gouveia se inclui entre os melhores do mundo e Teco Padaratz vem junto, trazendo Peterson, Jojó, Ribas e outros que também entraram para o WCT e marcaram presença com alguns pódios para o Brasil .

 

Na geração Carroll/Potter/Curren, o surf inovador, veloz e power, com pressão adicionado a um  treinamento físico começava a imperar. Surge então a nova promessa americana.

 

O jovem Kelly Slater, da Flórida, chegou para dominar quase que toda a década de 90.
Misturando power, estilo, instinto, humildade, eficácia e manobras inovadoras, a superioridade técnica dele era expressa nos constantes resultados positivos, na imbatibilidade, no recorde de vitórias em Pipeline, nos patrocínios milionários e nos seis títulos mundiais somados a uma vitória no tradicional Eddie Aikau, em Waimea 25 pés.

 

Hoje aos 33 anos, depois de tudo isso, ele continua fazendo o que redescobriu ser seu maior prazer na vida, surfar e competir.
  
No ano de 2004, o Brasil começou com o moleque maravilha – Adriano de Souza – vencendo o título mundial Pro Junior, no quintal dos australianos, Sidney-North Narrabeen.

 

A sensação do momento, a jovem promessa mundial, agora é made in Brasil.
No feminino, a equilibrada, determinada e talentosa Jackie Silva começa na frente no WCT. Para quem já venceu em Honolua, Haleiwa, Steamer Lane e Snapper Rock’s (fora alguns mais), ninguém segura este ano…    

 

A equipe WCT masculina está menor, porém estes integrantes estão muito determinados e acredito que vão chegar junto em  algumas etapas.

 

Neco Padaratz, o tão polêmico e ao mesmo tempo tão humano personagem deste cenário, parece que está com a sua alma em sintonia com as ondulações nesta fase da vida, além de saber muito bem arrancar notas 9 e 10 dos juízes… Margaret que o diga…

 

Tão julgado e criticado quando passou por sérios problemas pessoais e físicos, Neco é o exemplo vivo da força e também de que a vida pode ser justa.

 

Outro animalzinho é Raoni. Sua linha e técnica já está repercurtindo nos resultados. Ele é um exemplo para puxar a sua geração – Leo Neves e Cia – para dentro do WCT 2005.
 
Paulo Moura está na sua escalada de sucesso, competindo como um exímio, ano após ano. cada vez mais adaptado ao sistema.

 

Victor Ribas está numa fase impressionante, pontuando altíssimo, experiente e com vontade.

 

Herdy é um dos maiores talentos, quebrando tanto nos tubos ou nasmanobras, além de saber muito bem jogar o jogo da bateria.  

 

Peterson Rosa é outro grande surfista, hoje o mais veterano desta safra, respeitado, temido e arrojado. Nas ondas com pressão ele tem tudo pra desbancar qualquer um.

 

Talvez, acreditar mais no destino ao invés de tentar mudá-lo – usando a prioridade (ex: Snappers heat X Whitaker] – iria favorecê-lo.

 

Danilo Costa tem que crescer no geral, não só em Teahupoo, pois além de ser um dos melhores tuberiders, ele também é um competidor de ponta.

 

Armando Daltro é muito técnico, metódico, estiloso e radical, além de saber entubar muito. Ele é dono de uma performance excepcional em ondas pequenas e também em points de ondas longas, onde seu surf de linha se destaca geral. Ele pode e deve surpreender esses gringos por aí. 

 

Nesta largada de 2004, o estrago mineiro em Sidney, o domínio feminino em Snappers e a dobradinha brasileira no West Austrália deram o que pensar.

 

Vamos acompanhar nossos conterrâneos de pertinho – a transmissão pela I-NET está muito boa e é made in Brasil também – em Bell’s Beach nesta Páscoa, com toda a elite e com a presença dos dois mais “bambambam” do tour… Slater e Irons.

 

Boa sorte Brasil, pois além de tudo, é preciso dela.       

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