Sem patrocínio

Valadão no peito e na raça

Atual líder do ranking mundial, Uri Valadão permanece sem patrocínio. Foto: Davi Borges.

Atual líder do ranking mundial de bodyboarding, o baiano Uri Valadão vive um dos melhores momentos de sua carreira.

 

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Aos 22 anos, ostenta os títulos de tricampeão brasileiro, bicampeão latino-americano, campeão pan-americano e pentacampeão baiano, sem contar os diversos títulos amadores.

 

Até o momento, seu curriculo conta com quatro vitórias em etapas do circuito mundial (duas em Portugal, uma nas Ilhas Canárias e outra no Brasil).

 

Em 2007, triturou o campeão mundial Ben Player na final da última etapa, disputada nas Canárias, para finalizar a temporada como vice-campeão do mundo.

Valadão em ação na bancada de Pipeline. Foto: Duda / The Blog.

Este ano, começou o ano com uma excelente terceira posição em Pipeline, Hawaii, e subiu ao topo do pódio de forma brilhante em Itajaí (SC), palco do Katherine Melo Bodyboard Pro.

 

São muitos títulos, vitórias e momentos inesquecíveis para um jovem atleta. Na Bahia, Uri é considerado umas das principais celebridades no meio esportivo.

 

Já foi premiado pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), onde cursa o terceiro semestre de Ciências Biológicas, e ficou em terceiro lugar na eleição promovida pelo programa Bahia Esporte, da Rede Globo, para apontar o melhor esportista baiano no ano de 2006. No ano passado, foi um dos convidados para conduzir a tocha pan-americana pelas ruas de Salvador (BA).

 

Mesmo com uma excelente imagem e uma coleção impressionante de títulos, Uri enfrenta o velho problema da falta de patrocínio. Com os apoios da Gênesis e Kpaloa, o atleta tem o suporte necessário para atuar com um material de alta qualidade, e ainda minimiza os gastos decorrentes das viagens. Uri tem também uma bolsa de estudos na FTC e faz um trabalho físico na academia Rhanc.

 

Porém, falta conseguir um patrocinador principal para cobrir a maior parte dos custos. Como de costume, os prêmios conquistados nas etapas servem para bancar as despesas das provas seguintes.

 

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Uri durante vitória na última etapa do circuito mundial 2007, em El Confital, Canárias. Foto: Ginez Dias.

Em Itajaí, Uri embolsou um cheque de US$ 6 mil, mas não vai poder se empolgar muito, já que o custo da viagem para Shark Island, Austrália – palco da próxima etapa -, fica em torno de R$ 8 mil.

 

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“É um pouco triste, né? Sei do meu potencial e sei que se eu tivesse uma condição melhor pra viajar, tudo poderia ser ainda melhor do que já está sendo, minha evolução seria mais rápida, com certeza. Mas, ao mesmo tempo em que fico triste com esta situação, fico também muito motivado pra ir contra as minhas dificuldades e superar isso. A esperança continua”, diz o atleta.

 

O início no esporte veio aos 11 anos, com o incentivo de Khael, irmão mais velho do atual líder do circuito mundial. Não demorou muito para Uri conhecer Márcio Torres, principal responsável pelo notável crescimento do bodyboarding na Bahia.

Baiano ao lado do amigo e ídolo Guilherme Tâmega no pódio do Katherine Melo Bodyboard Pro. Foto: Monica Kienast.

Os treinos na famosa escolinha Gênesis, situada na praia da Terceira Ponte, fizeram o atleta evoluir rapidamente e adquirir uma conduta profissional.

 

“A Gênesis sempre foi uma grande família. Com a ajuda de Márcio, comecei a acreditar que um dia poderia chegar entre os melhores do mundo e fui percebendo o meu dom. Hoje ele não é só um treinador, mas também um grande professor e amigo, pois aprendi muita coisa na escola com e a relação com todos os outros amigos”, diz Uri.

 

O baiano não poupa elogios ao falar do ídolo Guilherme Tâmega, detentor de seis títulos mundiais. “É um monstro, um cara que até fica difícil descrever. Uma pessoa incrível, grande ser humano, sensível, humilde e atencioso. Dentro d´água nem precisa comentar, né? O melhor de todos os tempos, sem comparações”, fala o atleta.

 

Agora em junho, Uri defende a liderança do ranking mundial na tradicional etapa de Shark Island, Austrália. No ano passado, a falta de verba impediu a ida do atleta à importante prova aussie, minimizando suas chances de brigar pelo título mundial.

 

Desta vez, o prêmio conquistado em Itajaí vai possibilitar a participação do “baiano voador” na etapa. Enquanto a prova não chega, fica a torcida para que alguma empresa reconheça o enorme talento desse atleta e impeça que mais uma premiação escape da conta bancária de Uri.

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