Laje da Manitiba

Uma sessão da pesada

Maya Gabeira pega uma das maiores no pico. Foto: Bia Silveira.

Em um mundo cada vez mais superpopuloso logicamente temos um surf cada vez mais crowd e como meu pai já dizia: ”A superpopulação atinge números incríveis, mas o mundo não cresce!”.
 

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De qualquer maneira ainda acho que este planeta ainda é muito grande para nós surfistas. Com a ajuda do jet-ski, bancadas ao redor do planeta nunca antes surfadas estão sendo apresentadas ao público. Entre outros, no lado Oeste da Austrália e Califórnia muitos picos foram desbravados nos últimos anos.

 

Aqui no Brasil, a história por enquanto é diferente. Ondas que já eram

Carlos Burle debaixo do lip esmagador. Foto: Bia Silveira.

foco dos surfistas como Ilha dos Lobos (RS) e a Laje da Manitiba (RJ) estão agora sendo atacadas pelo tow-in.

 

A Ilha dos Lobos está fechada para o tow-in, mas já foi surfada no passado e assim como a Manitiba, mostrou-se uma das melhores ondas do Brasil para a prática da modalidade.

 

Ambas as ondas com power imensurável e com ataque limitado pelo surf tradicional na remada, podem ser aproveitadas 100% no surf rebocado. Elas quebram longe da costa, cerca de 200 a 400 metros da praia, aumentando ainda mais o potencial de ataque pelos big riders.

 

No último swell, eu e Haroldo Ambrósio nos juntamos à equipe que havia desbravado pela primeira vez a laje de Manitiba com auxílio do jet-ski, os locais Marcos Monteiro e Patrick Reis, junto com os renomados Carlos Burle e Eraldo Gueiros.

 

Nessa última sessão ainda se juntaram no outside Renato Phebo, Felipe, Rosaldo Cavalcanti, Roberto Cantoni e mais algumas duplas.

 

Segundo o fotógrafo Rick Werneck, os primeiros surfistas atacaram a laje no começo dos anos 70. Me lembro que meu amigo paulista radicado no Hawaii, Daniel Skaff e outro amigo que hoje é radicado em Bali, Fabio Feijão já surfavam a laje na remada nos anos 90 e voltavam empolgados com as ondas surfadas, mas somente a direita, que segundo eles lembrava Sunset nos dias grandes.

 

Detalhe curioso foi o show proporcionado pelos surfistas para a população local que compareceu em peso para assistir ao pouco que eles conseguiam acompanhar da ação na água. A mídia televisiva Sportv também compareceu com uma bela estrutura.

 

A onda mais radical e perfeita para o tow-in é a esquerda. Quando me deparei com as imagens da primeira sessão de tow-in, no swell da Páscoa, me pareceu que a laje corria paralela a onda e não aparecia, ou melhor, brotava bem na hora da cavada.

 

Na maré seca e média muitas ondas são insurfáveis e você é obrigado a abortar missão antes de largar a corda, em outras você está vendo aquela onda linda envelopar, estilo Teahupoo, e de repente você sente que está sendo sugado pela bancada e cai no vazio, transformando ali o sonho do tubo em um pesadelo rumo à bancada.

 

Quem vê da praia, sente um declive da bancada, onde parece que a base da onda some. Em muitas ondas você literalmente embica na vala produzida pela bancada e sai capotando. Realmente vi alguns dos melhores big riders tomando vacas sinistras, confirmando a tese de que essa onda não é atrativa para amadores.

 

”Apelidei essa onda de ‘transformers’, afinal você nunca sabe o que acontecerá, se irá pegar um lindo tubo ou uma vaca animal, a onda se transforma a cada segundo dificultando a performance, mas se você conseguir ultrapassar todas as dificuldades do videogame pode ser presenteado no final”, diz Carlos Burle, experiente big rider que da sessão em Manitiba foi direto para o aeroporto, onde embarcou para o Chile, para um evento em Punta del Lobos na remada.

 

Este campeonato foi para surfistas convidados e ele terminou na quinta colocação. O local de Saquarema Marcos Monteiro foi o brasileiro melhor colocado, ficou em quarto. O sul-africano Grant Baker levou o caneco e Danilo Couto surfou a única onda 10 do evento em um tubo alucinante.

 

Voltando às lajes, levei a cinegrafista Silvia Winik para registrar de dentro d´água do jet-ski, pois de fora é muito difícil filmar e muitas ondas são perdidas pelo estourão proporcionado pelo quebra-coco da beira, que tampa a visão do outside.

 

Formaríamos um um duplo ângulo com a Bia Silveira na areia e a Silvinha de dentro d´água. Infelizmente o jet-ski com a Silvinha virou junto com a câmera e todas imagens do dia, mas ainda sobraram alguns takes da areia para não deixá-los na mão.

 

Como santo de casa não faz milagre, a maioria das ondas que as espumas ficaram na frente foram minhas e de meu parceiro Haroldo Ambrósio.

 

A procura por ondas como essa é muito positiva por diversos motivos: o real treino do tow-in para os especialistas na modalidade, colocar o Brasil no mapa de ondas pesadas e simplesmente pelo fato de realmente estarmos aproveitando essas grandes ondulações que atingem nossa costa.

 

Afinal, quantas vezes vocês não viram grandes ondulações atingirem suas bancadas preferidas fechando de ponta a ponta, sem condições para o surf.

 

Fico aqui sonhando? Qual será a próxima descoberta ou onda aperfeiçoada, ou de repente quando teremos bancadas artificiais bancadas pelos governos ou grandes empresas?

 

Fiquem com deus!

 

Aloha!

 

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