
Chega ao fim, mais uma vez, o Circuito Petrobras. Muita coisa aconteceu, muitos nomes novos surgiram e outros que já apareciam como promessa, acabaram se confirmando.
Há exatamente um ano passei a acompanhar com mais atenção o trabalho de algumas surfistas e, nesta última etapa, confirmei o que já esperava. O surf feminino entra em um novo patamar.
Tem muita gente que você olha na água e logo percebe que tem talento. Mas, só talento não basta. Já vi muitos atletas talentosos não chegarem a lugar nenhum por falta de orientação e acompanhamento em seus treinos. É preciso mais do que nunca, ser profissional.

Em qualquer esporte de competição encarado profissionalmente, existe a conjunção: atleta e treinador.
No surf isso começou a se manifestar há algum tempo com os homens, visto que a categoria masculina no Brasil tem uma vida bem mais longa que o feminino. Este, agora desperta para o futuro, evoluiu muito nos dois últimos anos e os resultados são muito positivos.
Depois de acompanhar várias etapas do Circuito Petrobras e do SuperSurf, percebi uma notável evolução de algumas surfistas durante as competições. Meninas na água, treinadores na areia.

Esta cena passou a ser comum nos últimos tempos e os bons resultados vieram justamente com eles, salvo alguma exceção.
Bastava ver a bateria final da categoria profissional desta última etapa do Petrobras: Silvana Lima, Thaís de Almeida e Juliana Quint eram acompanhadas por seus técnicos na areia. Juliana Guimarães encarava sozinha.
O mar colaborou e elas deram um show como há anos eu esperava ver um dia. A Silvana Lima foi impecável.
Arrancou uma nota 10 dos juízes e muitos gritos da torcida. Que belo surf! Com ondas rápidas e

fortes ela fluía naturalmente com suas manobras precisas.
Juliana Quint me impressionou com sua evolução técnica e tática, sempre muito consistente em todas as baterias. Thaís, com seu surf forte e arrojado, mostrou porque antes mesmo da final já era a campeã do circuito.
Estas três fazem um trabalho bem profissional há algum tempo com seus treinadores e, mesmo se elas não fossem o maior talento do mundo, ainda assim teriam evoluído.
Muito suor e dedicação com orientação. Isso faz muita diferença. O treinador tem um papel muito

importante na preparação de um atleta. Além de apoio técnico e tático, ainda tem o fator emocional que pode ser fortalecido por ele.
Essa é uma nova era do surf feminino brasileiro, que a exemplo da Tita Tavares e Jacqueline Silva, está avançando com um trabalho sério.
Em outras categorias também já se nota a participação dos treinadores, como no caso da pequena Isabela Lima, da Grommets. A família é participante e isso importa muito também. É isso, quem cedo começa, cedo alcança.
Jéssica Marques está com o surf no pé. É incrível sua fluidez e facilidade para enxergar a onda.

Perfeita! Seu treinador não conheço, mas a mãe está sempre junto, dando todo apoio. Gabriela Teixeira, Susã Leal e Nathalie Martins estão de parabéns.
Elas participaram da final Open e Mirim apresentando um surf de primeira. Larissa Barbieri também mudou, enfrentando suas baterias com muita consistência.
Thaís de Almeida, Silvana Lima, Suelen Naraísa, Juliana Guimarães, Andréa Lopes, Francisca Pereira, Brigitte Meyer, Cláudia Gonçalves, Elisa Costa e Luana Prado, na ordem são as dez primeiras colocadas do ranking Profissional do circuito.

Todas elas e muitas outras que não constam aqui colaboraram muito para elevar o nível de surf feminino brasileiro e são a inspiração e exemplo para as mais jovens.
Pois é, foi-se a época do mais ou menos. Ou a surfista competidora encara o surf como um trabalho sério, ou em breve estará fora da jogada.
É preciso investir e quando achar que conseguiu tudo por aqui está na hora de treinar lá fora, pois lá a rotina das ondas fortes e perigosas ainda é um grande desafio.
