Em junho deste ano, a equipe do professor Eloi completou um ano à frente das previsões e das análises das condições do mar do Waves. Utilizando os dados de altura de onda observados e previstos, foi possível avaliar qualitativamente o modelo de previsão de ondas.
Nesta avaliação, foram comparadas as alturas de ondas observadas na praia e a altura significativa do mar prevista pelo modelo Wave Watch 3 (WW3) para a região, sempre se considerando a rodada do modelo numérico com 24 horas de antecedência, ou seja, a previsão feita no dia anterior.
As praias utilizadas nesta comparação foram: Na região Sul; praia de Tramandaí no litoral gaúcho, as praias de Florianópolis em geral no litoral de Santa Catarina e a praia Brava de Matinhos no litoral paranaense. Na região Sudeste; Quebra-mar em Santos, Maresias e Itamambuca no litoral paulista; Prainha no Rio de Janeiro, e Itaúna em Saquarema no litoral carioca e a praia de Regência no litoral capixaba. Na região Nordeste; Praia de Stella em Salvador na Bahia e a praia do Futuro no Ceará.
É importante salientar que o modelo de previsão de ondas do site Waves, assim como, os modelos numéricos de previsão de ondas dos demais sites de surf também são modelos de previsão de onda para águas profundas e que para a determinação do estado de mar em um determinado ponto próximo à costa é necessário uma modelagem numérica especifica para este ponto, utilizando-se principalmente: os contornos do relevo do fundo mar da região, as condições de onda ao largo e um modelo numérico de propagação de ondas para águas rasas.
Mesmo assim, levando-se em conta as direções de ondas previstas pelo modelo, (direção de pico e direção média da ondulação), as previsões do Waves conseguiram prever a variação de altura das ondas nas praias observadas de forma bastante boa.
Outro ponto que também deve ser ressaltado, é o fato de que não há uma padronização nas observações das ondas e que as observações foram feitas baseadas exclusivamente na experiência de cada correspondente.
Neste primeiro ano, foi possível perceber que, por exemplo: 1 metro de onda em uma praia talvez não seja o mesmo 1 metro de onda em outra praia, isto é fácil de se comprovar, porque uma simples conferida em diferentes sites de surf pode-se comprovar que para uma mesma praia, no mesmo horário, com freqüência diferentes sites de surf apresentam diferentes alturas de onda.
Foi considerado como sendo erro de previsão, quando a variação da altura das ondas observada no boletim das praias foi contrária a variação de altura significativa do mar prevista pelo modelo numérico, por exemplo: a previsão indicava um aumento da altura significativa do mar, mas na praia as ondas diminuíram em relação ao dia anterior, ou vice-versa.
O desempenho do modelo pode ser apresentado para três diferentes condições de mar observadas nas praias. Inicialmente, para mar baixo, (altura de onda observada menor do que 1 metro), neste caso, as previsões apresentam oscilações freqüentes no entorno da altura de onda observada e as previsões do modelo WW3 apresentaram uma porcentagem de erro de aproximadamente 15% , ou seja, em um mês teríamos , em média, de 4 a 5 dias em que a previsão das ondas diverge do observado.
Como justificativa poderiam ser citados: a imprecisão nos campos de ventos fornecidos para o modelo numérico que pode acontecer de duas formas: a) os ventos associados a ondas pequenas não são ventos fortes e conseqüentemente são mais difíceis de serem descritos espacialmente; b) outro fator é a influência de mares locais, ou seja, ondas geradas próximas da praia geradas por ventos locais que não são incluídos nos campos de ventos fornecidos ao modelo numérico.
Além disso, quando o mar está baixo, a altura das ondas nas praias pode ser bastante afetada pela variação do nível da maré, principalmente em locais onde exista grande variação do nível de maré, como é o caso das praias do Nordeste, onde a maré alta pode esconder as ondas por algumas horas.
Uma segunda condição de mar seria para mares intermediários, (altura de onda observada de 1 m a 1.5 m), neste caso, os dias em que as previsões e as observações não concordaram entre si não foi maior do que 10% em nenhum dos meses de observação, mantendo uma média entre 1 ou 2 dias por mês.
Para a geração desta condição de mar são necessários ventos com intensidade maior do que no caso anterior, além disto, o sistema atmosférico associado a estes ventos é espacialmente maior, utilizando um número maior de pontos de grade, conseqüentemente, o campo de altura de onda pode ser mais bem determinado.
Avaliando-se com um pouco mais de atenção, estes casos, foi possível perceber que o que aconteceu com uma certa freqüência é que a ondulação se antecipa ou se atrasa em relação à previsão das ondas.
Em condição de mar com altura de onda observada a cima de 1.5 metros, a previsão conseguiu antecipar quase que 100% das subidas do mar , no entanto, alguns eventos inesperados puderam ser observados neste primeiro ano de análise.
Como por exemplo, no dia 31 de Janeiro de 2008 nas praias do Rio de Janeiro, onde a altura de onda observada foi de 1 metro pela manhã, com todas a s previsões indicando mar em declínio e na parte da tarde o mar ultrapassou a marca dos 2 metros, voltando a concordar coma as previsões no dia seguinte.
Um outro exemplo de ondulação inesperada foi no dia 10 de junho de 2007, domingo, quando o mar reagiu também de Sudeste na maioria das praias das regiões Sul e Sudeste sem que houvesse previsão de aumento das ondas, neste caso, eu mesmo pude presenciar no litoral de Santa Catarina series de 2 metros com períodos de mais de 18 segundos, o que caracteriza uma ondulação longínqua. Será que alguém mais tem alguma lembrança desta ou de alguma outra ondulação inesperada?
Estas ondulações podem não ter sido pegas corretamente pelo modelo de geração por ter sido calculada inicialmente na grade global, com resolução é de 1 (latitude) x 1.25 graus (longitude) e no caso de ventos fortes, mas não numa área muito ampla, o campo de ventos seria mapeado com poucos pontos de grade, podendo não levar em conta toda energia existente sobre o oceano.
Outro caso de ondulação longínqua, que estava prevista, mas que extrapolou todas as previsões, foi no dia 24 de abril de 2008 está ondulação proporcionou altas ondas por vários dias, tendo sido inclusive levantada à hipótese infundada desta ondulação estar relacionada a um terremoto.
E se alguém achou a felicidade de se chegar na praia pela manhã e se dar de cara com uma ondulação inesperada havia acabado com os avanços tecnológicos dos últimos tempos, Internet, modelos de previsão de onda, etc.. ainda pode manter esta esperança, pelo menos por algum tempo.
Nota da Redação Marco Romeu, ao lado Guilherme Hames, faz parte da equipe do professor Eloi Melo, responsável pelo boletim de previsão de ondas do Waves.Terra.