Guerreiro nordestino

Ulisses Meira ao ataque

Ulisses Meira voa alto durante Seletiva Petrobras 2008 na praia do Cupe, Porto de Galinhas (PE). Foto: Fábio Minduim / Seletiva Petrobras.

O público que acompanhou a segunda etapa da Seletiva Petrobras, finalizada no último fim de semana, em Porto de Galinhas (PE), ficou fascinado com as performances do paraibano Ulisses Meira.

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Aos 24 anos, o surfista conquistou um brilhante segundo lugar na prova vencida pelo amigo e conterrâneo Jano Belo.

 

O vice-campeonato rendeu R$ 6 mil a Ulisses, bem como a 12ª posição no ranking do Brasil Tour.

Natural de Guarabira, interior da Paraíba, Ulisses foi morar em João Pessoa aos 9 anos e começou a surfar aos 13, na praia do Sol.

Paraibano chuta a rabeta. Foto: Fábio Minduim / Seletiva Petrobras.

Foi campeão paraibano iniciante, conquistou o bicampeonato estadual nas categorias Júnior e Mirim, o vice-campeonato na Open e a terceira colocação no ranking nordestino da Júnior.

Em 2002, aos 18 anos, decidiu morar no Rio de Janeiro (RJ). ?Saí da Paraíba porque nada mudava na minha vida. Tive todos esses títulos e nada evoluiu em minha carreira, tanto no surf, como em relação a patrocinadores. Tinha vontade de disputar o brasileiro amador, mas não tinha patrocínio para me bancar?, revela Ulisses.

 

O convite para morar no Rio partiu do técnico Benjamin Athayde, paraibano residente na capital fluminense há vários anos. ?Conheci o Benjamin durante um campeonato que ele estava julgando no Mar do Macaco. Falei que tinha vontade de morar no Rio e ele botou a maior pilha para eu treinar lá e participar dos campeonatos?, continua o paraibano.

 

Não demorou muito para Ulisses mostrar seu talento nas ondas cariocas. Logo em sua primeira temporada, conquistou o título júnior e o vice da Open no circuito da Associação de Surf de Ipanema (ASI).

 

Em seguida, faturou as categorias Open e Júnior no circuito da Associação de Surf de Búzios (ASB). A coleção de títulos contou ainda com a categoria Open dos circuitos da Associação de Surf da Barra da Tijuca (ASBT) e do Recreio Surfe Clube.

 

O trabalho desenvolvido com Benjamin, que é formado em Educação Física e desenvolve um excelente trabalho no Rio de Janeiro, rendeu ótimos frutos a Ulisses Meira. ?É muito importante pra carreira, bem eficaz. Evoluí no surf e como pessoa. Aprendi a me alimentar melhor, a ter uma postura profissional e muitas outras coisas?, comenta o atleta.

 

Depois de seis anos no Rio de Janeiro, o surfista está de volta a João Pessoa. ?O custo de vida no Rio é muito alto, e sem patrocínio as coisas ficam complicadas. Mas sempre que tem campeonatos no Sul e Sudeste eu passo um tempo lá treinando. Apesar de todas as dificuldades para conseguir patrocínio, sempre alguns amigos me ajudam, emprestam dinheiro. Só assim eu consigo disputar os eventos?, diz Ulisses.

 

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Ulisses caminha em direção ao SuperSurf 2009. Foto: Fábio Minduim / Seletiva Petrobras.

Quem também dá muita força ao paraibano é o shaper Braz Barros, responsável pelos foguetes utilizados por Ulisses Meira.

 

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?Desde que cheguei ao Rio, em 2002, faço um trabalho alucinante com ele. O Braz sempre acreditou em mim. Antes desta etapa eu tinha perdido no Grumari nos últimos 25 segundo. Depois disso, fui fazer uma prancha e o Braz falou que acreditava muito em meu potencial e que só faltava um degrauzinho, que eu era capaz e que acreditava no meu surf. Falou que eu tinha que me achar comigo mesmo?, revela o atleta.

Atleta está sem patrocínio. Foto: Chico Padilha.

?Depois fiquei pensando nesse degrauzinho que ele falava. Cada bateria era um degrauzinho pra mim. Acho que vou conseguir esse degrauzinho que tanto ele falava. Ele ficou amarradão com a minha campanha na Seletiva e disse que quase quebrou o computador na casa dele, porque a internet lá é discada e ele não conseguia ver a transmissão direito. Todo mundo ficou amarradão lá. Várias pessoas que nem me conheciam ligaram pra ele parabenizando?, diz Meira.

 

O desempenho do atleta na segunda etapa da Seletiva Petrobras também foi alvo de muitos elogios em Pernambuco. Grande parte dos atletas torceu pelo paraibano, que vem fazendo bonito nas competições e ainda não descolou um patrocinador.

 

?É muito satisfatório ver isso no cenário do surf. Muitos atletas torcem uns pelos outros, não só pra se dar bem nos eventos, como também pra conseguir um patrocínio. Eu, por exemplo, vi o David do Carmo fechar patrocínio com a Nicoboco e fiquei amarradão. Via o cara nas etapas várias vezes e falava pô, como esse cara que surfa muito e mora no Sudeste não tem um patrocínio??, fala Ulisses.

 

Depois de barrar diversos adversários de peso e chegar à final na praia do Cupe, o paraibano festejou bastante a classificação do conterrâneo Jano Belo na outra semifinal. A alegria do atleta em disputar uma final contra um amigo foi tão grande que ele acabou se dando mal.

 

?Acho que foi a bateria mais descontraída pra mim nesse campeonato. E foi justamente essa descontração que me deu o vice, e não a vitória. Contra o Pedrinho, na semifinal, fiquei mais focado, usando táticas, tentando manter a calma. Da próxima vez, vou procurar não ficar assim tão descontraído, pois pode me atrapalhar de novo. Acho que isso foi uma lição pra mim. Se não fosse Jano, se fosse qualquer outro, teria mantido aquele ritmo das baterias anteriores?, conclui Ulisses.

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