Quem nunca sonhou com as intermináveis direitas de J-Bay ou com o lendário point break de direitas surfadas por Bruce Brown no Endless Summer sem ninguém na água e quebrando sem parar?
Bom, eu sonhei! África do Sul sempre ficou na minha lista de lugares a serem visitados e em maio deste ano finalmente realizei esse sonho.
Embarquei para Cape Town junto com o Freddy da Surf Travel Co e ficamos por alguns dias fazendo um turismo mais convencional, porém obrigatório para quem vai a África do Sul: subir a Table Mountain, visitar o Cabo da Boa Esperança, Roben Island (onde Nelson Mandela ficou preso por 27 anos) e mais alguns passeios não tão convencionais, como mergulhar com tubarão branco e saltar do maior bungee-jump do mundo.
Porém o objetivo principal era surfar Jeffrey´s Bay. Todo dia olhávamos a previsão das ondas na internet e víamos um swell se aproximando. No terceiro dia de viagem já estávamos desesperados e nos mandamos para Jeffrey´s.
São 800 km de Cape Town até J-bay. A estrada é muito boa e superbem sinalizada. Apesar de ser mão inglesa, é muito fácil viajar pela da África do Sul.
Nos hospedamos no African Perfection, de frente para Supertubes e provavelmente a melhor hospedagem da região, o mesmo lugar onde fica o staff da Billabong durante o campeonato.
O primeiro dia estava pequeno e fomos surfar uma direita chamada Seals. Ficamos na companhia de Ettienne, um local casca-grossa responsável pelo time de surf amador da África do Sul e guia de surf nos pacotes da Surf Travel Co.
Além de Seals, surfamos Bruces Beauty (a famosa direita do Endless Summer) com Ettienne e Huelets (uma esquerda que só quebra com um swell muito grande e crowd praticamente zero).
Porém, quando o swell encaixou, surfamos Supertubes praticamente todos os dias e as ondas variaram de 3 a 12 pés durante a semana que passamos lá. E posso dizer que foi uma das melhores ondas que já surfei na minha vida e com certeza a melhor direita do mundo. Uma onda de alta performance que eleva o nível do surf a outro patamar.
Aquele visual do sol nascendo no mar, as linhas perfeitas quebrando intermináveis sobre a bancada e golfinhos brincando nas ondas, que só vemos em filmes, realmente existe e está logo ali.
Muitos evitam Jeffrey´s devido à água fria e os tubarões, porém surfei com um long 3.2mm e foi bem tranqüilo. Nos meses de abril, maio, setembro e outubro a água não é tão fria e o clima é quente.
Não há histórico de ataques de tubarões há mais de 10 anos e, se você souber respeitar, também não terá problemas com os locais.
Outra coisa que poucos sabem é que existem mais uma dezena de excelentes breaks espalhados pela região que vai de Jeffrey’s a Cape St. Francis e que muitas vezes estão quebrando sozinhos, já que a maioria não sabe da existência deles e acaba ficando somente em Supertubes.
É nessas horas que um guia local experiente faz a diferença.
A África do Sul é um país barato, superbem estruturado em termos de turismo e com altas ondas. Justiça seja feita, o esquema da Surf Travel Co foi impecável e a nossa viagem foi perfeita. O país, o surf e a trip foram muito mais do que eu havia imaginado.
Valeu galera até a próxima !!!!!




