Depois da calmaria do rio Dordogne, na França, fui surfar as ondas pesadas do Hawaii.
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Em junho de 2006 deixei as competições no Brasil e fui para a França comercializar minha linha de longboard e participar do Roxy Jam.
Saí da Franca e fui para San Diego, Califórnia, visitar a ASRBIZ Surf Show para fazer uns contatos e pesquisar o mercado de pranchas.
Encontrei uns amigos do Brasil e gostei muito de ter me atualizado no segmento de esportes radicais. Assisti a vários filmes de surf e snowboard e pude ver o upgrade que as filmagens de helicóptero deram aos filmes atuais. Tem hora que parece que é a gente que está se jogando daquela montanha de neve ou de água.
Havia algumas empresas brasileiras e fiquei amarradona por ter conseguido o apoio de uma tradicional marca havaiana chamada Surf Line Hawaii .
Eles fazem os vestidos mais bonitos do mundo. Onde vou sempre tem alguém perguntando onde comprei.
Os prints são bem havaianos e o corte superfeminino. Também me impressionei com a leveza das pranchas de carbono e achei meio estranho o fato de não ter longarina.
Vou testar uma destas qualquer hora.
Cheguei ao Hawaii no começo de outubro e surfei o primeiro swell de inverno em Chun?s Reef com Horácio de Seixas. As fotos estão lindas e disponíveis no site Northshorewatershot.com.
Os dias estavam lindos e tinha onda todo dia. O crowd tava tranqüilo e deu pra aproveitar bastante.
As ondas aqui são muito fortes, mas a perfeição vai dando segurança pra dropar. E a constância faz você se acostumar com os caldos, até acabar ficando abusada, quando num belo dia acabei me machucando.
Agora estou me recuperando com os exercícios que aprendi no IPSB College (International Professional School of Bodywork) de San Diego, além dos exercícios de pilates com minha professora particular, a big rider Ana Benchimol.
Eu não vinha ao Hawaii havia quatro anos e até que não mudou muita coisa na paisagem, exceto pelo muro de V-land? É triste passar por ali e não ver mais as ondas de V-land quebrando perfeito?
Fora do surf, o ?shark tour? é um passeio de barco diferente e bastante adrenalizante. O tour começa no Haleiwa Harbor e segue até o oceano. Atiram comida para os tubarões e a gente desce numa jaula para observá-los.
Nunca houve acidente, mas algumas pessoas da comunidade estão reclamando. Estes tubarões são nativos, não são os que viajam como o branco e o tigre.
Apesar disso, a população local está protestando, pois há comentários de que isso atrai tubarões para a costa.
Voltando ao surf, peguei algumas ondas em Sunset, V-land, Pipeline e Haleiwa. O bom de surfar em Haleiwa é que na maioria dos dias o fotógrafo David Croxford, do Croxie.com, está lá para clicar todo mundo para colocar no site.
O esquema é surfar pela manhã e ver, à noite, se a sua foto já está no site. Você busca pelo nome do pico e pelo dia. Você pode comprar a foto, mas mesmo se não comprar dá pra ver todas as ondas do dia e quem arrepiou no pico, como Lance Hohokano e Dino Miranda no dia em que fui fotografada.
É muito bom estar aqui e poder ver ao vivo os caras que vejo nos filmes de longboard. Só de olhar já evoluo.
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Lance Hohokano dá show e fico impressionada com a precisão de seus movimentos em Pipeline. Ele manda muito e é bonito de ver. Deixo de surfar só para assistir ao espetáculo que ele dá em Pipeline.
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No momento estou trabalhando nas minhas pranchas, pois a onda aqui exige um equipamento personalizado, uma prancha de mais velocidade para surfar bem em Pipeline e outra com peso e remada para entrar nas ondas de Sunset, que são cheias e com vento terral forte o suficiente para frear o drop, o que te faz perder a onda.
Foi muito legal ter encontrado várias amigas aqui no Hawaii, inclusive minha companheira de surf Cris Pires e a nova geração do longboard brasileiro, Marcela Duarte. Assistimos juntas o Pipe Master e torcemos muito pro Bruno Santos, que representou com estilo o surf brasileiro.
Fico impressionada com a quantidade de brasileiros no North Shore. Tem momentos que só tem brasileiro na parada e me senti no Brasil na festa de fim de ano na casa da fotógrafa Lika Maia.
Um evento bem legal e que acontece todos os anos é a cerimônia de abertura do campeonato Eddie Aikau. Este ano foi bem bonito porque tinha umas ondas e o pôr-do-sol foi mágico!
Além dos participantes do campeonato, estavam presentes legends como Buffalo Keulauana e Rabbitt Kekai. Foi muito bom ver como eles ainda estão fortes e continuam surfando, afinal eles têm mais de 70 anos.
Também foi bom ver o campeão Kelly Slater sempre humilde e simpático, tratando superbem todos os fãs.
Depois, rolou um superjantar e, mais tarde nas internas, um show no Waimea Falls Park, simplesmente do Pearl Jam! Foi irado estar tão perto da banda sem ninguém empurrando! Rolou a maior vibe quando Kelly Slater subiu ao palco para cantar também, inesquecível!
A temporada está bem maneira. Tem feito dias lindos e com ondas de todos os tamanhos. Espero que eu dê sorte para o mar subir o suficiente para acontecer o campeonato Eddie Aikau. Adoraria assistir esse espetáculo da natureza.
Em março acontece o 3o Banzai Betty Contest em Pipeline, campeonato só para mulheres.
As categorias são shortboard, longboard e bodyboard. Em março normalmente não rola mar gigante e o tempo é bom.
Se der sorte de ter altas ondas, dá pra se divertir bastante, pois serão apenas quatro na água para disputar uma onda que normalmente fica muito perigosa por causa do número de surfistas se jogando na mesma onda. A maioria inconseqüente. Espero me recuperar a tempo para poder participar.
No mais, fico muito feliz que a galera no Brasil está dando um gás no circuito carioca de longboard. Parabéns para essa galera, principalmente a turma da nova geração que está correndo atrás.
Fui ao museu do surf de Haleiwa, que conta a história do esporte no Hawaii. E na entrada tem o adesivo do Waves! Já me senti em casa!
Bob Hurricane toma conta do local e é uma figura lendária aqui. Tem 76 anos e surfa muito. Aqui é legal, tem uma galera com mais de 70 anos surfando bem, e é o maior incentivo, pois nos faz pensar que podemos surfar por muitos e muitos anos ainda?
Gostaria de agradecer aos meus apoiadores Bennett Foam, meu primeiro patrocínio e que há oito anos me apóia, a Mormaii, que nunca me deixa passar frio; Mr. Sol Biquínis; Centro de Lazer Ipanema, que cuida da minha saúde e estética; da Prorider e dos shapers Daniel Friedmann, Udo Bastos, Marcelo Freitas e Mario Flavio por shapearem pranchas incríveis que melhoram radicalmente a minha performance.
Até a próxima. Aloha!
