Transworld Surf destaca brasileiros

Todo ano é a mesma coisa. Inicia-se o circuito mundial e as principais revistas especializadas do mundo publicam as tradicionais matérias avaliando cada um dos top 45 da elite do surfe mundial.

 

É a época em que as editorias estrangeiras se vêem obrigadas a reconhecer a existência dos brazucas no circuito e, inevitavelmente, fazerem alguma avaliação sobre as chances e possibilidades de cada atleta canarinho.

 

Este ano as californianas Transworld Surf e Surfer Magazine apresentaram previsões interessantes sobre os nossos atletas.

 

A maior surpresa, entretanto, nos reservou a Transworld: pela primeira vez na história do surfe mundial um brasileiro foi convidado a opinar e avaliar as chances dos atletas da elite do circuito mundial.

 

O pernambucano Paulo Moura desfila sua opinião com desenvoltura e analisa nomes como Andy Irons, Joel Parkison, Kelly Slater e CJ Hobgood, quatro dos principais tops do mundo, apenas para citar alguns dos 26 gringos que passaram sobre seu crivo, incluindo o marrento Bruce Irons.

 

Moura também avaliou os brasileiros, com os quais foi, previsivelmente, otimista e positivo em suas palavras. Nas entrelinhas pode-se dizer que esse papel de analista assumido pelo top 19 brazuca é um claro sinalizador da importância política crescente que o Brasil ganha no cenário mundial e do respeito com que o pernambucano tem sido visto pelos seus pares e pela cúpula do surf mundial.

 

Comentaristas observam que Paulo Moura é um dos atletas que chegam mais cedo dentro d?água para o free-surf antes do início das baterias nos dias de competição.

 

Participaram também da matéria Sunny Garcia e CJ Hobgood. Curiosamente, ao ser avaliado por Sunny, com quem teve desentendimentos na última temporada, este reservou as seguintes palavras para Moura: “Paulo é um grande surfista  e surfa bem ondas grandes, porém , gosta de incomodar mais do que deveria”.

 

Seguem abaixo as opiniões de Paulo Moura sobre os top 4 do mundo e a estrela em ascensão Bruce Irons:

 

Andy Irons: “O campeão continuará sendo o melhor, porém eu creio que esse ano ele terá mais surfistas disputando o título com ele.”

 

Joel Parkinson: “Após o nascimento da sua filha, ele voltará com força total na luta pelo título. Um sólido apoio dos patrocinadores fará de 2005 um grande ano para Parko.”

 

Kelly Slater: “Eternamente o Rei. Slater necessitará de mais motivação para reconquistar sua coroa, o que não será fácil, mas também não tão difícil. Afinal, estamos falando do melhor!!”

 

CJ Hobgood: “Após se recuperar de sua lesão, CJ voltará mais forte do que nunca. Ele é difícil de se vencer em qualquer condição e estará sempre na corrida pelo título mundial.”

 

Bruce Irons: “Ele finalmente encontrou sua confiança e demonstrou todo seu potencial. Precisa se tornar um competidor melhor, mas isso deverá vir com o tempo.”

 

##

Já entre as mulheres a havaiana Rochelle Ballard foi a escolhida para avaliar as adversárias na matéria da Transworld.

 

Sobre as brasileiras Tita Tavares e Jacqueline Silva, quinta e sexta do mundo, respectivamente, a baixinha Ballard foi só elogios.

 

Tita Tavares: ?Eu amo essa mulher apenas porque ela é menor do que eu, mas seu tamanho pode surpreender ? ela tem uma pegada e tanto. Apenas precisa ser mais consistente. Possui muita técnica, mas cai bastante da prancha.?

 

Jacqueline Silva: ?Jacque parece sempre encontrar a melhor onda nas baterias e consegue notas altas com belas manobras. É uma dura adversária em qualquer bateria, mas precisa melhorar nos tubos de backside.?

 

Para Bruno Lemos, cinegrafista, fotógrafo e correspondente Waves no Hawaii, a edição de maio de 2005 da Transworld Surf vai ainda mais fundo no que diz respeito ao destaque dado para os surfistas brasileiros.

 

Além do convite a Paulo Moura para essa importante análise dos top 45 do WCT, Lemos destaca também a belíssima foto de Carlos Burle despencando na única foto de Jaws da publicação, captada de dentro d?água por Brian Bielmann, fato raro nas revistas estrangeiras.

 

?Acho que as revistas americanas não valorizam tanto o surf de ondas grandes como as do Brasil, mas de vez em quando aparece uma daquelas fotos incríveis do Laird Hamilton em Jaws, mas do Carlos Burle? Para mim foi uma surpresa, não que ele não mereça, mas fiquei surpreso pelo fato de eles terem preferido colocar um brasileiro na única foto de Jaws da edição em vez de um gringo?, analisa Lemos.

 

Bruno também aponta que além de Burle, outra bela foto de Bielmann trazia mais um brazuca nas páginas da Transworld. Dessa vez uma página dupla de Peterson Rosa no Backdoor, durante o Pipe Masters, em um plano mais aberto, da areia, em preto-e-branco.

 

?Fiquei mais contente por ver que os nossos atletas estão aos poucos recebendo mais exposição na mídia internacional e, mais importante ainda, saindo com seus respectivos nomes publicados e não como surfista não identificado como já vimos acontecer?, comenta.

 

A edição ainda traz uma entrevista com o tricampeão mundial Tom Curren, uma matéria com fotos bem interessantes da Indonésia depois do tsunami, uma amostra da arte do fotógrafo Dave Nelson, com altas fotos aquáticas e à noite, com flash, entre outras matérias.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)