Trabalhar sempre, vencer talvez, desistir jamais!

Levar o nome do surf adaptado em todos os lugares por onde passa, colocando portadores de necessidades especiais no mar, em contato com a natureza.

 

Esse é o grande sonho de Róbson Jerônimo de Souza, o Careca, que vem alcançando esse objetivo através de sua escolinha de surf na praia da Baleia, litoral norte de São Paulo.

 

O trabalho conta com uma equipe formada por fisioterapeuta, educador físico, técnico em segurança do trabalho, pedagogo, psicólogos e voluntários, todos profissionais que ajudam a orientar as aulas dadas por Careca aos seus atuais 16 atletas inscritos.

 

?Para participar da escolinha, é preciso saber nadar, passar por uma avaliação física e apresentar atestado ergométrico?, comenta Róbson. As aulas ocorrem nas quintas-feiras para alunos de São Paulo, sextas para os de São Sebastião e sábado não há restrição, freesurf total para quem quiser participar.

 

E o projeto não pára por aí. Careca vem se reunindo com o secretário de esportes de São Sebastião, Anthero Ventura, presidente da Câmara Municipal, Wagner Teixeira, e proprietários de escolas de surf da região, para que seja realizado um trabalho, voltado aos portadores de necessidades especiais, que abranja toda a costa sul de São Paulo.

 

?Aprendo muito com eles, vendo a felicidade e o sorriso no rosto de cada um. Poder fazer um trabalho com pessoas portadoras de deficiências, que me dão tanto apoio e acreditam em mim, é meu dever! Tudo pelo surf?, acredita Careca, que durante um acidente de trânsito foi arremessado contra o pára-brisa do carro em que estava, sofrendo uma lesão na região cervical, tornando-se paraplégico.

 

No entanto, quase sete anos depois do acidente, o surfista já superou todos os traumas e hoje em dia, além do surf, o atleta pratica também outros esportes adaptados, como natação, remada, frescobol, rapel e bóia cross, sempre com acompanhamento de profissionais.

 

?Sempre fui amante dos esportes e da natureza. Se tivesse a oportunidade de ir para as Paraolimpíadas defender o nome do Brasil, eu já estaria lá. Mas minha verdadeira missão é ajudar pessoas que estão na mesma situação que eu, cadeirante. Me acho no dever de mostrar a essas pessoas tudo o que o surf me deu e dá: amizade, companheirismo, paz, saúde e amor?, conta.

 

Iniciativas como essa de Careca, sempre levantando a bandeira do esporte adaptado, é que ajudam a divulgar essa modalidade esportiva, chamando assim, a atenção para este novo setor, que ainda dá seus primeiros passos no Brasil.

 

De acordo com o surfista, o governo deveria dar mais apoio financeiro, divulgar mais o esporte e, principalmente, investir mais na fiscalização em acessibilidades. ?O mais importante para a qualidade de vida de atletas portadores é a acessibilidade, pois o governo fecha os olhos e não fiscaliza algo que é obrigatório por lei. Com isso, o portador acaba não saindo de sua casa, já que não tem acesso em lugar algum?, revela.

 

Um exemplo de investimento no esporte adaptado vindo da iniciativa privada é a empresa Bennett Foam, que, não só patrocina Careca, como também lhe oferece blocos de poliuretano para que ele produza a prancha ideal para seu trabalho.

 

?Precisava de uma prancha bem grande para dar início aos meus trabalhos na escolinha. Agora que já adaptamos alguns atletas nessa prancha de tamanho 11?4?, preciso pegar mais um bloco e fazer outra com uma medida específica e adaptá-la para continuar o trabalho?, explica o atleta, cujo lema é Trabalhar sempre, vencer talvez, desistir jamais!

 

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