
O carioca Cláudio Marques, 44 anos, atualmente é produtor executivo na Rede Globo, mas sua carreira começou há 20 anos, na edição de imagens.
Ele esteve presente nas últimas três temporadas havaianas e foi o responsável pela cobertura da Tow In World Cup, colocando a modalidade nos principais programas da emissora, como Fantástico, Jornal Nacional, Esporte Espetacular, e Globo Esporte.
Marques e a repórter Mariana Becker, que também é surfista, estão registrando tudo o que rola em Maui quando o assunto é tow-in, em mais uma temporada havaiana.
Em entrevista exclusiva, ele fala sobre seus 20 anos de experiência na Globo, em que cobriu três copas do mundo de futebol e olimpíadas, e afirma que sua maior paixão é mesmo o surf.
Quando foi o seu primeiro contato com as ondas grandes?
Acho que foi em 94, quando vi o Wake Up Call, primeiro filme de tow-in lançado no Brasil. Eu já tinha ouvido falar que tinha uma galera descendo essas ondas oceânicas enormes, mas foi na primeira Tow In World Cup que consegui realizar o sonho de ver pessoalmente essa maravilha e sentir toda aquela energia.

Quais os esportes que você mais gosta de cobrir?
Eu já cobri três copas do mundo de futebol e três olimpíadas, e foi impressionante. Hoje o surf está em primeiro lugar e o futebol em segundo. Na verdade eu era aficcionado em futebol. Inclusive fazia parte da torcida uniformizada do Vasco, a Torcida Jovem. Mas, depois de começar a trabalhar na redação, onde tinha que ser totalmente imparcial, passei a notar a reação do público, e isso não me fascinou mais. O surf agora ocupa o primeiro lugar.
Rola uma pressão na hora de produzir e editar um material, com relação a essa imparcialidade?
Eu penso em como o público ira se identificar com a matéria, não penso no que meu chefe ira pensar, e sim em quem está atrás da tela. O que mais me interessa é que a Dona Maria lá da favela da Mangueira até a rapaziada tomando uísque em uma sala de Ipanema fique entretida na TV, essa é a minha meta.
Faça um paralelo entre o apelo das ondas grandes nos telespectadores e a grande diferença do surf competição para o big surf.
Para qualquer ser humano é impressionante ver aquelas ondas muito mais fortes do que ele sendo dominadas por uma pessoa como ele. Outro ser dominando uma coisa que ele nunca iria fazer. Isso é espetacular, dominar e não ser pego por uma onda daquelas. Isso fascina as pessoas. Tem a ver com uma corrida de F1, aquela sensação de fazer uma ultrapassagem, o sentimento do telespectador pensando se o piloto irá conseguir ou não. No tow-in rola a mesma coisa, superar o adversário ou, no caso, a onda.

Por que a Globo tem dado tanto espaço para a o tow-in?
A resposta está nos números do Ibope. Sempre que esse assunto está em pauta, os números crescem. O público adora nos quatro cantos do país. Outra coisa importante é que o Hawaii só apareceu de forma negativa na grande mídia, na época do ataque à Pearl Harbor. O apelo visual aqui é enorme. A matéria do Rodrigo Resende no Esporte Espetacular bateu recorde de e-mails. As palavras do editor-chefe sobre as matérias desse ano foram muito positivas. Estou particularmente muito feliz com esse trabalho, pois virei uma TV ambulante. Produzi matérias diárias daqui em tempo real. Está sendo muito gratificante.
Como é a repercussão disso dentro das redações?
O trabalho foi de equipe total, pois sem eles na recepção lá no Brasil eu não seria nada aqui. Todos ficaram muito felizes com o retorno positivo. A tecnologia está a nosso favor, eu passei todas as matérias por satélite. É muito difícil colocar uma matéria dentro do Jornal Nacional, por exemplo. Foi uma grande vitória. Ainda mais que os números mostraram um excelente retorno.