Em Trestles, neste mês de setembro, Adriano de Souza vestirá pela sétima vez a camisa amarela e se igualará a Gabriel Medina como o atleta que mais usou a lycra endereçada ao líder do ranking desde que a ideia foi instituída em 2014. Além deles, Filipe Toledo também usou a camisa neste período e só Mick Fanning a utilizou durante uma etapa por conta de um critério de desempate quando estava empatado com Toledo na etapa de Margaret River.
Quem vê Adriano no topo do ranking não imagina o drama que o brasileiro passou no ano passado por conta de uma contusão que o tirou da etapa final de 2014. Às vésperas da etapa norte-americana, o atleta do Guarujá analisa a primeira metade da temporada e projeta o que espera para a reta final, uma vez que ainda é o nome a ser batido no topo do ranking na briga pelo que seria o segundo título brasileiro na WSL.
Confira o bate-papo:
Como foi seu fim de ano e começo de temporada? Você esperava ter começado tão bem depois da seria contusão sofrida que te fez ficar de fora das etapas finais de 2014?
O fim de ano foi bem complicado; na verdade não foi fácil assistir ao Gabriel ser campeão do mundo de casa. Uma porque sempre lutei para ser o primeiro campeão brasileiro do mundo e segundo por não estar lá e dar um abraço nele por esse tão desejado título. Mas isso me deu uma grande motivação para iniciar o ano de 2015 com o pé direto e graças a Deus todo o planejamento deu certo ate o momento, que seria chegar nessa fase final disputando o título. Comecei o ano muito bem, mas depois rolou uma certa pressão e posso dizer que tive uma certa dificuldade em manter o equilíbrio, mas, se Deus quiser, nessa reta final da California até o Hawaii eu vou voltar a surfar como sei, e quero, e tentar chegar ao meu tão sonhado titulo mundial.
Você ainda sente o joelho?
Graças a Deus não sinto mais nada no joelho. Não tenho nenhum receio de fazer as manobras e já nem lembro que tive a contusão tão seria ano passado.
Voltando ao começo do ano… Comentaram a possibilidade de você não ter conseguido o visto para a Austrália. Você chegou a temer por sua temporada de 2015?
Sobre o problema do visto, realmente em um certo momento achei que não iria para a Austrália. Estava muito difícil tentar explicar e ser perdoado por um erro que cometi. Eu acabei ficando mais tempo do que o visto era permitido, mas a verdade é que eu sabia que eu tinha o visto e não percebi a duração. Eu sempre peguei o visto apresentando o meu calendário de campeonatos e treinos e quando recebi o visto achei que tivesse conseguido para o período que eu havia pedido, porém não foi e isso que me atrapalhou. Graças a Deus que no dia que a minha passagem estava comprada para poder ir à Austrália tive a notícia pela manhã de que o meu visto tinha saído. Foi um presente que recebi do governo australiano no último minuto e talvez com isso vim tão inspirado para competir que consegui três grandes resultados.
Você sabia que os brasileiros são recordistas em usar a camisa amarela, né? Sei que você comentou que não se incomoda em perdê-la, pois o que importa é o fim do ano, mas, para o Brasil e para você também, tê-la é bom, né?
É bem legal o Brasil estar liderando o circuito e mantendo um histórico com a camisa amarela e com grandes resultados, mas, para o surfista em geral, estar em primeiro lugar ou não é indiferente, pois o que importa mesmo é chegar à última etapa com chances de conquistar o título mundial. Então o meu objetivo é de realmente chegar em Pipe com grandes chances de ser campeão mundial. Estar entre os cinco primeiros lugares, com grandes chances de conquistar o titulo, será importante. Estar na liderança é bom, mas não é tudo. O que vale realmente, e o que eu quero, é depois da última etapa ter o meu nome em primeiro lugar.
Restando quatro etapas para terminar a temporada, o que você espera?
Acho que todas as etapas serão extremamente difíceis. Além da pressão natural, todos os atletas estão surfando muito bem. Acredito que estou em um bom ritmo, o que será um fator positivo para mim, e são etapas em que já tive resultados expressivos. Na Califórnia, já tive um terceiro lugar, em Portugal já ganhei, na França já fiquei em terceiro também…. Lógico que isso não significa nada, mas, para me motivar e saber que se eu conseguir neste ano de 2015 esses resultados que já obtive no passado, chegarei com grandes chances em Pipe de conseguir meu primeiro título mundial. Mas claro que competir não é tão fácil como falar, mas espero ir bem e com certeza atingir meu objetivo.
Para terminar, não vamos falar deste ano, pois você está disputando um título, mas, se tivesse que dar três nomes para futuros campeões brasileiros – tirando você e o Medina – quem você acha que o mundo do surf deveria se preocupar?
É bem complicado falar nos dias atuais quem será o próximo atleta. O Brasil hoje está em uma fase que a cada dia que passa escutamos uma nova revelação surgindo, o que é muito bom para o surf. Mas, na atualidade, Filipe é o cara que pode ser campeão do mundo não somente este ano, mas também nos próximos. Ele está com um surf afiadíssimo. Gabriel também é outro que esta voltando ao nível do ano passado, surfa muito e com certeza poderá ganhar outros títulos mundiais também. Então, eu acredito que o surf nacional irá se concentrar nesses dois nomes como os grandes talentos do Brasil nos próximos cinco anos com certeza.