
O tão sonhado título mundial no WCT pode não estar longe. Ou melhor, nem tão distante. Outro dia, conversando com alguns experientes surfistas, na praia, notamos a grande quantidade de filhos de surfistas e comentamos os grandes beneficios que essas novas gerações trarão ao surf ”brasilis”.
Nos campeonatos grommets em São Paulo, os sobrenomes da mulecada são: Toledo, Salazar, Pupo etc. Isso é maneiro. Além de um belíssimo sinal, pois na Austrália, América e Hawaii, há décadas o surf passa de geração pra geração.
Receber apoio desde a adolescência da familia e sociedade, com certeza faz a diferença. Quantos campeões mundiais Austrália, América e Hawaii já produziram?
Nas familias Irons e Ho todos pegam onda há algumas gerações… E Curren, então,quem não ouviu falar no Pat Curren deve começar a se informar melhor. É claro que existem exceções, mas pelo menos apoio financeiro houve. Como é o caso do Slater, em que o talento não se discute, mas o apoio irrestrito financeiro ocorre desde que ele se entende por gente.
Na Austrália, a rapaziada vai surfar antes do trampo e também nos horários livres de almoço, vovós, pais e filhos. As grandes empresas de surfwear emplacaram na América e Austrália há decadas, enquanto no Brasil, só a partir do fim dos anos 80 surgiu a primeira empresa que ”realmente” investiu em nossos atletas pensando em trazer um título mundial.

Nos 70 e 80, o surf era marginalizado pela sociedade e pouco era dado de apoio aos nossos atletas…
No fim dos anos 80 e começo dos 90 foi a época em que o surf nacional deu seus mais significantes passos, conseguindo emplacar dois atletas de alto nível: Fabinho e Teco, além de sediarmos a primeira etapa do circuito mundial no Brasil, o Hang Loose Pro, durante swell de gala na Joaquina.
Hoje, nossos representantes no circuito conseguiram importantes vitórias em etapas do WCT e WQS, e, agora, no final das contas, nenhum atleta chegou mais perto de um título mundial como Vitor Ribas na terceira posição.
O catarinense Neco Padaratz é o nosso representante com mais chances de título hoje, segundo grandes especialistas. E ele também já se beneficiou com o background de toda familia (irmãos) que já pegavam onda, além do apoio dado desde criança pelo Avelino – da Tropical Brasil.
De acordo com meus humildes cálculos, essa novíssima geração hoje criada com o maior incentivo pelos pais surfistas, marcas de ponta, sociedade e mídia, pode certamente dar muita alegria em breve.
Obrigado guerreiros Gouveia, Padaratz’s, Rosa, Ribas, Rocha, Moura, Costa, Tavares, Silva… Sem vocês não teríamos arrombado tantas portas, as mesmas que serão ultrapassadas com mais facilidade por essa geração bandida ainda saindo do forno.

Tivemos grandes problemas nas primeiras gerações que não estavam acostumadas a deslizar sobre ondas pesadas como Teahupoo e Pipeline, mas como essa mulecada já está viajando desde cedo para esses lugares, o ataque agora será natural e certeiro.
Tudo tem um começo. Por tradição, temos uma raça fora do comum e as portas abertas por nossos atletas, familias, empresas, mídia e sociedade apoiadoras, ainda darão excelentes frutos.
Não existe receita como de bolo para ser campeão mundial. Porém, algumas coisas podem ser observadas.
Agora é a hora, pois com marcas solidificadas no mercado, apoio dos familiares, mídia e sociedade, ninguém segura essa galerinha que esbanja garra e talento nato. Um título mundial vai encher a galera de alegria e esquentar cada vez mais nosso mercado.
Tudo tem seu tempo exato, e ri melhor quem ri por último. Até lá, se Deus quiser.
Aloha!