Trip solitária

Thiago Martins explora a Costa Rica

Thiago Martins explora todo potencial das direitas da Playa Hermosa, Costa Rica. Foto: Arquivo pessoal.

Não há nada como visitar um país repleto de belezas naturais como a Costa Rica. Calor o ano inteiro, paisagens alucinantes, povo receptivo e ondas perfeitas que quebram em bancadas de areia, pedra e até coral.

 

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Apesar de viver na capital brasileira do surf (Florianópolis), muitos perrengues rondam a vida dos surfistas locais, como a tradicional pesca da tainha (quando o surf é proibido em quase todas as praias da região, desde meados do mês de maio até o começo de julho), a invasão desordenada de visitantes na alta temporada, e a falta de ondas no verão.

 

Impulsionado pelos agoros da ilha, somando a vontade que todo surfista tem de pegar ondas perfeitas, programei uma surf trip para a Costa Rica. Mesmo não encontrando alguém para me acompanhar, me joguei sozinho, pois não perderia a chance de realizar este sonho.

 

Chegando lá fui direto à praia central do país, denominada Playa Hermosa, que fica à duas horas e meia do aeroporto de San Jose.

 

Me instalei na primeira pousada que encontrei e fui direto para água. Desanimei um pouco, pois a onda balançava e não tinha uma formação boa, apesar da ausência do vento.

 

Pensei, e agora, será que vim para o lugar certo? Bateu um apavoro de cantinho, mas tudo mudou quando fui dar uma volta no fim de tarde: diversas ondas de pico, tubulares, 1 metro, manobráveis e muito disputadas. Foi então que entendi como a variação da maré é fator determinante para a formação das ondas, principalmente nos países da América Central.

 

No segundo dia já estava na água às 6 da matina. As ondas reagiam e a cada hora ficavam maiores. Peguei algumas clássicas até tomar uma série de 2 metros na cabeça e quebrar minha prancha ao meio.

 

Sem desanimar, passei mais alguns dias na Hermosa, até conhecer um gaúcho chamado Plínio, e dois cariocas, Diogo e Gabriel. Juntos, fomos explorar o litoral costa-riquenho, rumo ao Norte. Alugar um veículo 4×4 é indispensável (prepare-se para a aventura).

 

Naquele momento eu já havia surfado praias próximas à Hermosa, como a Escondida – onda muito boa para os dois lados que quebra de frente para um costão e só chega-se de barco; Jacó – balneário de fundo compacto que tem boas ondas pela manhã; e Boca Barranca, esquerda estilo Pavones, só que estava pequeno.

 

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Visuais paradisíacos compõe o belo litoral costa-riquenho. Foto: Arquivo pessoal.

Já com meus amigos brazucas, conhecemos a Playa Negra, direita clássica que quebra sob um fundo de pedras em forma de laje, muito boa. Ao lado, Avellanas, que possui mais ao meio da praia uma pequena saída de rio, com algumas pedras no outside, onde surge uma direita longa e muito manobrável, até então, a melhor vala.

 

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Outro pico que merece um confere é chamado Mar Bela. Excelente beach break que oferece esquerdas e direitas, tubulares em certos dias.

 

Deixando o Norte do país já com saudades, pegamos a estrada rumo ao extremo Sul, atrás da lendária esquerda chamada Pavones.

 

O surf rolou em algumas praias pelo caminho, pois é muito chão até lá e o pit-stop torna-se necessário para o descanso.

 

Pavones é alucinante, uma pequena vila que comporta apenas um campo de futebol, uma surf shop e algumas casas. O fundo cheio de pedrinhas redondas ajuda a formar a esquerda longa e manobrável, com algumas seções bem rápidas.

 

Rolou uma sessão de meio metro com séries maiores, e como o swell não tinha muita força, a esquerda não abria como o esperado. A onda sob fundo de pedras é mais divertida, bem formada, mas infelizmente os expressos de 1 minuto não surgiram pelo outside.

 

Outro pico da região é Matapalo, localizado ao lado oposto de Pavones. Trata-se de uma direita sob pedras rochosas e com altos visuais, podendo ser encontrada 35 minutos de barco ou em quatro horas de carro saindo de Pavones.

 

O modo ideal de finalizar essa surf trip é cruzar o país de um lado ao outro e surfar os dois oceanos, Pacífico e Atlântico. Esse percurso dura aproximadamente quatro horas e chegando lá, você se depara com uma direita quadrada apelidada de ?tempero brabo?. Ou, para os hermanos, ?Salsa Brava?.

 

Apesar da perfeição de seus cilindros, muita calma nessa hora meu querido, pois a bancada de coral é rasa e o grau de dificuldade no drop aumenta. E cuidado ao entrar e sair do pico para não pisar em um ouriço como eu.

 

O lugar é irado, lembrando a vibe da Jamaica (localizada apenas à 2 horas de avião de Salsa). Lá só se ouve reggae, além de suas praias serem banhadas pelo famoso mar do Caribe.

 

Foram 25 dias de surf intenso por este pequeno país da América Central, onde não faltaram amigos, paz e ondas boas. A evolução do surf é inevitável.

 

Portanto, fica a dica do Coelho: agiliza uma graninha, compra tua passagem, e Pura Vida sangue bueno!

 

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