Hot Buttered Soul, The Movie

Terry, o sultão da velocidade

Capa de Hot Buttered Soul The Movie. Foto: Reprodução.

Adrian Kojin, editor da revista Fluir, foi convidado pela HB para dar sua visão sobre o lançamento de Hot Buttered Soul – The Movie. No texto a seguir, Kojin fala da história do aussie Terry Fitzgerald e o envolvimento de sua família numa das marcas mais tradicionais do surf internacional.

 

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Numa época em que até a alma tem sido exposta como uma mercadoria a mais a ser comercializada na gananciosa prateleira da indústria do surf, é uma verdadeira onda de inspiração se deparar com ?Hot Buttered Soul, the Movie?.

 

Isso por um motivo muito simples: a história de Terry Fitzgerald, sua família e sua marca é de uma autenticidade arrebatadora, e não um produto do departamento de marketing de uma surfwear qualquer tentando despertar o consumismo em seu público alvo.

 

Não importa quantas piruetas os surfistas de hoje em dia conseguem dar sobre uma prancha de surf. Nada vai superar as performances de Terry no seu auge. Surfando com suas monoquilhas psicodélicas, excedendo o limite de velocidade e rompendo barreiras numa explosão de criatividade, ele traçou as linhas que iriam definir a essência do power surfing, mudando para sempre a maneira de se encarar uma onda.

 

Com imagens preciosas retiradas de clássicos da cinematografia de surf, como a série ?Sultans of Speed?, produzida pela própria HB, passando por ?Morning of the Earth?, ?Fantasea? e ?Storm Riders?, entre outras preciosidades que fizeram a cabeça de gerações passadas, o filme refaz a trajetória da evolução de Terry e suas pranchas desde os anos 70 até os dias de hoje.

 

Seus filhos Kye, Joel e Liam, assim como membros da equipe HB do calibre de Vetea ?Poto? David, Simon Law e Matt Cattle, detonam em ondas longas e perfeitas na Austrália e Indonésia, provando que absorveram toda a filosofia do mestre, o Sultão da Velocidade, Terry Fitzgerald.

 

Nomes de peso, como Andrew Kidman e Derek Hynd, tecem comentários inteligentes e cheios de reverências ao surfista e shaper que marcou suas vidas para sempre. Hynd sabiamente coloca a atuação de Terry em Sunset Beach, no Hawaii, J-Bay, na África do Sul e Bell?s Beach, na Austrália, no mesmo patamar que Gerry Lopez fez na mesma época em Pipeline, expandindo de maneira antes inimaginável o horizonte do possível.

 

O que não falta no filme são seqüências memoráveis, como a de Terry desbravando Uluwatu nos anos 70, ou dele retornando com a família a Jeffrey?s Bay para uma temporada de surf em suas antigas monoquilhas, em pleno século XXI. De lambuja, ainda é possível ver a família toda esbanjando classe num raro dia de pura mágica na mítica onda de Cape Saint Francis.

 

E, como se todo este tsunami de imagens arrebatadoras não bastasse para fazer de Hot Buttered Soul, The Movie um filme obrigatório, ainda tem a genial trilha sonora. Gravada ao vivo com os seis músicos da banda White Horse tocando enquanto assistiam às cenas do filme, o resultado é fantástico, uma verdadeira viagem sonora com destaque para a guitarra de Tim Gaze, tão inspiradora quanto as linhas de Terry Fitzgerald surfando.

 

Quem conhece Terry Fitzgerald e a força de suas idéias sabe que ele nunca dedicaria este filme ao seu falecido filho Liam, se não acreditasse na pureza da alma que sempre orientou sua trajetória no surf e na vida. Realmente imperdível. (Adrian Kojin)

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