Chega o final de mais uma temporada de surf aqui no Pacífico Norte. Ao olhar para trás e analisar este inverno, posso dizer que foi uma temporada de poucas ondulações de qualidade.
As ondas chegaram mais tarde do que o normal e acabaram mais cedo. Tudo isso por conta do fenômeno natural da La Niña. Quando isso acontece a água esfria e as ondas ficam menores. Foi exatamente o que aconteceu.
Nesta temporada fui pra Mavericks, Califórnia (EUA), em algumas das ondulações que abriram a temporada. Depois investi em Todos Santos, México.
Peguei um swell que marcou a temporada mexicana. Quando cheguei estavam todos os big riders posicionados bem longe do pico. As séries eram bem demoradas e entrei na água antes de ver uma onda grande quebrar.
Enquanto remava, apareceu uma bomba que há muito tempo eu não via. Ela tinha uns 8 metros, mas se medisse pela frente, daria o dobro do tamanho.
O australiano Jamie Mitchel veio nela. Meu coração palpitou mais forte e fiquei com uma sensação de felicidade, só por imaginar que eu teria a chance de pegar uma onda grande como aquela.
Como estava demorado e difícil se posicionar, levei uma hora e meia para pegar a primeira onda. Até que não foi muito, pois quem pega onda grande sabe que é preciso paciência.
Meu primeiro drop foi fotografado pelo Julio Fonyat e a foto foi publicada na Fluir. Fiquei muito feliz de receber a notícia que uma foto minha tinha sido publicada na revista.
Neste dia também tomei algumas bombas bem grandes na cabeça e algumas vacas que nunca vou esquecer. Fui varrido duas vezes até as pedras da ilha e o jet-ski não conseguia me resgatar, pois as ondas estavam constantes na pedra.
Isso me fez ver o quanto o meu preparo físico e mental influenciou nesta hora de ter que mergulhar e tomar uma série de sete ondas na cabeça. É importante que todos estejam preparados.