Taj Burrow é novo Mr. Brazil

Depois de dar uma verdadeira aula de radicalidade e tática de competição nas ondas da praia da Vila, o australiano Taj Burrow conquistou seu terceiro título do WCT em águas brasileiras.

 

Confira cobertura completa do Nova Schin Festival WCT 2004.

 

Burrow derrotou o compatriota Tom Whitaker na final do Nova Schin Festival 2004 e tirou o título das mãos do hexacampeão mundial Kelly Slater, vencedor no ano passado e quinto colocado este ano, depois de ser eliminado pelo campeão nas quartas.

 

Aos 26 anos, o surfista natural de Busselton, oeste da Austrália, comemora sua quarta vitória no Tourl e passa a liderar  em número de vitórias no Brasil.

 

Até o Nova Schin 2004, ele estava empatado com Slater com duas vitórias cada. Taj havia vencido em 99 e 2002 e Slater foi campeão em 97 e 2003.

 

Agora, Burrow sai na frente e mostra que possui uma ligação especial com as ondas brasileiras.

 

Durante uma coletiva de imprensa realizada logo após a entrega de prêmios, ele falou sobre mais essa conquista e os planos para o futuro, como o de partir com tudo para o título mundial em 2005.

 

Como você se sente depois de mais uma vitória

 

no Brasil?

 

Estou realmente muito feliz, amarradão por vencer mais uma vez no Brasil. A primeira vez que venci aqui, em 99, havia sido minha segunda vitória no WCT. No ano seguinte acabei na segunda colocação e depois venci a etapa de Saquarema, em 2002. Então, considero esse título algo muito especial na minha carreira.

 

A que você atribui essa ligação com as ondas brasileiras?

 

Não sei ao certo, mas acredito que tenha a ver com a vibração do público, que é realmente muito grande. É incrível estar na água e ouvir os aplausos, os assobios, gritos. É muita vibração e isso certamente incentiva o atleta na hora da decisão. O público brasileiro é muito especial para mim e quero aproveitar para agradecer todo o apoio que tive aqui.

 

De que você mais gosta aqui?

 

Bem, essa é uma pergunta difícil. Tudo aqui no Brasil é agradável, o clima, o astral do povo, as ondas são boas, a cerveja também. E as mulheres, é claro. Acho que não há nada do que reclamar das minhas passagens pelo Brasil, pelo contrário, é uma viagem que me empolga cada vez mais.

 

Surfistas como Slater e Andy Irons já  te apontaram como um dos poucos capazes de quebrar a seqüência de vitórias do havaiano no WCT. Você se considera pronto para partir com tudo em busca do título mundial?

 

Na verdade eu nunca estive 100% focado no circuito mundial. Mas, depois de estar entre os dez primeiros nos últimos anos, pretendo me dedicar integralmente à conquista do título mundial no ano que vem. Acho que preciso estar focado em um treinamento específico, controlar a alimentação e estar atento a todos os detalhes que possam fazer a diferença no momento de decidir o título.

 

Como foi a final contra Tom Whitaker em condições difíceis como as da praia da Vila nesta terça?

 

É, as ondas diminuíram bastante hoje e as séries estavam bastante demoradas, tornando a escolha de ondas fundamental. Acho que dei sorte por pegar uma boa logo no começo e conseguir uma nota alta (8,5). Isso me deixou mais tranqüilo para arriscar e, na seqüência, acabei mandando aquele aéreo, depois de uma boa rasgada, que valeu 9,33, o que praticamente garantiu a vitória nos primeiros dez minutos de bateria. Percebi que se eu pegasse as direitas poderia aproveitar o vento nordeste que entra na cara da onda para decolar alto. A tática deu certo e felizmente consegui neutralizar Whitaker, que não teve muita chance para reagir. Agora vou comemorar bastante com meus amigos na ?pool party? (festa da piscina) que faremos à noite no hotel.

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