Sexta-feira 13

Swell antecipado em Maui

Sortudo desconhecido registrado durante a sessão em Maui. Foto: Everaldo Pato Teixeira.

A previsão de um swell de Norte com influência de Leste e vento Sudeste me levou diretamente para Maui, onde fica a base de meu parceiro Yuri Soledade no Hawaii.

 

Eu sabia que o vento aqui em Oahu seria maral e que segundo informações de Yuri, as condições seriam ideias para Maui, onde a ondulação entra com força total. Como neste ano não tivemos praticamente nenhum grande swell, seria uma ótima oportunidade para treinarmos e aperfeiçoarmos nossa parceria.

 

Tínhamos algumas missões programadas, como testar novos equipamentos, aprimorar algumas técnicas de puxadas e colocar em prática o treino físico e técnico que fizemos durante toda temporada.

 

Cheguei quinta-feira de noite em Maui para termos tempo de preparar

tudo na manhã de sexta, pois sabíamos que de tarde o swell

Yuri Soledade intensifica seu treino em casa. Foto: Everaldo Pato Teixeira.

começaria a entrar.

Chegar em Maui é sempre um astral. Sinto que a ilha tem seu lado espiritual mais forte que Oahu. De alguma maneira sempre sinto isso quando chego em Maui. Na chegada, o sorriso de sempre do meu parceiro dando as boas-vindas faz eu me sentir em casa. Colocamos o papo em dia e fomos dormir.

 

Na sexta pela manhã depois de buscarmos nossa prancha nova e fazermos todos os preparativos para a sessão, vimos que o vento maral forte dominava a ilha e as condições eram totalmente desfavoráveis. As ondas estavam pequenas e o vento as tornava totalmente mexidas. Mesmo assim, Yuri e eu resolvemos cair.

 

“Vamos nessa! Ao menos vamos ver se a prancha é boa ou não, pois se ela for boa nesse mar, ai…”, disse o Yuri. E foi o que fizemos. Saímos do Harbor de Kahului no centro da cidade de Maui por volta das 11 da manhã. Em menos de cinco minutos estávamos em Pier 1, um pico que para mim era apenas um local onde quando o mar estava gigante oferecia uma alternativa para os menos experientes na prática do tow-in.

 

Uma onda perfeita para a direita, com uma parede grande e muito manobrável, que acabava dentro de um  canal profundo e com uma forte corrente, que impossibilita o surf de remada, mas que para o tow-in é perfeito.

 

Acho que eu estava bem enganado e era o que eu iria ver no decorrer do dia. Chegamos no pico e as ondas tinham uns 2 metros, um pouco mexidas e formando um double-up (uma onda encima da outra) bem estranho. Imaginei que a onda fosse como descrevi acima, mais parecia mesmo que eu estava bem enganado.

 

Comecamos a surfar. Conforme o tempo foi passando, fomos percebendo que a corrente em volta da onda aumentava consideravelmente, assim como o tamanho das ondas. Nossa prancha parecia que a cada momento ia melhorando, assim como nossa parceria.

 

Por volta das 15:30, definitivamente vimos que o mar crescia a cada série e o vento mudou completamente, virando para um terral forte e perfeito, exatamente como meu parceiro tinha comentado e previsto, pois antes de entrarmos no mar ele falou: “você vai ver, em duas ou três horas o vento vai virar e vai ficar perfeito!”. Dito e feito, nao é à toa que o Yuri mora há quase 15 anos em Maui, conhece bastante a ilha.

A essa altura, a cada série o mar aumentva, assim como o número de jets no outside. O mar começa a mostrar que o swell seria muito diferente do que estávamos esperando. Ondas quadradas e extremamente tubulares quebravam sobre uma bancada não muito funda, pois em alguns caldos que tomamos, chegamos a tocar nos corais.

 

##

Yuri e Pato fortalecem parceria a cada sessão. Foto: Arquivo pessoal.

Um detalhe. Como não achávamos que enfrentaríamos ondas grandes e sim um bom treino, temos praticado o tow in sem colete, para aumentar um pouco mais a carga de treino em caso de um caldo. Quase nos arrependemos, pois tomamos alguns dos piores caldos da temporada.

 

A essa altura chegaram no outside Eraldo Gueiros, Daniel Cafezirto e o fotógrafo Skip Banks. Eraldo, meu parceiro de equipe WG me perguntou se poderíamos fazer um revezamento para produzirmos o material fotográfico, que por sinal naquele momento era o que faltava.

 

Poderíamos ter feito as fotos da temporada. Exatamente! Poderíamos! Pois antes mesmo que o Yuri terminasse as três ondas que combinamos que cada um surfaria, o Eraldo nos falou que o fotógrafo estava passando um pouco mal e que não iria aguentar por muito tempo.

 

Então ele decidiu pegar algumas ondas antes que o fotógrafo quisesse voltar, mas aí aconteceu o que nenhum fotógrafo profissional do mundo deseja. Depois de passar uma ondulação de um jet que passava ao lado deles, Skip desequilibrou e deixou seu equipamento cair na água.

 

Moral da história: US$ 3mil de prejuízo e sessão encerrada, a melhor da temporada sem nenhum registro profissional a partir das 5 da tarde.

 

As ondas estavam simplesmente incríveis, parecia uma mistura de Mavericks com V-Land. Tubos enormes, perfeitos, o vento na direção exata, enfim, o dia que passamos imaginando durante meses ali em nossa frente, surfamos até praticamente escurecer, a cada onda a adrenalina no mar aumentava.

 

No final de tarde, depois de nosso slad (prancha de resgate) ter quebrado devido ao desgaste, ficamos no canal assistindo a galera. Eraldo pegou algumas ondas que se tivéssemos registrado, entrariam facilmente na final do XXL.

 

O Yuri não conseguiu se controlar e ainda surfou mais três ondas quase anoitecendo. Tive que resgatá-lo duas vezes, pois nas duas ele colocou para dentro e não saiu. Tomou 2 dois caldos muito fortes e ainda fizemos um trabalho de time, pois naquelas condições resgatá-lo sem slad foi um trabalho complicado, foi mesmo para finalizar o dia. Só aí que me liguei que era sexta-feira 13, não sou supersticioso porém na dúvida…

 

Infelizmente o único registro de toda esta história é uma foto que tirei no começo da tarde, quando começaram a entrar as primeiras ondas. Eu mesmo com minha camera xereta à prova d´água, o que depois, já em terra firme avaliamos como um dos bons momentos, pois o sortudo da foto foi um dos únicos com um registro no dia, já que ninguém percebeu o que rolava logo ali a cinco minutos da cidade, pois todo mundo  esperava que o surf seria no sábado. Mas aí vocês vocês já sabem, surf se espera na água né!?

 

Pois bem, conversando mais tarde depois do surf com Yuri e Eraldo, chegamos à conclusão de que podemos contar nos dedos das mãos quantas ondas destas surfamos em nossa carreira, foi sem dúvida o mar da temporada e um dos mares de nossas vidas.

Aloha!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.